segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Depois da Chuva - 88

"Dessa sociedade suicida que cria rótulos pra tudo, eu tenho uma vontade louca de fazer o que dé na telha , e que se dane o mundo, que se dane tudo! Ás vezes eu tenho vontade de matar aula, sair pelo mundo sem dar satisfação a ninguém, falar a primeira coisa que me vier à cabeça sem me importar com o que vão dizer, encarar a realidade com naturalidade."

Salão de Olívia, Califórnia
12h00min
‘ Por Miley


Acho que, sinceramente, não agüentava mais chorar. Me levantei do chão onde estava e enxuguei meu rosto por completo. Ao mesmo tempo me sentia idiota por me comover com aquilo, mas parecia justo. Por algum momento parecia justo. Balancei um pouco meus cabelos e me deparei com uma vassoura em minha frente, encostada na parede. Peguei-a no mesmo instante e comecei a varrer o chão do salão, comecei a limpar tudo que via, porque assim por alguns segundos alivia meu tormento. Ainda soluçava enquanto varria, não conseguia parar de chorar. Isso me causava um certo tipo de fraqueza.
Minha tia entrou novamente no salão, dessa vez com os cabelos arrumados e com outra roupa. Estava arrumada demais, mas sabia que não iria sair, e era sinal de que havia retocado muito a maquiagem. Ela me olhou e me viu chorando. Droga, não gosto quando ela me vê desse jeito. Me sinto muito fraca. Só que ela me olhou e simplesmente me ignorou. Só apareceu no salão, pegou um de seus cremes de pele e voltou novamente ao gabinete. Voltou novamente pelo mesmo lugar de onde havia entrado. Como se eu simplesmente não estivesse, como se eu não existisse.
Não sei o que me deu naquela hora, mas me deu uma vasta vontade de gritar e de espernear. Que coisa estúpida. Comecei a me sentir como se não fosse dali mesmo. Quem diria! Minha tia, a minha segunda mãe, que tinha me ajudado em tudo, estava virando a cara pra mim, em vez de me ajudar e me apoiar. Não sei bem o que eu fiz, só sei que não me segurei. Larguei a vassoura no chão e corri para dentro do gabinete.
Quando entrei, ela estava se olhando no espelho. Simplesmente se olhando. Nada havia em sua expressão, nada. Corri para trás dela, e pude ver nossos reflexos.

Miley: Eu sei que você não quer olhar pra mim! – Eu ainda chorava. – Mas mesmo assim eu vou falar o que eu sinto! Eu sei que você quebrou a cara pra que eu entrasse pro internato! O tempo que você se dedicou, que pagou aos professores! Mas, tia, entenda, eu não posso! Eu não posso! Eu não pertenço a esse lugar!
Minha voz falhava. Eu mal conseguia falar. E o silêncio dela me incomodava. Havia tanta coisa entalada na minha garganta, tantas verdades. Aquilo nem era o começo. Ela tinha que me entender, entender o que eu sinto.
Olívia: Não é isso que me incomoda! – Ela gritou, se virando pra mim.
Miley: O que é?
Olívia: Se mostre ao mundo, menina! – Ela gritou, se afastando de mim, voltando ao salão. Fui atrás dela.
Miley: E quem te falou isso?
Olívia: Não é preciso ninguém me dizer, eu vejo! – Nós andamos até finalmente pararmos na porta do salão, na calçada. – Sua mãe a convenceu de que o mundo é o quarto de sua mãe. E não é!
Eu chorava, não sabia porque. E de alguma forma não conseguia concordar com minha tia, não conseguia! Algo me impedia de pensar diferente.
Miley: Não, não – Discordei. – Eu estou com ela porque a amo! – Falávamos de Abigail.
Olívia: Tem muitas formas de amar. Não é só essa! Não tem porque ficar trancada em casa e nem nesse salão desgraçado! – Aponta para dentro do salão. – Sai daqui! Sai dessa cidade! Vai por aí, grita, se diverte, VIVE!
Miley: Mas esse é o meu mundo!
Olívia: Esse é o seu esconderijo! – Gritou, já enfurecida. – Lá fora tem um universo para explorar e você tem tudo para conquista-lo! Não pode ficar assim, eu tenho raiva de ver você assim, eu não posso suportar!
Miley: Mas eu tentei... – Eu já começava a soluçar novamente.
Olívia: Isso não é verdade, não tentou nada! Insista, não desista!
Eu não conseguia descrever o que se passava na minha cabeça naquele momento. Eram tantas coisas que queriam gritar, e tantas outras pressões. Dos dois lados haviam idéias, opiniões e outras coisas. As vezes eu pensava que essa “implicância” da minha tia comigo era porque ela queria decidir a minha vida por mim. Eu sempre fui uma menina quieta, certinha, caseira, ingênua... Muitas vezes intitulada a “santa” por todos. Nunca consegui cometer erros por livre e espontânea vontade. Na verdade eu fugia dos erros. Minha tia se consagrou, fez do possível ao impossível para me colocar no UPE e, quando cheguei para sentir a experiência, não era o que eu esperava. Mas ela insistia que era aquilo que era pra mim! Que lá era o meu lugar! E eu não conseguia pensar desse jeito. Algo me bloqueava de pensar assim.
Olívia: Porque se dar por vencida tão facilmente? – Perguntou ela, quase gritando. Eu ainda chorava.
Miley: Porque eu não consigo! – Gritei em resposta. – Poxa, eu não consigo! Pra mim dá muito trabalho!
Olívia: Você está pensando que não aceitam você, está pensando naqueles imbecis?! – Gritou ela, dessa vez estava realmente furiosa. – Eu mudo você de colégio, mas que ELES não sejam essa desculpa! Porque você não pode ficar aqui, POR FAVOR! Você tem que entender isso.
Miley: O problema não são os outros alunos, o problema sou eu.
Olívia: Você?! – Ela perguntou, pasma, abaixando o tom de voz. – Mas porque você, filha? Você é uma santa!

Dessa vez, minhas lágrimas caíam em jorrões. Lembranças más sempre me fazem isso.

Miley: Porque... Porque eu não sou igual aos outros! Eu tenho alguma coisa errada!
Olívia: Não, está errado! – Ela me interrompeu. – Quem está errada é você.

O telefone logo então tocou. Minha tia olhou pra mim com olhos arregalados, ainda pasma, e caminhou para dentro do salão. Eu sequei minhas lágrimas e tentei abafar os soluços, pois também queria saber quem havia ligado. Ela chegou ao telefone, respirando fundo.

Olívia: Alô? – Atendeu. – Sim, quem quer falar? – 1 minuto depois, ela me olhou, franzindo as sobrancelhas. – Demi?
Miley: Não! – Eu sussurrei, balançando as mãos, implorando pra que ela não falasse que eu estava ali. Pra aliviar, corri para o gabinete.
Olívia: Não... Desculpe, é que eu acabei de chegar e... Se quiser ligue um pouco mais tarde – Ela deu a desculpa.
“Está bem. Então, peça a ela pra me ligar, está bem? Preciso falar com ela. E... Também diga que estou com saudade. Ok? Obrigada.”

Ouvi minha tia batendo o telefone o gancho e pude perceber que havia desligado. Não estava muito afim de falar com Demi e nem com ninguém da UPE, não queria dar explicações. Na verdade, sabia que Demi iria me procurar, mas queria fugir meus pensamentos da UPE e de tudo que a envolvia.

Olívia: Miley, filha! – Ela gritou. – Desliguei! Filha, venha cá, por favor!

Salão principal, Upper East Side
12h30min
‘ Por Demi


Desliguei o telefone. Havia acabado de falar com a tia de Miley, a qual não lembrava o nome agora. Mas não agüentava mais ficar sem notícias de Miley. Ela havia sumido, sem mais nem menos, e nem deixado notícias. Isso me angustiava. Enquanto guardava meu iPhone no bolso, fui surpreendida pelo professor John, o qual parou na minha frente, segurando uma folha de papel nas mãos.
John: Você e eu temos uma conversa pendente – Ele sorriu, encostando seus ombros na parede. E que sorriso! Eu apenas suspirei.
Demi: Não. Se é por causa do trabalho, não sei, se quiser eu faço outro – Revirei os olhos. – Me dê 5, tanto faz, dá na mesma – Dei de ombros.

Ele apenas balançou a cabeça, me olhando como se eu realmente não fosse normal. Mas que sorriso é esse, meu Deus? Porque esse professor gatão não pode parar com isso? É um assédio pscicológico, e eu não posso mais me envolver com isso, já beijei um professor, se lembram? Pois então.

John: No trabalho você tirou um 10! – Ele sorriu. Meus olhos se arregalaram.
Demi: É verdade?! – Perguntei, surpresa.
John: Claro. Um 10 pelo conteúdo e pela sua valentia! – Ele me estendeu o papel em suas mãos, que quando vi era meu próprio trabalho.

Eu ainda não conseguia acreditar. Achava sinceramente que ele me daria um 5... Ou quem sabe um 0 logo! Essa simpatia dele o tornava ainda mais gato, que droga! Logo em seguida, ele pegou no meu ombro e me encaminhou até um dos bancos do salão, que no momento se encontrava com poucas pessoas.

John: Agora o que eu quero, Demi, que com a mesma valentia e franqueza, me diga o que estava fazendo naquele terreno abandonado.

Minhas pernas tremeram. Como assim ele me viu? Isso não podia estar acontecendo! Minha mente girou e a primeira coisa que consegui pensar foi em Samuel, e se ele havia visto vestígios ou havia visto o próprio Samuel. Senti minha língua embolar e tremer.

Demi: É... Era que eu estava tentando lembrar, professor... E sabe o que é? É que eu já tinha esquecido desse incidente e não sei porque... Acho que eu estava andando – Nunca gaguejei tanto na minha vida. Ele me olhava com uma cara de desconfiado. Normal. – Fazendo cooper... Qualquer coisa.
John: E porque você não prova e diz a verdade? É melhor.
Demi: Professor, eu juro de verdade que não lembro! – Tentei convencê-lo da melhor forma possível. – Sério! Qualquer coisa que eu disser vai parecer mentira, porque agora eu não lembro.

Ele assentiu com a cabeça, e mexeu nos cabelos. Isso é golpe baixo!

John: Olha, Demi, eu não dou conselhos, não sou ninguém de verdade. Mas eu posso compartilhar experiências. E nesse lugar eu digo que... Tem coisas que não valem a pena! – Ele suspirou. Eu juntei as sobrancelhas, confusa. – Tem coisas que não tem sentido.
Demi: O que quer dizer? – Perguntei, confusa.
John: É muito bonito ser valente. Pra mim é perfeito, lutar contra a injustiça, muito bem. Mas num lugar proibido, onde é perigoso só pra poder descumprir uma norma, pra mim é idiotice! Principalmente pra alguém como você. Que eu considero muito inteligente.

Ele simplesmente deu um sorriso de canto e se levantou, se retirando. Eu ainda processava as palavras dele. Com certeza ele não sabia de nada, nadinha do Samuel. Nem sabia o que eu iria fazer lá no terreno. Mas o que ele quis dizer? Que quebrar regras era idiotice? Principalmente aqui? Eu não conseguia analisar, não conseguia achar lógica. Teria que conversar com ele mais vezes, é claro. E seria um prazer enorme!
Olhei-o subindo as escadas e me levantei do banco. Agora tudo parecia ganhar um pouco mais de lógica. Um pouquinho, apenas.

Demi: Valeu, professor – Falei a mim mesma. – Eu vou me lembrar disso.

E sorri comigo mesma.

Quarto de Selena, Upper East Side
13h30min
‘ Por Selena


Voltei ao quarto, já que não havia encontrado Miley lá fora. Aproveitei o caminho e joguei o panfleto do “Inferno” no lixo. É claro, rasgado em mil pedaços. Só loucos iriam nessa festa, ainda mais organizada pela Demi. Iria me desculpar com Chloe depois, mas não iria mesmo. Cheguei ao quarto, me jogando na cama. Isabella ainda estava lá, dessa vez sentada á escrivaninha, rodeada de livros, o que me deixou confusa.

Selena: O que é isso? – Perguntei, me sentando na cama.
Isabella: Ah, eu comprei algumas coisas para o Nick – Respondeu ela, sorridente. – Tadinho! Não deixaram nada.

Aquele nome me dava náuseas, literalmente. Não queria pensar naquele garoto, estava muito bem me distraindo e não pensar naquele rosto. Eu já havia ficado sabendo do que a Seita fez no quarto dele... O que me causava calafrios. Não sabia porque Isabella insistia naquele garoto.

Selena: Algumas coisinhas? – Disse irônicamente. Não eram poucas coisas, não mesmo. – Eu sempre achei que eram os meninos que compravam coisinhas para as meninas – Mandei indireta.
Isabella: Tavez no seu caso. Mas no meu não. Porque com você eles podem fazer filas e tudo, mas comigo... – Ela respirou fundo. – Além do mais, não se usa mais isso.
Selena: Não se usa mais isso? – Arqueei as sobrancelhas. – Só se for na sua terra que não se usa mais isso.
Isabella: Ah! – Ela bufou, se levantando da escrivaninha. – Nick tem razão, viu?
Selena: Tem razão em que? – Perguntei, bufando. Odiava quando ela dava razão áquele ser desprezível.
Isabella: Sobre a sua histeria! – Respondeu ela, colocando as “coisinhas” numa caixa. – Sua loucura.
Selena: O QUE?! – Gritei. – Espera, como ele tem razão sobre a minha histeria? Do que está falando? – Eu queria gritar mais. Não acreditava no que ouvia. Isabella suspirou.
Isabella: Você é uma histérica! É por isso que não tem namorado – Ela se sentou na outra cama, com a caixa no colo.
Selena: Como aquele idiota disse isso, Isabella? – Gritei, me levantando da cama, ainda irritada. – Você tem que dizer a ele que eu não sou uma histérica! Como ele se atreve?! COMO ASSIM HISTÉRICA? Por favor, me explica!

Não sei o que deu em mim. Sinceramente, foi automático. Bem lá no fundo, estava com um ódio de Nick Jonas. Ódio por ele ter tirado essas conclusões sobre mim, queria espancá-lo naquele momento por ter dito isso sobre mim. Mas por outro lado, não queria que ele realmente pensasse que eu era uma histérica. Que droga, o que esse garoto causava em mim?

Isabella: Ele disse que você é uma histérica! – Disse ela, abrindo um livro. – Que você é muito imatura pra ter um namorado. Primeiro você se insinua pra depois nada!

Arregalei meus olhos. Agora sim eu estava com ódio! Agora sim estava com realmente vontade de matá-lo! Como ele pode dizer isso?! Respirei fundo e, não sabendo o que tinha dado nas minhas pernas, corri para a porta.

Isabella: Mas ele disse isso pro seu bem! – Gritou ela antes que eu saísse ás pressas do quarto.

Sala de jogos, Upper East Side
14h05min
‘ Por Nick


Eu e Aiden ainda olhávamos para Demi de longe. Estávamos atrás da mesa de sinuca enquanto ela estava sentada em uma das mesas da lanchonete, com apenas um copo de suco ao seu lado e escrevendo algo. Estava tão perdida em seu pequeno pedaço de papel que achei meio falta de educação interromper, mas precisava ter o que queria com ela. Demi era minha amiga, não iria se estressar como outras comigo.

Aiden: É melhor a gente ir perguntar de uma vez – Apontou para Demi, enquanto me empurrava até ela.

Eu não disse nada, apenas fui com ele. Chegamos lá e Demi levantou os olhos para nos ver, e deu um sorrisinho. O máximo de sorriso que ela podia dar.

Nick: Então, Demi, vem cá, me explica uma coisa. Que história é essa de que tem que levar material escolar pra entrar na boate?
Demi: É isso aí – Ela sorriu. – Acabou de dizer. O que mais você queria saber? – Ela abaixou a cabeça e voltou a se concentrar em sua escrita. Pois é, Demi estava sem tempo.

De alguma forma, eu já sacava o que ela queria fazer. E não estava gostando.

Nick: Olha, se está fazendo isso por mim, eu juro que...
Demi: Ah querido, não venha fazer uma ceninha de macho orgulhoso, por favor! – Ela me interrompeu. – Somos amigos ou não?
Nick: Somos! – Eu abri um sorriso involuntariamente. Demi causava isso em mim. – Mas... Eu imagino, pra que o material e...
Demi: Eu estou fazendo isso por todos os bolsistas, então é melhor pedirem alguma pra lanchar e sentarem comigo! – Ela apontou para as duas cadeiras a sua frente.

Eu dei de ombros. Demi era maravilhosa. Não que ela fosse normal e jeitosa. Ela era diferente. Uma das melhores amigas que eu podia imaginar encontrar nesse antro de escola.

Nick: Pode ser – Dei de ombros e eu e Aiden nos sentamos. – Olha, se é pra todos os bolsistas ta legal, ok?
Demi: Além do mais, eu te devia uma. Pelo grupo de dança, lembra? – Eu ri.
Nick: Sabe... Gosto de você! Porque o que tem de boazinha tem de maluca! – Nós rimos e trocamos toques de mãos.

No mesmo instante que minhas mãos de Demi se separaram, Isabella apareceu em nosso meio. E parecia com a expressão cansada, ao mesmo tempo irritada.

Isabella: Nick, preciso falar com você – Ela falou diretamente comigo, como se Demi e Aiden não estivessem ali. – Urgente!
Nick: O que foi? – Eu ainda ria de Demi. – Ok, claro que sim. Com muito prazer – Me levantei. – Já volto, gente!
Demi: Tchau.
Sala de jogos, Upper East Side
14h20min
‘ Por Demi


Nick havia acabado de sair, e eu ainda permanecia na mesa com Aiden. Na verdade, não éramos muito de conversar. Na verdade, parece que nunca conversamos. Trocávamos algumas palavras por causa de Nick e essas coisas. Enquanto escrevia no meu caderno, que na verdade estava fazendo um dever de casa, Aiden olhava muito para baixo. Em alguns momentos pensei que ele estava cabisbaixo com algo. Foi quando percebi que ele estava mesmo olhando para as minhas pernas.

Demi: E você? – Perguntei, praticamente gritando, fazendo ele tirar sua atenção e olhar para mim. – Perdeu alguma coisa?
Aiden: É... Olha só, você pode me explicar a... – Ele apontava para o meu caderno.
Demi: A matéria? – Perguntei. – Quer que eu explique?
Aiden: Sim.

E lá se foi umas boas 2 horas.

Garagem, Upper East Side
15h45min


Saí da sala de jogos após explicar umas lorotas para Aiden. Eu sei que, na verdade, ele não queria saber de matéria nenhuma, foi só uma desculpa para não apanhar. E ele fez muito bem, só não sei se serei boazinha assim da próxima vez. Logo após, eu e Madison já estávamos na garagem da escola, esperando o Matthew chegar. Matthew iria me trazer algumas coisas que pedi á minha mãe, com certeza coisas para a festa, que eu não via a hora de chegar logo. Iria bombar completamente.
Eu e Madison conversávamos quando vimos a limusine de minha mãe chegar e Matthew saindo do carro as pressas.

Demi: Graças a Deus, até que enfim você chegou. Então, trouxe as coisas?
Matthew: Claro, senhorita! – Ele rapidamente foi abrir uma das últimas portas do carro enorme.
Madison: Que bom – Sussurrou.
Demi: Rápido, por favor!
Matthew: Olha, eu trouxe aqui essas bolsas que a sua mãe mandou! – Ele saiu do carro com milhares de bolsas nos braços.
Demi: Deixa eu ver – Peguei rapidamente as bolsas, com a ajuda de Madison.
Matthew: Desejam mais alguma coisa?
Demi: Espera! – Eu verifiquei as bolsas. – Perfeito! Muito obrigada. Pode ir, obrigada.

Ele me surpreendeu, dando uma risada.

Matthew: Meninas, quando eu era menino eu sabia de todas as coisas! – Ele dizia enquanto ia ao porta malas. – Mas agora que eu sou velho...
Madison: Tudo isso quem mandou foi a sua mãe?
Demi: Ela trouxe até mais – Eu sorri. – Agora o que você tem que fazer é achar o Samuel o mais rápido possível e eu tenho que sair daqui de qualquer maneira.
Madison: Ta bom, me dá – Ela pegou uma de minhas sacolas.

Nós estávamos entrando novamente no colégio quando de repente nos deparamos com o diretor Ethan. Na boa, não há nada pior para estragar meu dia.

Ethan: Parece que as mocinhas foram as compras! – Ele sorriu. Isso me dava nojo.
Demi: Não – Dei um sorriso. – Pior que não fomos. São umas besteiras que a minha mãe me mandou.
Ethan: Ah é? – Ele arqueou as sobrancelhas. – Posso ver? – Ele esticou os braços e pegou uma sacola. Tive uma vontade louca de arrancar aqueles dedos fora, mas não podia mais aprontar nenhuma. Pelo menos até o dia da festa.

Dei um sorriso forçado enquanto ele pegava uma bola de plástico amarela e uma camisa de marinheiro para meninas. Sim, fantasia. E o pior que Ethan era desconfiado com tudo.

Ethan: Pra quem é tudo isso, senhoritdas?

Continua.

Depois da Chuva - 87

"E mais uma vez eu poderia passar dias escrevendo sobre como eu me sinto tão protegido por ter você, por ter alguém pra chamar e ligar no final do dia, eu poderia escrever quantos sorrisos você já colocou no meu rosto, quantas inúmeras risadas nós fomos capaz de dar juntos, e sobre como eu gosto de te olhar sem dizer nada. Mas isso não faria a mínima diferença, sabendo que você entende tudo que eu quero dizer só de olhar pra mim."

Quarto de Demi – 17:40 P.M
Demi e Madison deitavam-se na cama, enquanto Demi discava o número de Emma, querendo dizer algo para seu plano. Depois de bons minutos de conversa, parecia que conseguira convencer a mãe a fazer mais uma de suas vontades.
- Mãezinha, é sério, obrigada pela boa ação e juro que Deus vai te pagar e os glúteos vão levantar. Vão ficar lindos! Agora é sério, obrigada mãe, juro que você me salvou! –disse Demi ao telefone.
Emma estava no meio de uma massagem, feita pelo seu Benjamin, e falava com Demi ao telefone. Adorava ouvir a voz da filha, em qualquer ocasião.
- Ah, filha, estou sim –disse ela- Filha, você sabe que eu faço isso porque eu gosto muito de você, não sabe?
- É, eu sei, claro.
- Ah filha, mas fala direito, vai. Diz que você me ama também. Vai, diz!
- Ai mãe, ta bom.. também te amo, ok? –suspira- Tchau!
- Até logo, meu amorzinho –faz biquinho- Mas antes.. me mande um beijinho de despedida, ok? Olha, eu vou te mandar um! –faz um sonzinho de beijo.
Demi já perdia a paciência.
- Ai mãe, na boa, como você é babona! Você faz uma coisa direito e eu ainda tenho que te aturar! –bufa- Lá vai o seu beijo! –faz um barulho de beijo.
Emma ficou sorridente.
- Tchau.
Demi desligou o telefone e se sentou na cama. Ela e Madison sorriam, agora mais do que nunca.
- E aí? –perguntou Madison.
- Demais! Ela me botou em contato com um amigo que faz festas muito boas numa boate chamada “O Inferno”. Muito garoto vai lá.
- E daí?
- É boa demais –disse como se fosse “óbvio”.
- Mas o que tem isso?
- Você não entende, se você não vai ao “Inferno”, você não é ninguém!
Madison suspira, ainda confusa.
- Legal, ta tudo muito bonito, mas.. o que isso tem a ver com ajudar o Nick?
- Bom, você não viu quantos garotos e garotas tem nesse colégio? Todo mundo vai querer ir no “Inferno.” É a boate da moda –ri.
- Ah, muito bem, muito bem, eu fui mordida pelo cachorro e você ta com raiva? –perguntou Madison, irônica.
Demi ficou confusa.
- Porque?
- Como porque? Porque você está maluca!
- Maluca? –disse Demi, sorrindo- Então eu vou te morder! –abre a boca e imita um rugido, e tenta morder Madison, a qual foge da cama, rindo.
Sala do diretor – Upper East Side – 17:45 P.M
- Cafezinho?- pergunta Ethan ao professor John, que acabava se de sentar.
- Sim, por favor- agradece John.
Ethan serve o café e se senta.
- Olha, eu mandei chama-lo porque preciso que tenha mão firme com a aluna Demi Lovato.
- Hmm, eu não entendi bem. O que quer dizer?- perguntou, confuso.
- Acho que fui suficientemente claro. Terá que cuidar da Demi Lovato. Açúcar?- ofereceu.
- Não, obrigado- suspirou o professor- Mas eu cuido de todos os meus alunos, senhor Johnson. Não faço distinções.
- Não, tudo bem, ninguém está falando de distinções, é outra coisa. Essa menina é nova, e estou sendo muito tolerante com ela.- tomou um pouco de seu café.
- É?
- Mas acho que tudo tem um limite.
John sorriu.
- Isso é verdade.
- Está vendo? Concordamos, professor- sorriu- Quero que você me ajude pra que ela entenda as normas desse colégio.
- Ér.. ela é muito inteligente, eu acho que entende perfeitamente.
- Perdão, professor. O problema com essa menina é que.. não vem de uma casa normal. –sussurra- Entendeu?
- Não –sorriu o professor- O que é uma casa normal?
Ethan fechou seu sorriso, vendo como John era debochado.
- É onde falta disciplina, ela tem o vírus da rebeldia e temos que vacina-la! –exclamou o diretor.
- Me desculpe, mas eu não vim aqui pra vacinar ninguém!
Ethan sorriu forçado.
- Você como professor dessa instituição sabe que nossa especialidade é mudar os instintos rebeldes, não é? Até corrigi-los.
- Sabe o que é? É que eu tenho que preparar uma aula. Com licença –se levanta.
- Vá, pode ir –se levanta também e aperta a mão de John- Mas por favor, lembre-se de tudo que conversamos, professor.
- Claro.
- Boa tarde.
- Boa tarde –retribui e sai da sala. 

Quarto de Selena – Upper East Side – 18:00 P.M 
Selena se deitou na cama, de bruços, enquanto Isabella a fazia uma massagem nos ombros.
- Quer saber? Ela nunca foi sincera –disse Isa.- Eu disse, é uma falsa! Eu não acredito que você considerava ela sua amiga.
- Eu não sei, acho que devia escutar você.
- Todo colégio fala mal dela. E tem mais, tem uma fama! Eu fiquei sabendo que os meninos chamavam ela de carroça, sabe porque? –ri.
- Não.
- Porque qualquer boi puxava! –Isabella riu.
- Ai Isabella, não fica me contando isso! Essas coisas são fofocas, não me interessam. 
- Mas deviam! Olha, você concorda que se ela ficar no grupo vai prejudicar a todas nós?
- Mas porque? Olha, a Emily pode sair com todo o colégio se ela tiver afim. O que me aborrece é que ela ficou falando mentira, isso é o que me irrita muito.
- E outra que tem cara de mosquinha morta é essa Miley. A qualquer momento, BUM! Não acha? Te dá uma apunhalada pelas costas.
- Isabella, é claro que não! A Miley não vai fazer mal a ninguém.
- Olha, no seu lugar, eu jamais daria as costas pra ela.
- Olha, o que eu vou fazer é transformar a Miley numa menina como nós. Uma senhorita, princesinha da sociedade! É o meu projeto esse ano e eu já repeti isso em todos os idiomas.
- Eu acho que isso vai ser muito difícil.
- Não. O que vai ser muito difícil é fazer com que deixe de ser amiga da idiota da Demi, mas eu vou conseguir!
Selena se levanta da cama.
- Aonde você vai? –perguntou Isa.
- Eu vou procura-la!
- Até isso?!
Pátio, Upper East Side
18h10min

- Chloe, o que é isso? –perguntou Selena ao seu aproximar de Chloe e Madison, que distribuíam papeis no meio do pátio. – Outra carta anônima?
- Não, são convites pra uma festa.
- Festa? Quem ta organizando? –pega um folheto.
- Demi!
- Ai, que nojo! O que aquela idiota quer agora? –começa a ler- “Bem vindos ao Inferno. Bebidas, músicas e algo mais. Na sexta feira.” Ai, como ela é burra! Como sexta feira? Isso é impossível.
- Porque?
- Chloezinha, estamos em um internato, querida.
- Eu sei, mas a Demi está organizando uma fuga coletiva.
- O que? –ri- A idiotice dela não tem limites, não é? Fala sério!
- Não, não fica azarando a idéia, é por uma boa causa.
- Que boa causa? –retorna a ler- “Requisitos para entrar: canetas, livros, qualquer material de escola.” Ah, ela quer fazer uma arrecadação pra fazer uma cirurgia plástica! Deve estar querendo colocar o que a gente tem de sobra. Mas por não ter dinheiro, ela tem que juntar!
- Quer saber? Eu acho uma idéia sensacional.
- Ah é? Eu acho o contrário, a idéia mais burra dessa Demizinha!
- Não, a gente devia ir, sei lá.
- Você é a primeira da lista, não é?
- Tudo bem, fica com isso! –dá um folheto pra Sel- Eu quero ver você lá!
- Ah, pode deixar, eu já to na porta! –fala irônicamente.

- E aí, gatinha, eu quero falar com você um minuto! –disse Logan, chegando em Selena.
- Pode falar.
- Acontece que eu estava vendo essa propaganda e na hora eu pensei: Selena tem que ir com Logan, e Logan obviamente tem que ir com Selena. Então eu pensei, o que a gente vai fazer?
- Querido, olha só: você sabe que eu faço muitas obras beneficentes, mas.. eu faço tipo, almoços internacionais da Cruz Vermelha, coisas assim. Não é nada pessoal, mas isso aqui –aponta pro folheto- problema é seu se for! Sério, quem organizou foi a Demi. Foi mal, Logan, mas fica pra próxima!

- Escuta, Madison. Sabe onde eu posso encontrar a Miley? – perguntou Selena.
- Sim. Na casa dela.
- E quanto tempo ela vai ficar na casa dela?
- Olha, não sei, mas acho que vai ficar pelos próximos 50 anos.
- Como?!
- É que ela não agüenta o ambiente desse colégio. Aqui tem muita garota fresca.

Continua.

Depois da Chuva - 86

“Acho que esqueceram de me dizer que faz parte do amor esses ataques emocionais no meio do dia. É uma dependência de você que chega a me assustar. E chega a ser estranho também, esse modo esquisito de te querer loucamente a cada segundo do meu dia.” — Giovanna, Bullyss. 

 Jacob, mais uma vez, esperava por Emily no porão, nos fundos da escola. Os dois ainda continuavam com esses encontros as escondidas, e Jacob pensava se algum dia eles iriam ser flagrados... mas quando estava com Emily nada mais importava. Não sabia se estava se apaixonando pela patricinha, mas seus problemas sumiam de sua mente quando se encontrava ao lado da mesma. Emily entrou no porão, e Jacob se levantou. Observou a garota enquanto se aproximava: seus cabelos loiros e curtos davam um certo charme, e seu sorriso era magnífico.
Jacob: Ah, Emily.. eu não sei qual é o meu problema.
E, em um instante, já agarrava a garota pela cintura e a beijava com precisão, com vontade. A mesma soltou um enorme sorriso enquanto beijava o amante, sempre com bastante mordidinhas e carinhos.
Jacob: Eu precisava te ver.. não consigo mais parar de pensar em você.
Emily: Comigo é a mesma coisa, eu fico o tempo todo pensando em você.
Jacob suspirou, beijando a garota mais uma vez.
Jacob: Eu falei com o Joe.. ele não pretende terminar com você.
Emily: Não se preocupe, vou dar um jeito dele me mandar pro inferno.
Jacob: Tá, mas.. não é fácil dizer a ele de uma vez.
Emily: É, eu sei, mas.. acho que vai dar confusão entre vocês e..
Não terminou a frase, pois Jacob não resistiu ao sorriso lindo e perfeito da garota, a agarrou mais uma vez, não conseguindo resistir a tentação. Emily se separou.
Emily: Ele vai descobrir que eu troquei ele por você e aí você vai se dar mal.
Jacob: (suspira) Você tem toda razão, então..
Emily: Vamos devagar! Eu vou ficar toda ignorante e fria com ele, não se preocupe, o Joe é tão orgulhoso que ele vai me mandar pro inferno - sorriu e beijou Jacob.
Jacob: Tá, e enquanto isso?
Emily: - beijando o garoto - A gente vai continuar se encontrando escondido.
Jacob sorriu em meio aos beijos. Não gostava de ter que ser obrigado a esconder Emily dos outros, mas era preciso. Em tempos, não acreditava que podia ser capaz de trair o melhor amigo, mas quando estava com Emily, esse sentimento de culpa desaparecia totalmente. A carne era mais forte do que a confiança e a lealdade. O coração também o comandava.. então ele não se importava com isso, pelo menos quando estava com Emily, sendo guiado pelo seu veneno.
Jacob: Eu quero ficar com você o tempo todo - disse, apaixonado - Eu não vou te deixar. Eu vou pegar leve.
Emily: - sorrindo em meio aos beijos - Quanto menos a gente se encontrar, mais o desejo vai aumentar.
Jacob sorriu, imaginando tantas e mais tantas fantasias com Emily. O garoto a beijou com mais vontade, passando os beijos para seu pescoço. Logo mais, os dois estavam deitados sobre a cama, com roupas íntimas e trocando carícias. Jacob remexeu no bolso da calça a procura de camisinha, enquanto Emily arrancava o resto de pano que ainda tinha. E ali, mais uma vez, eles tiveram um momento sexual selvagem, e Jacob já ficava louco de desejo ao imaginar a próxima. Pra Emily era só uma transa, é claro.

Refeitório - Upper East Side, 14:00 P.M
Joe: Não sei do que está falando. (disse ele á Demi)
Demi: Ah, não sabe? (levantou as sobrancelhas) O seu paizinho não te contou que mandou ameaçar a gente? E ainda que soltou um monte de cachorros? Olha pra ela! - apontou para Madison, que estava atrás dela.
Demi bufou, olhando com nojo para Joe. Ele olhava para as garotas com um olhar de desprezo. Demi balançou a cabeça e saiu, acompanhada por Madison. Joe bufou, quase prestes a pular no pescoço de Demi. "Fechou o tempo, hein" disse um garoto, batendo no ombro de Joe.
Selena: Ah, não liga pra ela - se aproximou de Joe.
Joe: Eu não sei do que ela tá falando! - gritou - Eu não mandei meu pai fazer nada!
Selena: Bom, eu sei mas... Vem cá, não tinha que estar com a Emily?
Joe: Não - juntou as sobrancelhas.
Selena: Você não mandou uma carta chamando ela? - perguntou, confusa.
Joe: Claro que não. 
Selena arregalou os olhos, e os piores pensamentos se passaram em sua cabeça.
Selena: Ah... Eu acho que me confundi - riu, nervosa.

Sala do diretor - Upper East Side - 15:25 P.M
Ethan: Obrigado, senhor secretário, e como eu já disse, esqueça a Demi. Cuidarei pra que ela não incomode mais. E só pro senhor saber...
Joe: - entrando na sala - Pai! - Alex se virou pra ele na porta - Preciso falar com você! A sós!
Ethan: - ri - A vontade. Pode usar a diretoria, por favor. Fiquem a vontade. - se encaminha até a porta - Com licença. - e sai.
Joe: Pai, porque se meteu com a Demi?! - gritou, se sentando na cadeira.
Alex: - frio - Temos que corrigi-la! E espero que você faça.
Joe: Eu ia fazer da minha maneira, pai.
Alex: Tudo bem, mas qual é a sua maneira? Batendo nela? - levanta as sobrancelhas - Joe, você não tem inteligência! O primeiro passo para ganhar uma batalha é conhecer o seu adversário, depois agir.
Joe: - bufou, estressado - Pai, conheço ela muito bem!
Alex: - ri irônicamente - O que você sabe? Você não sabe nada. Tem que estudar bem os passos, conhecer ela. Eu proíbo você de se aproximar dela. Está ouvindo? Estou falando com você!
Joe: Tá bom, tá bom, pai! - grita - Eu estou escutando! Mas não concordo com o que diz. Esse é o meu mundo! Por favor, não se meta, eu sei como resolver!
Alex: - balança a cabeça, debochando - Ah Joe... Joezinho... Olha o que acontece quando você resolve. Uma mulher está atormentando você! Então não me venha com reclamações. – suspira, dando uma tragada no cigarro – A propósito, estude! Você precisa muito. Estude.
O pai de Joe saiu da sala, enquanto o mesmo quase se difurcava de raiva. Como podia ter um pai tão desprezível? Um pai que nem ao menos confiava nele, sabia que ele capaz de fazer algo. Joe sofria com isso, mas não podia fazer nada. Tinha medo do pai apesar de tudo. E agora que estava proibido de chegar perto de Demi, tudo iria se tornar mais difícil.
Joe: Você vai ver que vou resolver isso sozinho! – grita para si mesmo. – Vou cuidar da Demi! Ela vai ver. 

Quarto de Demi – 16:00 P.M
Madison: AI! (gritou quando Demi mexia em seu curativo)
Demi: Calma...
Madison: Não... Espera... Não... (bufa) Eu prefiro agüentar um pouco a dor a deixar que apanhassem o Samuel.
Demi: Eu sei, mas é sério, muita coragem a sua, eu não ia querer ser mordida por cachorro nem em sonho!
Madison: Não, a dor física a gente agüenta. Mas... a outra não! – se senta na cama – Eu sei como são os centros pra menores, amiga. E... eu juro que eu faria qualquer coisa pro Samuel não parar lá!
Demi: (suspira) Você me surpreende de verdade. Não sabe como.. como eu te admiro.
Madison: Ta bom, mas agora é melhor a gente virar essa página porque eu não desejo a ninguém o que eu não quero pra mim! E isso é tudo, já passou. Melhor assim, não é?
Demi: É, você tem razão e.. tem ainda o Nick e tem ainda a Miley, que..
Madison: Não, não, a Miley nem é bom mencionar! Fugiu como uma covarde! É melhor se preocupar com o Nick, tem alguma idéia?
Demi: (sorri) É óbvio!

Quarto de Selena – 17:30 P.M 
Emily chega ao quarto, sorridente. Selena a observa, ainda desconfiada.
Selena: E aí, Emily. Como foi com o Joe?
Emily: Ah, como sempre maravilhoso! Toda vez que eu fico com ele, eu fico louca! (ri)
Selena: (irônica) Escuta, como se sente tendo um namorado virtual?
Emily: O que você quer dizer com isso?
Selena: É que o Joe estava comigo, Emily! E a não ser que tenha um clone, não sei como ele fez pra estar em dois lugares ao mesmo tempo. (Emily suspira) E ele também me disse que vocês não tem nenhum encontro! Emily, com quem você estava?!

Selena: Porque está mentindo pra mim?! Porque disse que ia se encontrar com o Joe?
Emily: Porque eu não posso te contar com quem eu estava até agora! (grita)
Selena: Tudo bem, eu pensei que éramos amigas!
Emily: Mas nós somos! O fato de eu não querer dizer com quem eu estava até agora não quer dizer que nós não somos amigas!
Selena: Não, Emily, me perdoa. Mas você e eu não vamos poder continuar sendo as mesmas. Porque duas amigas, como éramos você e eu, Emily.. não ficam mentindo! (sai do quarto)
Emily: Selena, espera, por favor!

 Continua.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Depois da Chuva - 85

“Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu, contemplar uma estrela e imaginar que muito distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: ‘Que Saudade’” — Bob Marley.

 Nick acaba de sair da casa de Gomez, mais decepcionado do que quando havia entrado. Estava impaciente naquele dia, não queria saber de conversas muito longas e principalmente frente a frente com Jayden. Para se azar, um carro se aproximava da entrada da casa enquanto saía e sua cabeça pesou quando viu jayden saindo do carro.

- Como está, Nick? - perguntou ele enquanto saía do carro. - Meu motorista me ligou e disse que você havia saído. Quero falar com você.

Nick suspirou, baixando os olhos.

- Olha, senhor... se é por causa daquele outro dia, eu já disse que sinto muito, mas...

- O que? - perguntou Jayden, erguendo as sobrancelhas.

- Já tive muitos problemas e...

- Pois então vou te dar um outro problema - falou Jayden, se encostando no carro. - Preciso de alguém que organize as coisas pra mim. A secretária não dá conta. Você quer trabalhar pra mim?

Nick piscou os olhos várias vezes, pasmo.

- É sério?! - perguntou, incrédulo.

- É claro! - respondeu Gomez. - Você quer?

Nick sorriu.

- Claro que sim! - respondeu. - Mas... acontece que... o problema...

- O que é? - perguntou Jayden.

- Como eu vou conseguir autorização da escola pra sair?

Jayden suspirou e se desencostou do carro.

- Eu tomei a liberdade de conversar com o diretor. Ele concordou em autorizar você a sair um dia por semana - respondeu ele enquando dava as chaves ao porteiro. - Além do fim de semana. É óbvio que o mérito é só seu. Prezaram suas boas notas e o seu bom comportamento.

Nick juntou as sobrancelhas, ao mesmo tempo maravilhado. Jayden fazia as coisas sem nem ao menos Nick descobrir, ele descobria coisas que Nick jamais pensava. Isso era bom, mas também muito ruim... ruim demais.

- Então... pode contar comigo, senhor Gomez - Nick abriu um grande sorriso.

- Tá bom - Jayden deu um sorrisinho. - Me chame de Jayden!

- Jayden... - Nick balbuciou. - Vai ser meio complicado no início.

Jayden deu de ombros.

- No início, depois acostuma - os dois riram.

- Bom... - começou Nick.

- Só tem um problema! - interrompeu Jayden.

Nick olhou pra ele, sério, esperando a resposta.

- Selena! - respondeu Jayden.

Ao ouvir o nome da garota, Nick sentiu embrulhos no estômago. Estava tão contente que seu plano havia progredido, agora estava cada vez mais perto de Jayden e de sua vingança, mas algo tinha que dar errado. Ou melhor, alguém. Se convivesse com Selena, iria ser uma guerra sem armas na certa. Os dois não se suportavam.

- Acho que ela não vai ficar feliz quando souber - falou Jayden.

Nick bufou, baixando os olhos. De maneira alguma poderia falar algo de mal de Selena na frente do pai. Teria que se mostrar um garoto bondoso na frente de Jayden, o mais bondoso e amável que poderia conseguir. Então, ele apenas concordava.

- É... - suspirou Nick, levantando a cabeça. - Senhor Gomez, não se preocupe... perdão, perdão! Jayden! - ele riu. - Com o trabalho, eu vou fazer com que ela mude de opinião.

Jayden bufou, tirando os óculos escuros.

- Por enquanto eu prefiro que ela não saiba da história - falou.

- Ok... - concordou Nick, em um sussurro.

- Eu acho muito inteligente o que acabou de dizer. Eu gosto de empregar pessoas que sabem resolver as situações que aparecem.

Nick abriu um enorme sorriso. Sentia-se orgulhoso dele mesmo naquele momento. Havia conseguido o que tinha batalhado a tempos. A vingança que pretendia jogar pra cima da família Gomez começava a avançar. Era tudo o que ele mais queria, e estava valendo a pena. Baixou os olhos e viu a mão de Jayden estendida a ele e, como um rompante, apertou aquelas mãos, em um ato de pura parceria.

- Muito obrigado - agradeceu Nick.

Jayden abriu um sorriso. Tinha se orgulhado daquele garoto em tão pouco tempo de convivência, havia se enturmado em seus pensamentos. Admirava a força de vontade do garoto, a força que ele tinha de ser alguém na vida. Mas Jayden jamais imaginava o propósito real de Nick. Ele não imaginava que Nick queria mesmo era destrui-lo, ele e toda a família pela morte do pai. Ele não imaginava a vingança. E Nick, todavia, mostrava um sorriso de puro veneno, olhando firmemente para os olhos de Jayden. O plano avançava, e o desejo de vingança de Nick se tornava mais e mais forte.


Demi e Madison caminhavam entre os arredores mais ostis do colégio, indo novamente áquele caminhão velho que se encontrava Samuel. Demi se lembrava muito bem da última vez que havia estado lá, e precisava tomar sérias decisões sobre isso. Dessa vez levava Madison pra ver se melhorava algo com aquela situação. As duas andavam pelas estradas de terra, sujando suas botas de uniforme e suavam com o sol quente.

- Não pode ser! - falava Demi enquanto as duas caminhavam. - Ainda mais com o trabalho que teve pra entrar no colégio. Na boa, o que deu na Miley? Quem botou essa ideia na cabeça dela?

- Ué, como eu vou saber? - disse Madison. - Eu não acho que o que eu disse tenha a ver com isso. E também não foi tão grave assim.

Madison suspirou ao lembrar das brigas contínuas que teve com Miley. Mas seus pensamentos foram barrados pelo grito que Demi dera, ao quase socar a barriga da amiga ao fazê-la parar no meio da estrada estreita. A frente, se encontrava um enorme cachorro, rosnando e rangendo os dentes.

Madison podia sentir a tremedeira de Demi ao seu lado.

- Calma aí, cachorrinho - falou Madison, calma. - O que está fazendo aqui?

O cachorro avançou ainda mais pra elas, rangendo os dentes e latindo.

- Calminha, calminha garoto, eu não to com medo! - gritou Madison.

- Espera, você ficou maluca? - gritou Demi, arregalando os olhos.

Em seguida, as garotas ouviram passos. Vários passos. E de imediato avistaram a sua frente homens de preto, homens enormes e sérios, correndo até o cachorro. Agarraram o cachorro com as próprias mãos e o colocaram em uma coleira enorme. Madison e Demi observaram muito bem quando Alexander Walker surgiu entre os homens, como se fosse um imperador.

Os olhos de Demi e Alex se encontraram, com bastante desgosto.

- Posso saber o que as duas fazem nesse terreno? - perguntou ele, fumando seu inseparável cigarro.

O sangue de Demi subiu só de ouvir a voz anasalada de Alex. A última conversa que tiveram não foi tão prazerosa assim.

- Imagino que o mesmo que o senhor, só que sem os cachorros - respondeu Demi, resgatando o tom de deboche. - Passeamos.

Alex de um sorriso cínico.

- Que resposta interessante... muito simpática - falou ele. - Nesse terreno não se pode passar. Isso é proibido.

- Hmm... - Demi deu um mega sorriso falso e cruzou os braços. - Nós duas não sabíamos, porque somos novas aqui. Não é verdade? - se virou pra Madison.

Alex se aproximou das garotas antes mesmo de Madison ter a chance de falar.

- Sabe porque trouxe esses cachorros? - perguntou Alex, dando uma tragada no cigarro. - Para provar que o meu filho não mentiu! Se ele disse que tem um menino por aqui, tem que estar escondido. Esses cachorros vão conseguir encontrá-lo!

Demi e Madison tremeram dos pés a cabeça. Agora não tinham resposta alguma a dar. Samuel estava escondido naquela região, e se o pegassem, seria o fim. Tudo acabaria. Demi se sentia um lixo por ter de ficar quieta a frente de Alex. Odiava aquele olhar astuto e cínico do político, odiava seu jeito de ordenar e de exigir. Até de pessoas que ele não tinha direito. E é claro, era frio. Sem coração.

- Soltem os cachorros! - ordenou ele.

Em meio segundo já podia se ver os cachorros correndo em alta velocidade pela estrada a frente e pelo matagal ao lado, latindo como famintos. Os seguranças corriam atrás, pra não se perderem ou perderem qualquer outro vestígio. Alex deu um sorriso diabólico a Demi e deu as costas, caminhando pela estrada, tragando seu cigarro sendo seguido pelos seus seguranças enormes.

Quando desapareceu de seu caminho, Demi podia jurar que quase chorava. Ela e Madison se olhavam aflitas, sem saber o que fazer.

- Ah não - sussurrou Madison.

Demi tapou a caneça com as mãos, desesperada.

- Se aquelas feras encontrarem o Samuel, não sei o que vão fazer! - gemeu.

- Não, não, não! - gritou Madison. - Nós temos que fazer alguma coisa, e rápido!

- Eu não consigo pensar em nada! - gritou Demi, seus olhos já começando a ficar lacrimejados.

- Pensar que nada, nós temos que agir e logo! Anda, Demi, vem! - gritou Madison, puxando pelo pulso de Demi e puxando a garota pela estrada.

- Mas espera, onde você vai?! - perguntou Demi, se soltando.

- Anda, corre! - gritou Madison, correndo a frente na estrada.

- Onde você vai? Menina, tá maluca? ONDE VOCÊ VAI? ME ESPERA! - berrou Demi, correndo atrás de Madison.


Chegando ao caminhão de Samuel, Demi e Madison olharam para os lados, percebendo que nenhum segurança do Walker ainda se encontrava naquele lugar. As duas saíram de trás dos arbustos ao ver que a área estava segura. Suas roupas estavam sujas e seus joelhos estavam completamente ralados. Demi havia prendido o cabelo e estava com um leve corte na mão enquanro Madison estava com leves cortes pelo rosto e um pior na testa. Estavam sujas e cansadas, mas não iriam desistir.

Após sair do esconderijo, as duas se aproximaram o mais rápido possível do caminhão, mas param de repente ao ver que um dos cachorros de Walker estava na porta do caminhão, vasculhando alguma coisa. A tremedeira de Demi havia voltado.

Madison bufou.

- EI! EI! FORA! - gritou Madison, avançando para o cachorro.

O cachorro se virou para Madison, e começou a latir. Ela pegou um pedaço de galho que havia encontrado no chão e começou a avançar para o cachorro novamente.

- FORA DAQUI!

Demi observava de longe quando tudo aconteceu. Madison tiçava o cachorro, ameçava com um pedaço de madeira. De repente, em um impacto, o cachorro saltou pra cima de Madison, a jogando no chão, subindo em cima da própria. Demi soltou um grito de horror e um grito de pavor. As lágrimas em seus olhos começavam a correr. O cachorro - que mais parecia um lobo enorme - arranhava Madison no rosto e nos braços. Sua camisa de uniforme já estava rasgada e o cão a arranhava e deu uma mordida em sua perna, enquanto Madison gemia de dor e gritava apavorada. "NAAAAAAAAAAAAAAAAO", Demi gritava, chorando. Se sentia incapacitada de fazer alguma coisa, se sentia incapacitada de ajudar. Parecia que não podia ajudar a amiga de modo algum.

E por fim, Madison estava deitada no chão, seu corpo sangrando.


No quarto de Selena, ela e as amigas se encontravam conversando sobre o mesmo assunto do almoço, das preocupações em sinal. Selena estava em seu notbook na escrivaninha, enquanto Emily se sentava na escada e Isabella na cama.

- Essa nova aparição da Seita me deixa grilada, eu tenho medo de que façam alguma coisa contra mim - comentou Emily, ainda intrigada com aquela história.

Isabella bufou.

- Tomara que façam alguma coisa. Mas contra a idiota da Demi!

- Ah meu Deus! - bufou Selena, se levantando da escrivaninha e se virando para Isabella, impaciente. - Como pode dizer isso depois do que fizeram com o seu namorado?

Isabella juntou as sobrancelhas, confusa.

- Você é a favor da Seita? - perguntou Selly.

- Não! - gritou Isabella, arregalando os olhos. - Mas essa menina merece isso. O Nick não!

Selena bufou, balançando a cabeça.

- Olha, esse grupo não seleciona as vítimas! Isso é pior do que cabelos brancos aos 30 anos, não deviam nem existir! - concluiu Selly.

- Mas não é só preto ou branco - falou Isa. - Também tem grisalho.

Selena olhou pra Isa, incrédula.

- Não acredito que você apoia essa monstruosidade, francamente!

Isabella suspirou, pegando um chocolate que estava em seu colo e o comendo.

- Tudo bem, desculpa - falou ela enquanto comia. - Mas é que eu não suporto essa imbecil da Demi, eu, eu... aff! Eu não suporto ela!

Selena suspirou, baixando os olhos e ajeitando os belos cabelos encaracolados. De repente as garotas ouvem batidas na porta.

- Vê quem é - falou Selena para Emily.

Emily correu até a porta, abrindo-a. Mas não encontrou ninguém.

- Não tem ninguém - disse ela, fechando a porta.

As garotas apertaram os olhos pra um bilhete no chão, logo na soleira da porta.

- Pega isso! - falou Selena, apontando para o papel.

Emily se abaixou e pegou, e logo abriu um grande sorriso.

- Diz que é pra Emily! - bradou ela. - Que sou eu.

- Ah, que bom - sorriu Selena. - Quem deve ser?

Emily abriu o envelope.

- Ain, é do Joe - respondeu Emily, fazendo biquinho.

- Ah, que romântico! - gritou Selena, sarcarsticamente.

Emily riu e caminhou até a escada.

- Meninas, eu tenho que tomar um banho!

- Ui, parece que vai ser um contato imediato - comentou Isabella, sorrindo.

- E bota imediato nisso! - gritou Emily e entrou no banheiro;




Madison já estava na enfermaria, acompanhada do senhor Walker e do diretor Ethan, que já havia sido avisado. Sua perna estava horrível: a doutora fazia um grande curativo na parte inicial de sua coxa. Demi também havia estado ali antes, mas apenas para fazer um curativo na testa, perto da sobrancelha.

- Tem que trocar o curativo todos os dias, e lavar a ferida - falava a doutora enquanto dava o toque final no curativo de Madison. - Se sentir incômodo no ferimento, por favor, tome um desses comprimidos a cada 6 horas - esticou uns remédios nas mãos de Madison.

- Claro - agradeceu Madison, pegando os remédios.

- Obrigado, doutora - agradeceu Alex, sorrindo.

- De nada.

- Meus cachorros estão vacinados - afirmou Walker, e se virou para Madison. - Por isso a senhorita não corre nenhum risco.

Madison o encarou, tremendo de fúria. Agora sim entendia o que Demi sentia ao ver o rosto do político.

- Ah sim, o único risco que eu corro é que da próxima vez me arranquem um pedaço da perna, não é? - falou a garota, debochada. - Não é possível que ajam cachorros assassinos na escola! Ou então, sei lá... - virou-se para Ethan. - Eu posso ligar pra algum amigo jornalista, como me aconselhou minha amiga Demi!

Ethan e Alex se encararam, muito ferozmente. Os dois agora ficavam tensos. Apesar de tentar acabar com tudo, sabiam muito bem do que Demi era capaz. E se não era capaz de fazer, sabiam do que ela podia fazer pra mandar alguém (ou simplesmente insinuar).

Teriam que trabalhar bastante pra pelo menos dar um jeito em Madison, ou quem sabe em Demi mesmo.

- Olha - disse Ethan, rindo forçado. - Mantenha a calma, filha. Como responsável do colégio, eu vou cuidar diretamente desse assunto. Além disso, o senhor Walker já retirou os cachorros.

- Mas é claro - confirmou Alex. - É claro que sim. Eu não vou expor mais nenhum aluno a uma situação de risco.

Madison olhava de Alex para Ethan. Dois cúmplices, duas pessoas de puro veneno. Quem não conseguia ver ou enxergar isso? Os dois sorriam forçado um para o outro, mas Madison entendia o que eles queriam dizer. Se ela mexesse um dedo na situação, os dois caíam.

- Hmm, posso acompanhar o senhor? - perguntou Ethan á Alex, um sinal de que precisavam sair daquela sala imediatamente.

Alex olhou para Madison, e afagou o seu cabelo por alguns instantes.

- Com licença - pediu ele, e se afastou com Ethan para fora da sala.




- O senhor sabe, não é? - sussurrou Ethan ao senhor Walker, quando já estavam fora da sala. - É um assunto delicado, e se isso tivesse acontecido com outro tipo de aluna, o colégio poderia ter enfrentado um processo. Por isso, bom... é... eu gostaria que... se fosse possível...

- Sim, sim - interrompeu Alex, acendendo um cigarro. - Eu entendo perfeitamente. E esse menino?

O diretor juntou as sobrancelhas, quase gelando. Tinha medo das palavras de Alex, do que poderia mandar ou exigir. Ethan sabia muito bem que Alex se referia ao desconhecido Samuel.

- Se o meu filho disse que tem um menino, é porque está em algum lugar - afirmou Alex, dando uma tragada em seu cigarro. Ethan começava a hesitar. - Alguém está escondendo ele, não acha?

Ethan bufou, tentando encontrar as palavras.

- Hmm, eu vou cuidar pessoal para que ele apareça - falou ele, dando um sorriso amarelo. - E quanto á Demi, não se preocupe, eu vou falar com ela. Fique tranquilo. Ficará tudo sobre a minha responsabilidade.

O senhor Alex deu um grande sorriso, o máximo que podia dar que era sem mostrar os dentes. Depois, deu mais uma tragada em seu cigarro, o final, e o jogou no lixo ao lado, se retirando de perto de Ethan, saindo da enfermaria. Ethan bufou, quase suando frio. Estava metido nisso, estava macumulado com Walker, agora já não tinha mais pra onde correr.




No salão de Olívia, sua sobrinha Miley já havia chegado. Olívia fazia as unhas de uma mulher, enquanto Miley voltava de sua casa, se sentando ao lado dela.

- Pronto, a Abigail já está dormindo que nem um anjinho - falou Miley, sorrindo. - Como é bom sentir o cheiro do salão de novo!

Olívia riu.

- Depois de passar 20 anos, de pé 12 horas por dia, você vai ter enjoô - disse ela.

- Ah, mas eu gosto muito desse trabalho - sorriu Miley. - A gente deixa as pessoas bonitas, elas ficam contentes.

- Prontinho! - disse Olívia á mulher que acabara de fazer as unhas.

A mulher sorriu, se levantando.

- Você deve ter troco - falou ela.

- Eu recebo pra senhora, venha por aqui - disse Miley, indo até o caixa, sendo seguida pela mulher.

Miley foi pra trás do caixa.

- Ah, Miley... você tem um coração de ouro - disse a mulher, abrindo a bolsa, pegando uma nota altíssima de dinheiro e estendendo á Miley. - Cuide dele. Não deixe ninguém roubá-lo!

Miley olhou confusa para a mulher, e a olhou se despedir de todas no salão e saindo pela porta da frente. Miley olhou para a nota em suas mãos e ficou confusa. Depois, guardou o dinheiro em seu bolso e foi até sua Olívia, dando um beijo em seu rosto.

- Como é bom estar em casa outra vez - disse ela, sorrindo.

Olívia permaneceu séria.

- Essa não é a sua casa! - falou ela, desviando os olhos de Miley. - Sua casa é aqui ao lado! Onde sua mãe não sabe diferenciar a filha doente da saudável, onde você vai passar os melhores anos entre médicos e remédios... onde provavelmente vão acabar atrofiando parte da sua capacidade, como sua vida.

Miley ficou estática, apenas olhando Olívia se levantar e andar pelo salão. Agora o estabelecimento se encontrava vazio. Olívia mantinha os olhos marejados, e Miley balançava a cabeça. Sabia que a tia não concordava de Miley querer cuidar para sempre de sua irmã, e esquecer de seu futuro, de ter um bom estudo.

- Você nunca tinha falado assim - disse Miley.

- Não - concordou Olívia. - Nunca tinha sentido tanta dor nos pés e nos ossos.

Foi aí que Miley percebeu. Olhou de sua tia de cima a baixo e percebeu que ela já não era a mesma que a tinha visitado no Upper East. Seus cabelos, que antes eram sedosos e cuidados, estavam desgastados, maltratados. Ela mancava, aparentemente com muita dor, e agora se encaminhava á porta. Miley ficou sem reação. Não sabia daquilo. A tia estava doente, era fato. E agora mais um peso pesava em suas costas. Passou a vida inteira ouvindo da tia que não devia gastar sua vida cuidando de sua irmãzinha doente, e agora quem se encontrava nessa situação era ela mesma. E Miley, como sempre, estava saudável!

Seus olhos começaram a lacrimejarem, em um ato de peso. Correu até a mesinha de cabeceira mais próxima, ao retrato de Abigail.

- Qual é o meu lugar, Abigail? - disse ela ao retrato, as lágrimas começando a surgir. - Qual? Se não é aqui e nem no colégio, não tem lugar pra mim!

Olívia ouvia Miley, as lágrimas correndo desesperadamente, e um misto de sentimentos horríveis se passavam dentro de si.




Continua.

domingo, 14 de outubro de 2012

Depois da Chuva - 84

 “Se te criticam é porque você é alguém.” — Emma Watson.


  Em seguida, os garotos seguiram rapidamente para o quarto de Nick, alguns até fazendo brincadeiras, mas nem imaginando o grau da situação. Abrindo a porta, se depararam com uma bagunça tremenda entre os livros de Nick, todos jogados pelo chão, rasgados e espalhados. Um silêncio mortal reinou ali naquele momento.
 Nick caminhou até a cama em silêncio, sério, enquanto os outros garotos ficaram parados no mesmo lugar, grudados na soleira da porta, apavorados. Nick olhou atentamente para a pedra de seu pai e a corrente de prata no chão, que não havia usado ela naquele dia. Ele suspirava enquanto observava a cena, achando realmente que aquela Seita não estava de brincadeira.
 Em seguida, ele se virou para os garotos na porta:
 - Alguém pode me explicar isso? - perguntou ele.
 Os garotos permaneceram em silêncio constante, enquanto Aiden dava passos lentos para Nick, observando a cena.
 - Eu tô falando, alguém pode me explicar isso?! - berrou Nick, apontando para a bagunça.
 Novamente os garotos reinaram no silêncio, deixando Nick ainda mais furioso. O mesmo virou-se para a cama, bufando de raiva.
 - Não é possível isso... - murmurava ele. - Não é possível!
 - Fica frio, Nick, de repente foi alguém que não gosta de você - falou Aiden, se aproximando do amigo. - Fica calmo, não fica assim.
 Um dos garotos se aproximou da cama de Nick, tentando avaliar a situação de perto. Se aproximando da cama, ele observou um pedaço de cartolina dobrada preta, o que era muito estranho, para todos. O garoto de cabelo espetado e magrelo pegou o papel nas mãos, e todos voltaram a sua atenção a ele.
 - O que é isso aí? - perguntou Nick.
 O garoto levantou os olhos para olhar Nick e seus olhos estavam arregalados, apavorados, estáticos. Nick juntou as sobrancelhas... estava completamente confuso. O garoto não disse nada: suas mãos tremiam. Ele apenas virou o pedaço de cartolina nas mãos para Nick para mostrar o desenho que ali continha: o mesmo desenho do papel que Josh o havia entregado, a mesma marca da mão, a mão negra. Quando olhos bateram naquele desenho, todo ser que ali estava ficaram com o coração a mil, apavorados, com medo, muito medo.
 - Você é o escolhido - disse o garoto, tremendo.
 Nick rapidamente juntou as sobrancelhas, pegando o papel das mãos do garoto e olhando o desenho.
 - Escolhido de quê? - perguntou, furioso.
 Um garoto baixinho e gordo, que estava quase chorando de medo, respondeu:
 - Da Seita!
 Nick acolheu aquelas palavras, quase explodindo de fúria. De novo aquele assunto da Seita, de novo esse povo tentando botar medo nele por causa de um "boato" na opinião dele. Nick sentia raiva daquele povo por estarem com medo de uma coisa tão fútil, como ele pensava.
 - Daqui ninguém vai me expulsar! - disse Nick, cerrando os dentes. - NINGUÉM!
 Logo, Nick já corria pra fora do quarto, com o desenho na mão. Esava apressado e furioso. "NÃO, NICK!", gritou Aiden, apavorado, correndo atrás do amigo pelos corredores. "ESPERA, NICK!"

 - Não insista, Nick. Essa história de Seita não existe, isso é invenção - dizia o diretor Ethan enquanto ia pra sua sala, seguido pelo aluno.
 -  Quer que eu mostre como deixaram o meu quarto? - falou Nick, parecendo desesperado.
 Os dois chegaram a sala do diretor, e Ethan não estava mais aguentando as ladainhas que Nick contava, a história que havia acabado de narrar. Ethan bufou, se virando para o garoto ainda na porta.
 - Eu não disse que não tinha acontecido o que você me contou, eu me refiro aos responsáveis - o diretor deu de ombros. - Pra mim foi só uma brincadeira, ou uma vingança. Você fez algum bom amigo?
 Ethan não esperou o garoto responder e se preparou para fechar a porta na cara de Nick, mas o garoto colocou o pé na soleira prontamente, olhando para o diretor com perplexidade, como se fosse um monstro - o qual já julgava ser.
 - Fiz, fiz muitos amigos - respondeu Nick. - Mas olha só - ele remexeu em seu bolso, estendendo o desenho da mão negra para o diretor. - Os que fazem brincadeiras não deixam isso!
 O diretor bufou, olhando entediado para o papel.
 - Calma, Nick. Tudo isso faz parte do folclore, esquece o assunto! - falou o diretor, impaciente.
 Mais uma vez, Ethan tentou fechar a porta na cara de Nick, mas o mesmo novamente a empurrou.
 - Espera aí! - disse ele. - Quer dizer que não vai fazer nada?
 - Essas brincadeiras de mau gosto são muito comuns em colégios internos - respondeu o diretor, bufando.
 - Tudo bem, então digamos que não foi a Seita, pode ser outra pessoa, então o senhor poderia procurar o responsável.
 Ethan riu.
 - Nesse tipo de atitude, é muito difícil identificar os responsáveis.
 Nick passou as mãos nos cabelos, impaciente.
 - Tudo bem, então o senhor poderia tentar! - insistiu Nick.
 O diretor rolou os olhos. Queria Nick longe dali.
 - Está bem - deu um sorriso forçado. - Vou fazer o possível. Mudando de assunto, você tem uma autorização para se retirar, e pode sair a hora que quiser. Agora, se me permite... dá pra tirar o pé? - apontou para o pé de Nick na soleira da porta, ainda a segurando. - Tira o pé!
 Nick se afastou lentamente da porta, logo em seguida dando de cara com ela, pelo fato de Ethan ter fechado em sua cara. Nick bufou.

 No almoço, os alunos conversavam animadamente no gigantesco refeitório, principalmente na mesa de Selena, onde o assunto do momento era o trabalho de Demi. Mas não durou por muito tempo...
 - Selena! - gritou um garoto, se aproximando da mesa de Selena (onde se encontrava Isabella, Emily e Natalie).
 - Oi, Selena! - gritou o garoto gordinho que estava com Nick a poucos minutos atrás.
 - Toma! - disse o primeiro garoto, postando um grande prato de macarronada em frente a Selena.
 - Oi... é pra mim? - perguntou ela.
 - É - respondeu ele, sem graça.
 - Ah, obrigada!
 E em um rompante o garoto gordinho roubou um beijinho no rosto de Selena, fazendo o outro o olhar com certa raiva. Se despediram e saíram de perto de Selena, aos sussurros.
 As garotas na mesa riram com a cena.
 - Ah, eu to super preocupada - falou Isa, largando o livro que lia.
 - Ai, eu também - respondeu Emily. - É que com essa Seita... a gente nunca sabe o que fazer!
 - Fica fria! - disse Selly, pegando uma batata frita.
 E passando atrás da mesa de Selena:
 - Ah, esse povinho é muito hipócrita! - comentava Demi enquanto caminhava com Madison para uma mesa, a qual se encontrava ao lado da mesa de Selena. Guerra? - Não é possível, eles admitem bolsistas, mas calculam o material conforme a variação da bolsa, sei lá - disse enquanto se sentava.
 Isabella olhou de relance para Demi enquanto ela e Madison se sentavam, logo ao lado. Demi falava alto, que por um momento, todas na mesa de Selena pararam para ouvir.
 - Porque essa caminhoneira não cala a boca? - reclamou Selena, olhando para Natalie e Emily.
 Depois de 5 minutos, na mesa de Demi já se encontravam sentados Josh e Aiden, com o assunto polêmico sobre Nick.
 - Nick não vai poder comprar todas as coisas que destruiram - comentou Josh, se levantando, ficando ao lado de Demi.
 Demi bufou.
 - Por isso temos que pensar em alguma coisa pra ajudá-lo!
 - O Nick? - perguntou Aiden.
 Os ouvidos de Isabella se aguçaram ao ouvir o nome do garoto. Em um momento de espanto, se virou para a mesa de Demi.
 - Pois é - concordou Madison á pergunta de Aiden.
 - Nem á força ele aceitaria algum tipo de ajuda - disse Aiden.
 Demi riu irônicamente.
 - Mas que garoto bobo...
 - Não, na verdade é orgulhoso. O que temos que fazer é encontrar alguma maneira de solucionar alguma coisa...
 Aiden foi subitamente interrompido por Isabella, que havia se levantado.
 - A primeira coisa que deviam ter feito era perguntar se a namorada dele pode ajudar em alguma coisa! - gritou Isabella, cruzando os braços, encarando todos os rostos ali.
 Todos da mesa a olharam, surpresos e assustados.
 - Ih, quem abriu a porteira?! - gritou Demi, arregalando os olhos. - As vacas estão fugindo!
 Como era esperado, o restante da mesa riu, ao ver a piadinha de Demi contra Isabella.
 - Tem muita graça, idiota! - falou Isabella, encarando Demi, se aproximando mais da garota, que estava sentada.
 Demi riu.
 - Espera, quem convidou você pra essa reunião? - perguntou Demi, debochando.
 - O Nick pode até ser seu colega de dança, mas é meu namorado. Ouviu? Meu namorado! - destacou Isabella.
 Demi revirou os olhos, entediada.
 - Então não se preocupem, ok? Porque vou ajudar ele no que ele quiser! - completou.
 Demi gargalhou, e se levantou da mesa, encarando Isabella.
 - Jura? - levantou as sobrancelhas. - Olha, já terminou? Porque nós temos que continuar a nossa conversa.
 - Em vez de se preocupar com o namorado das outras, devia se preocupar com os seus piolhos! - gritou Isabella, dando um risinho.
 Demi gargalhou, dando um enorme sorriso.
 - Nunca tivemos uma piolhenta como você no colégio! - continuou Isa.
 - É sério? - falou Demi, sorrindo. - Ah, que triste! Olha, como eu tenho de sobra... - ela remexeu nos enormes cabelos negros - eu te dou um! Mas não come, ok? - ela fez gestos, como se estivesse jogando um piolho nos seios de Isabella.
 Isa a olhou séria. Sentia um ódio tremendo pela garota.
 - Já chega, gente. Chega! - disse Madison, com a cabeça entre as mãos. - É melhor a gente pensar em como ajudar o Nick, na boa.
 Demi suspirou.
 - Tive uma ideia - falou. - Mas primeiro vamos embora, porque aqui tá meio cheio - encarou Isa pelo canto do olho e deu as costas, saindo do refeitório.
 - É, vamos embora - concordou Madison, se levantando, junto com Aiden.
 - Acho que as baleias estão fugindo do mar - comentou Demi enquanto se retirava.

 Miley havia conseguido uma autorização pra sair e se encontrava no quarto, fazendo suas malas, quando ouviu um barulho vindo da janela. Olhou e viu que era Samuel, pequenino entrando no quarto e correndo até a cama.
 - O que está fazendo aqui?! - Miley arregalou os enormes olhos azuis, enquanto corria até a porta, trancando-a.
 Em seguida, voltou-se para a cama.
 - Samuel, se virem você vão expulsar a Demi, se esconde!
 Samuel olhou para a mala de Miley.
 - Você vai embora? - perguntou, ignorando a pergunta da garota.
 Miley hesitou.
 - Não - respondeu, pegando a mala e a colocando no chão. - Mas isso não é problema seu. Tá se comportando muito mal.
 Samuel se levantou, e correu até a cama mais próxima, se deitando nela.
 - Você avisou a suas amigas? - perguntou ele.
 Miley bufou.
 - Olha, Samuel, eu tenho permissão pra sair. Mas amanhã eu tenho que estar aqui de volta - respondeu ela.
 - Então porque está levando todas essas coisas?
 - Ah, isso não interessa! - irritou-se Miley. - Anda logo, se esconde naquele lugar onde você estava, anda!
 Rapidamente, Miley pegou nas mãozinhas de Samuel, o puxando de volta a janela. Mas, como era teimoso, soltou suas mãos da de Miley e se sentou na cama de volta.
 - Vai logo, se não vão expulsar a Demi! - falou ela. - Por favor!
 Samuel revirou os olhos, suspirando.
 - Está bem, eu já volto - ele ficou de pé na cama, estendendo os braços para Miley.
 - Vem cá - Miley suspirou, pegando o garotinho no colo. - Eu gosto muito de você - tascou um beijinho no rosto do garoto.
 - Eu também gosto muito de você - completou Samuel.
 - Mesmo que você tenha me passado piolhos - riu Miley.
 - Eu também gosto muito de você, você é gente boa... posso te dar um beijo? - perguntou ele, ainda no colo da garota.
 - É claro - sussurrou Miley, recebendo vários beijos no rosto.
 - Me leva de cavalinho até a janela? - pediu ele.
 Miley riu e se virou de costas, colocando o garoto de volta na cama. Ele subiu em suas costas e os dois seguiram até a janela, com Miley fazendo várias brincadeiras e os dois rindo.
 - Tchau! - despediu-se Samuel, dando um beijo no rosto de Miley.
 - Comporte-se!
 Samuel desceu a grande sacada e correu pelos campos verdes, se escondendo ao máximo. E já era de se esperar que o rosto de Miley se enchesse de ternura e carinho e as lágrimas começassem a correr. Lembrava-se muito de Abigail, a irmãzinha que havia deixado, e morria de saudades. Olhar para Samuel voltava as lembranças, o garoto tinha a mesma idade que Abigail. Tão esperto e tão aventureiro, era um garoto de ouro, assim como sua irmã. Sentia um afeto inexplicável pelo garoto, e sofria de preocupação com ele. Mas sabia que tudo iria ficar bem. Ou era assim que suas esperanças gritavam por dentro.

 Nick havia decidido sair do colégio naquele mesmo momento, não aguentava mais tantos problemas o rondando. Vestiu-se e caminhou até a casa de Jayden Gomez, o qual já o esperava. Depois de um tempo, já estava sentado em seu escritório.
 - Muito obrigado, não devia ter se incomodado - agradeceu Nick á William, que havia aparecido com uma boa bandeja de chá.
 - O senhor Gomez não deve demorar - falou William. - Ele teve que ir a uma reunião com os fornecedores, muito urgente - ele se sentou em frente a Nick, na cadeira de Jayden.
 Nick suspirou, impaciente.
 - Escuta senhor, pode dizer ao senhor Gomez que eu ligo depois? É que agora eu estou com a cabeça em outro lugar e... é melhor eu voltar outro dia!
 Nick pegou sua mochila e se levantou.
 - Por favor! - repreendeu William, fazendo Nick se virar. - Por favor, sente-se! Sente-se!
 Nick se sentou de volta, largando a mochila no chão.
 - Você está bem? - perguntou Will.
 Nick piscou os olhos várias vezes.
 - Porque a pergunta? - perguntou.
 - Porque... parece tenso - respondeu Will.
 - É... - começou Nick. - Eu to com um mal estar no estômago, mas não é nada grave.
 Will apertou os olhos.
 - Hmm... - disse ele, desconfiado.
 - Pois é... - revirou os olhos. - Por favor, peça ao senhor Gomez que me desculpe.
 William suspirou, desistindo de insistir.
 - Tudo bem, pois não - concordou.
 - Obrigado pelo suco - agradeceu Nick, se levantando, pegando sua mochila novamente.
 - De nada.
 - Vou deixar lá na cozinha - sorriu Nick.
 William observava Nick enquanto o mesmo saía do escritório. Quem era aquele garoto? Cabelos cacheados, alto, malhado, brinco nas orelhas, transversal, piercing e tatuagem. Um anel de prata na mão direita e uma pulseira desgastada. Usava uma blusa branca apertada em seus grandes braços e um jeans preto, que caía a ponto de ver um pedaço da cueca preta e um tênis da Nike. Um garoto bonito, de fato. Muito bonito. Mas intrigava aos olhos de William. E se fazia a mesma pergunta: quem era aquele garoto?

Continua.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Depois da Chuva - 83

 “Feche os olhos e pense em um lugar. Agora pense em uma pessoa. Se você demorar pra pensar em alguém, você se sente só. Se você sentir uma dorzinha no coração, você sente saudades. E se você pensar, quase que instantaneamente, em alguém, você sente amor.” — Querido John.


  Na sala do diretor após a aula, Ethan conversava com o senhor Walker.
 - O professor John estudou no exterior e é um dos melhores na matéria - explicou o diretor, se sentando em sua cadeira.
 Alexander ergueu os olhos para Ethan por cima da xícara de café, com o olhar sério e piedoso. Baixou a xícara sobre a mesa e encarou o diretor.
 - É um incompetente - disse Alex. - É isso que ele é. Como permitiu que ela lesse aquela porcaria na aula? - se referiu á Demi.
 Ethan balançou a cabeça, dando um sorriso forçado.
 - Senhor, é um professor novo, e eu tenho certeza que ele não sabia do conteúdo daquele trabalho e nem quem é o senhor - concluiu.
 Alex juntou as sobrancelhas, olhando pra Ethan como se fosse louco. Depois, se ajeitou na cadeira, suspirando.
 - O que ele fez é imperdoável - falou. - Assim como aquela menina sem respeito. Quem é essa menina? Eu quero saber o nome dela.
 Ethan ficou sério, abaixando por alguns segundos a cabeça. Demi não tinha lá uma boa fama naquela escola, e aparentemente o senhor walker não se lembrava de que já a conhecia. Na verdade, se conheceram durante uma briga muito oculta que ela estava tendo com Joe, mas não se lembrava disso.
 Por fim, o diretor bufou e disse:
 - Ela é filha da...
 - Pai!
 Joe entrou na sala, ultrapassando os seguranças da porta. Alexander apenas se virou para o filho, ainda sentado na cadeira, com o rosto de extremo desprezo.
 - Você é o culpado de tudo - apontou para Joe. - Porque você pediu pra ler aquilo na minha frente? Parece que você é o meu pior inimigo e não o meu filho.
 Ethan observou enquanto Joe se abaixou até ficar no tamanho do pai, que estava sentado na cadeira.
 - Pai, é sério, me perdoa - pediu Joe, os olhos piedosos. - Juro que não sabia o que dizia naquele trabalho. Além disso pensei que ela não teria coragem de ler na sua frente, eu juro.
 Alex balançou a cabeça, olhando pra Joe com nojo. Ele não via como Joe se humilhava a seus pés, e queria mais. Balançava a cabeça com forte negação.
 - Era só o que me faltava - disse ele, e bufou. - Ainda por cima isso acontecer por uma bobagem sua. Isso é o que me revolta mais. Levante-se!
 Joe se levantou, ainda de cabeça baixa. Nada poderia descrever a tristeza e a humilhação que ele sentia naquele momento.
 - O filho do secretário é um perfeito... - continuou Walker, olhando pra Joe com desprezo. - como eu vou dizer... IDIOTA!
 Joe engoliu em seco, com a cabeça baixa. Ethan suspirou, pronto pra falar.
 - Ah, deixa isso pra lá, senhor - disse o diretor, tentando abafar a situação. - Vai ver como logo todo mundo vai esquecer essa história ridícula e que...
 - Você não entende de política, diretor - interrompeu Alex, mais sério. - Se essas coisas forem ignoradas, depois se forma uma bola de neve impossível de parar.
 Ethan abriu e fechou os olhos várias vezes, juntando as sobrancelhas, mais confuso do que nunca.
 - O que? - perguntou, encostando os cotovelos na mesa. - O que quer dizer com isso, senhor?
 Alex bufou, baixando os olhos.
 - Temos que enfrentar isso - respondeu. - Quando ainda está em tempo. Me diga agora o nome dessa aluna!
 Uma onda de medo de preocupação subiu sobre o corpo de Ethan. Ele sentiu suas mãos tremerem e sua língua começar a travar. Ele balançou sua cabeça, tentando pensar em algo para livrar Demi. Tudo bem que ele não gostava da garota e muito menos queria defendê-la, mas ele sabia e muito bem do que Alex era capaz. Ele sabia muito bem o que ele poderia fazer quando ficava com raiva de uma pessoa, e como sabia.
 - Por favor, senhor, deixe esse assunto comigo - pediu Ethan, baixando os olhos. - Eu garanto que não vai ter nenhum...
 - Não! - interrompeu Alex. - De maneira alguma. É a mim que estão devendo uma explicação.
 Ethan chegava a quase suar frio. Ele não podia combater com Alex, de jeito nenhum. E ele não fazia ideia do que ele pretendia fazer com Demi.

 "DEMI, DEMI, DEMI!", era o que os alunos gritavam em uma parte do refeitório naquele momento, principalmente Madison, que estava mais feliz do que nunca. Demi estava em cima da mesa, como se estivesse recebendo algum "prêmio" e sorria para as mais ou menos 7 pessoas que a aplaudiam, entre elas Nick. Os alunos sorriam.
 - Você abusou, Demi, você deu o maior banho, que beleza! - gritou Aiden, animado.
 Demi sorriu.
 - Pior que se não fosse pelo professor, eu não teria tido coragem - falou ela.
 - Independente disso você estava genial, parabéns! - falou Nick, sorrindo.
 - Obrigada, meu povo! - gritou ela.
 Eles conversaram animadamente, enquanto Demi ainda se mantinha firme no "topo", que era em cima da mesa. Madison comemorava e conversava animadamente com Aiden e as outras pessoas que ali se mantinham, parabenizando Demi pelo ótimo trabalho.
 De repente, uns homens de preto, que eram bem lembrados por Demi pelos "gorilas do Walker", apareceram no refeitório, indo direto a Demi, que sorria com os amigos.
 - Senhorita Demi? - apontou um deles para Demi ao se aproximarem.
 Demi juntou as sobrancelhas.
 - Sou eu - respondeu ela.
 Sem mais palavras, o seguranças puxaram seu braço e a puxaram para fora da mesa com brutalidade.
 - Que isso! - gritou a garota, agora presa nos braços do seguranças, que a arrastavam.
 - Demi! - gritou Madison.
 - Me larga, o que é isso?! - gritou Demi.
 A garota parou de gritar quando os mesmos seguranças pararam, ainda no meio do refeitório, na frente de Alexander Walker, que olhava pra Demi sem nenhuma expressão. A garota fechou a boca, enquanto sentia um frio se passar por sua espinha.
 - Senhorita Lovato - disse Alex -, quero falar com a senhorita. Venha comigo a sala do diretor.
 Alexander deu as costas para caminhar, e Demi não sabia o que dizer. Nada poderia descrever o medo que estava sentindo naquele momento. Tinha uma expectativa muito ruim do que poderia acontecer, e não imaginava coisas boas.
 - Agora não dá! - falou ela, e Alex se virou novamente. - Agora eu... tenho outra aula!
 Alex olhou a garota, com um olhar que nem comentamos. Demi nunca deixara abaixar a cabeça pra nenhuma pessoa, mas o senhor Walker dava arrepios em Demi. Só de olhá-lo já causava muito medo nela.
 - Venha comigo a sala do diretor - repetiu Alex. - Anda logo!
 O coração de Demi se acelerou. Por um instante, havia se arrependido por ter dado uma de esperta e ter lido aquele trabalho na frente do político. Demi bufou e se soltou dos seguranças, "me larga!" e saiu andando na frente deles, com o coração a mil.
 Madison e os outros observavam, com muita atenção e muita preocupação. Madison estava a ponto de sair correndo e puxar Demi deles, mas o mesmo medo que Alex causava em Demi, Madison sentia a mesma coisa, o mesmo receio, o mesmo medo. Nick balançava a cabeça, completamente estupefato.
 - Caramba, Aiden, não vacila, esse cara vai pegar ela! - gritou Nick, apontando para Alex.
 Aiden não sabia o que dizer, seu queixo tremia.
 - Ta, mas o que podemos fazer? Não inventa - sussurrou Aiden, assustado.
 - Eu não sei - respondeu Nick. - No mínimo temos que ficar junto com ela, por via das dúvidas.
 - Calma, não vai dar em nada...

 Demi havia se sentado em uma das poltronas brancas da sala do diretor. Suas pernas tremiam tanto que mal aguentava ficar de pé. Os seguranças a encaravam, e o pior de tudo era que Alex a encarava ferozmente, enquanto se sentava em uma cadeira em sua frente. Demi estava indefesa e ela odiava se sentir assim.
 - Sabe de uma coisa? - começou Alex. - Eu jamais gostei das historinhas. Eu não entendo - ele ergueu as sobrancelhas e se encostou na cadeira. - Já que você entende disso, gostaria que me explicasse o que você quis dizer.
 Demi olhou em volta, tentando pensar em algo. Sua cabeça girava tanto que ela se sentia incapaz de falar alguma coisa, parecia que as palavras não iam sair. Ela abaixava a cabeça constantemente.
 - Não me sinto em condições de explicar nada - respondeu ela, com os olhos baixos.
 Alex se levantou, jogando o cigarro que fumava na lixeira. Em seguida, olhou para os seguranças.
 - Saiam - ordenou a eles.
 Os seguranças saíram da sala, fechando a porta. A onda de medo em Demi agora se tornava um furacão. Era só ela e ele agora na sala, enquanto ele se sentava em seu lado na poltrona branca.
 - Vamos ver - começou ele. - Porque você não tenta?
 Demi baixou os olhos, mordendo os lábios, tentando pensar em algo.
 - Olha, eu agradeço por me chamar de expert - começou ela -, mas eu sou apenas uma principiante.
 Alex riu irônicamente, enquanto encarava a garota, que não virava o rosto.
 - Por favor - disse ele. - Não seja modesta. Não se faça de boba. Parecia tão segura lá.
 Demi olhou para o homem a seu lado, agora soltando uma risada baixa.
 - Vem cá, qual foi a parte que não entendeu? - perguntou.
 - Aquele tom debochado... que falava do meu filho e de mim - respondeu ele. - Estava soando como uma acusação. - ele suspirou, se aproximando mais do rosto de Demi, que não se mexia. - Se você é tão corajosa, explique. Fale diretamente.
 Demi estava com a respiração cortada, não sabendo as palavras que saíriam de sua boca se aquele homem se aproximasse mais uma vez dela. Ela suspirou, tentando se acalmar. Parecia que não ia conseguir. Baixou seus olhos mais uma vez, estava quase suando frio. Bufou fortemente e disse:
 - Olha só, eu escrevi sobre o que eu vi. E goste ou não o seu filho faz coisas graves - Demi encarou o político. - E sempre sai são e salvo - dá de ombros.
 - Coisas? - perguntou ele, juntando as sobrancelhas. - Que coisas? Me diga que coisas. Seja mais precisa.
 Demi levantou as sobrancelhas, revirando os olhos. Agora que começou terminaria. Era o jeito. Já não estava mais tão nervosa.
 - Então, ele bateu dirigindo na contra-mão e depois fugiu do clube, e se meteu numa briga em que quem acabou preso foi outro - ela ergueu as sobrancelhas, como se fosse óbvio.
 - O outro era um criminoso, pelo que eu entendi - afirmou Alex.
 Demi olhou com desdém para o pai de Joe, agora com um leve embrulho no estômago. Tinha nojo daquela gente.
 - Ah é? - disse ela, irônica. - O senhor se deu ao trabalho de investigar? Sabe se ele se comportou assim por necessidade ou por vontade?
 Alex deu de ombros.
 - Isso não muda nada - respondeu ele. - Não deixa de ser um criminoso.
 Demi balançou a cabeça, agora realmente indignada enquanto se levantava do sofá branco.
 - Isso é a sua opinião - disse ela, de pé, se segurando para sua raiva não aumentar. - O senhor se deu ao trabalho de investigar se esse criminoso era responsável por alguém?
 Alex juntou as sobrancelhas, confuso, enquanto estendia seus braços no sofá, acendendo mais um cigarro, o que causou náuseas em Demi.
 - Mas o que é isso? - perguntou ele. - É um interrogatório?
 Demi riu falsamente.
 - O senhor gosta de perguntar, mas não gosta de responder, não é?
 - Olha só - Alex se levantou, aproximando-se novamente da garota. - Eu escutei alguma coisa sobre um irmão menor que parece que desapareceu.
 O rosto de Demi ficou pálido e a mesma abaixou o rosto imediatamente. Seu coração se acelerou como nunca; será que ele desconfiava de Samuel?
 - Que coincidência, não é verdade? - continuou Alex, pressionando. - O meu filho foi atacado por um menino de rua no colégio, e você está envolvida.
 Demi bufou, revirando os olhos. Fazia de tudo pra não mostrar seu rosto apavorado e agoniado ao político naquele momento, pois sabia muito bem que todos percebiam o que sentia. Deu uma risada abafada.
 - Sabe o que é? Seu filho ás vezes faz acusações que não pode provar, inclusive inventou que eu roubei uma carteira - ela sorriu cinicamente.
 Alex balançou a cabeça.
 - Deve ter sido um mal entendido - disse ele.
 - É, talvez - concordou ela. - Mas ele não queria me pedir desculpas e ninguém do colégio fez nada. Claro, deve ser porque o diretor estava ocupado experimentando o carrinho novo, não é?
 Demi bufou, arregalando os olhos, agora perto do homem. Sua mente processava o que havia acabado de falar e percebera que foi uma coisa grave. Se afastou rapidamente dele, olhando sua expressão: olhava pra garota sério, sem expressão, com o cigarro soltando fumaça entre os dedos.
 - Eu prefiro pensar que você fala com ingenuidade, na sua idade - disse ele. - Eu vou dizer uma coisa: vão encontrar esse menino, e você vai ser expulsa! - afirmou, apontando o dedo para Demi.
 O coração de Demi se apertou novamente, olhando do dedo apontado ao rosto do secretário. Sua fúria subia naquele momento e tudo o que ela queria ali era esmagar aquele dedo, ou até mesmo cortá-lo.
 - Até lá - continuou Alex -, não se meta com o meu filho!
 Era isso mesmo que ela escutava? Ele a estava ameaçando? Demi suspirou, vendo que ele tinha tirado seu dedo com o cigarro da cara dela. Agora sentia mais ódio de Joe do que o do pai.
 - Você entendeu? - perguntou ele.
 Demi deu de ombros. Apesar da raiva, não iria baixar a bola.
 - Então vamos ver se me expulsam. Porque talvez a minha mãe compre um iatezinho pro diretor... - disse ela, dando um sorriso cínico.
 - Garota, não brinque com fogo! - interrompeu Alex. - Você pode se queimar, menina.
 Os olhos de Demi ganhavam uma fúria enorme. Se segurava o bastante pra não enfiar aquele cigarro na garganta do homem e seguir para matar Joe. Como odiava os Walker. Todos a perseguiam. Demi sentia ódio a cada palavra dita pelo secretário.
 - E diga pro seu filho não tentar me bater de novo! - disse Demi, rangendo os dentes, se segurando pra não soltar um grito. - Porque senão vamos ver quem vão expulsar primeiro!
 Alex piscou os olhos várias vezes após ouvir as palavras de Demi, meio perplexo.
 - Olha, meu filho é incapaz de agredir uma mulher - falou.
 Demi riu, cinicamente. Se aproximou dele, falando firmemente:
 - O senhor não conhece seu filho.
 Houve um momento de silêncio, apenas os dois se encarando. Agora estavam mais calmos, mas a conversa havia estressado bastante. Várias coisas pairavam nas duas mentes, estavam cheias de coisas.
 Por fim, Alex deu mais uma tragada em seu cigarro, jogando-o na lixeira próxima.
 - Não estou disposto a escutar mais tolices - falou. - Não estou acostumado com esse tipo de discussões típicas desses programas que você assiste.
 Demi riu, ainda o encarando.
 - É, tem razão - concordou. - Isso é bem diferente da TV. Isso aqui parece mais com um filme da máfia!
 As palavras de Demi causaram um impacto doloroso, o que causou de Alex a encarar por longos minutos, com uma expressão de fúria. Demi deu um passo pra trás, parecia que Alex saltaria em seu pescoço a qualquer momento. Por fim, o político suspirou e deu as costas, pisando fundo no piso e saindo logo em seguida, passando pelos seguranças.
 Demi suspirou, e percebeu que os três seguranças na porta a encaravam de forma furiosa. Demi rapidamente correu e bateu a porta, não se importando se era alguma coisa de falta de educação. Encostou-se na porta, encarando o chão. Estava ferrada! Totalmente ferrada. Suas palavras haviam realmente atingido o senhor Walker e sua cabeça não parava de martelar as circunstâncias e consequências que pudessem vir. Sua mente parecia girar naquele momento, e o alívia aos poucos tomava seu corpo.

 No refeitório, os alunos que haviam presenciado Demi ser carregada pelos monstros do Walker ainda estavam preocupados, principalmente Madison e Nick, que queriam a todo custo saber o que estava se passando. Os alunos conversavam aleatoriamente sobre esse assunto, quando foram surpreendidos por Josh atropelando as pessoas a sua frente, correndo em direção ao grupo formado no meio.
 Josh chegou ao meio das pessoas, que olharam assustados para o garoto magro respirando abafado, e trazia consigo um papel em suas mãos.
 - Pessoal - disse Josh, ainda respirando com dificuldade pela corrida. - Aconteceu uma coisa terrível... no quarto do Nick! - apontou para Nick.
 Todos os olhos ali se viraram para o garoto no centro da roda, que olhava pra Josh nesse momento com uma extrema confusão nos olhares.
 - No meu quarto? - perguntou Nick, confuso.
 - Josh, o que você tem? - perguntou Aiden, se aproximando do garoto, que tremia.
 - O que houve? - perguntou Nick.
 - Fala! - gritou Madison.
 Josh fechou os olhos, ainda suando e tremendo. O garoto realmente parecia apavorado com o que tinha visto. Ele apenas pegou o papel em suas mãos, abrindo-o, entregando nas mãos de Nick, mostrando o que havia lá dentro.
 - É A MARCA DA SEITA! - gritou um garoto do grupo.
 Era impossível descrever a palidez e a choque que todos tiveram naquele momento. Josh fechava os olhos, tremendo e com medo do que iria ouvir. Madison botou as mãos na boca, completamente chocada. Aiden havia dado um passo pra trás, assustado. As pessoas estavam tremendo, assim como Josh.
 Já Nick mantinha a mesma expressão. Olhava o desenho na folha: a marca de uma mão, em tinta preta. Apenas isso. Já ouvira falar da Seita antes, Isabella o alertara sobre essa gente, mas isso não o estava preocupando.
 - O que eles fizeram, Josh? - perguntou Nick, acalmando o pessoal que ainda falando em múrmurios.
 Josh ficou calado, ainda tremia de nervoso.
 - Responde, o que eles fizeram? - repetiu Nick, se aproximando do garoto. Josh continuou calado. - FALA LOGO!

Continua.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Depois da Chuva - 82

“Vai embora, mas leva contigo, todos os sentimentos que eu sinto por você. Não deixe saudade, não quero viver uma vida de lembranças, convivendo dia a dia com a solidão. Quer ir, mais não volta mais, por que o que é verdade não se destrói tão fácil assim, não se vai por motivos tão simples. Quem ama cuida, não deixa partir, quem ama protege, não deixa ir.” — Robson Lopes.

  A aula de ética continuava a essa altura, onde o novo professor conhecia os alunos.
 - Eu estive lendo os trabalhos de vocês - disse John -, e li com muita atenção.
 John mordeu os lábios e deu um sorriso sincero, fazendo algumas garotas perderem a fala por alguns segundos. Um garoto do fundo da sala levantou as mãos, com a expressão entediada.
 - E você já deu nota, professor? - perguntou ele.
 - Hmm, não - respondeu John. - Acho que ninguém pode dar nota a um pensamento ou a alguma opinião pessoal - ele bufou. - Teve um em particular... deixa eu ver se encontro - ele remexeu nas folhas em suas mãos - ... que eu gostei muito.
 O sorriso de Selena já era visível.
 - Dá pra notar que foi feito com o coração, com pura paixão... fogo - continuou o professor. - É "A Síndrome do Boneco de Plástico" de Demi Lovato.
 Selena ficou séria no mesmo momento. Mal podia acreditar no que estava ouvindo. Como assim o trabalho de Lovato?! Ela que havia se esforçado tanto. Os cochichos na sala já podiam ser ouvidos.
 John levantou os olhos para olhar Demi no fundo da sala, que agora segurava um sorrisinho sorrateiro nos lábios.
 - Demi... eu notei que você tem uma maneira muito especial de enfrentar as coisas - ele sorriu. - Vem. Chega mais - chamou ela.
 Demi sorriu e se levantou, caminhando até onde o professor se encontrava. Miley balançou a cabeça, agora ficando nervosa. Ela sabia que Demi teria de ler o trabalho na frente da sala, e não iria ser nada bom. A garota estava maluca de fazer aquilo, quem em sã consciência falava mal dos Walker na cara dura? Miley suspirou, e se levantou também, mas saiu da sala, pronta para não enfrentar aquela situação.
 Outro que não estava gostando era Joe Walker, é claro.
 - Eu não venho ao colégio pra escutar trabalhos dos meus colegas! - gritou ele, se levantando, com uma fúria nos olhos tremenda. - Meu pai paga uma fortuna para que vocês, professores, ensinem!
 John ergueu as sobrancelhas para o garoto em pé e Demi o olhava com desprezo.
 - Qual é o seu nome? - perguntou John.
 - Joe! - respondeu.
 - Joe... ás vezes os alunos podem explicar melhor do que os professores - explicou King. - Porque tem a paixão por dentro. Tem a liberdade pra poder se expressar sem pressões - ele sorriu e se voltou para Demi. - Poder ler, Demi. Nós estamos escutando.
 Demi abriu um largo sorriso e abriu seu envelope, revelando seu trabalho. Olhou pra Joe com um olhar de desprezo, que o mesmo se sentou, ainda bufando de raiva. O ódio que estava sentindo podia ser sentido de longe.
 - "Era uma vez um... - começou Demi, em voz alta.
 - Um minuto! - interrompeu o professor, e se virou pra sala. - Eu quero esclarecer que a Demi fez esse trabalho em forma de historinha - deu um sorrisinho de canto.
 - Então não vale! - gritou Joe, mais uma vez, se levantando da carteira. - Você não pediu historinha!
 John o olhou com temerosidade, talvez tentando compreender a expressão e o comportamento do garoto. Em seguida, encheu o rosto com um sorriso.
 - Vale tudo - respondeu ele. - Vale tudo, Joe - ele sorriu. - Ela escolheu o humor, nesse caso. E vai ser uma coisa muito important...
 - Não acho certo! - interrompeu Joe. - Não acho certo!
 John mordeu os lábios, balançando a cabeça.
 - Porque ficou assim? - perguntou. - Por acaso você tem algum problema em particular com o trabalho da Demi?
 Joe hesitou, e encarou por segundos o rosto de Demi, que se segurava em pé pra não rir. Joe engoliu em seco, e revirou os olhos. Todos da sala o encaravam. Por fim, bufou e se sentou:
 - Não - respondeu.
 John revirou os olhos.
 - Então sente-se e escute - ordenou, e encarou Joe. Em seguida, voltou sua atenção para Demi. - Agora sim vamos escutar.
 Demi abriu um grande sorriso, e voltou sua atenção para o trabalho.
 - "Era uma vez uma cidade chamada Falcatruolândia. Quem mandava lá era um político chamado Mister Falcatrua..." - começou Demi, e a turma riu. - "... Ele tinha..."
 - Com licença, professor - Demi foi interrompida pelo diretor Ethan entrando na sala, acompanhado do senhor Walker e seus seguranças.
 John rapidamente se levantou.
 - Apresento seu senhor secretário, Alexander Walker - apresentou Ethan, e John e Alex trocaram apertos de mãos. - É o pai de um dos nossos alunos.
 - Prazer em conhecer - sorriu John.
 - Muito prazer - disse Alex, sério.
 - E com a sua licença, vamos levar o filho dele - disse Ethan, apontando para Joe.
 - Pois não, claro.
 - Vamos lá, Joe - chamou Ethan.
 Joe se levantou, ainda emburrado, e caminhou até o pai na frente da sala, encarando Demi com horrores na mente sobre a garota. A mente dele parecia se desvairar, ele queria muito se vingar, queria muito que Demi se ferrasse naquela hora.
 - Pai - disse Joe, se aproximando do mesmo. - Porque não fica pra escutar? Nossa colega vai ler uma historinha sobre um político, aposto que vai se interessar - apontou pra Demi.
 Demi congelou no mesmo instante. Joe cruzou os braços e se virou para encarar Demi, que havia retirado seu sorriso. Como Joe era capaz de cada coisa.. Alexander juntou as sobrancelhas, confuso, enquanto o diretor Ethan voltava sua atenção ao professor John:
 - Pode me explicar que trabalho é esse que não fiquei sabendo? - sussurrou o diretor.
 John deu um sorrisinho de canto.
 - São os trabalhos de ética, senhor Jones - respondeu.
 Ethan deu um sorrisinho amarelo.
 - Ah sim - disse ele. - Os benditos trabalhos de ética - se voltou para Joe. - Bom Joe, venha conosco, não vamos mais atrapalhar a aula.
 O diretor se retirava da sala, mas Walker o parou.
 - Perdão - disse Alexander, com a voz abafada e a expressão séria. - Mas se o meu filho disse que o tema pode me interessar, eu peço permissão para ficar e escutar.
 Ethan balançou a cabeça, sem nexo.
 - Depois eu consigo uma cópia, senhor secretário, e envio para o senhor com muito prazer...
 - Não - interrompeu Alex. - Eu gostaria de ficar e escutar - olhou para Demi. - Tem algum problema?
 - Não, não - responderam John e Ethan, com sorrisos.
 O diretor não estava entendendo pra lá de nada, mas seguia ordens do secretário. Deus o livre se fosse confrontá-lo.
 - Por favor, traga uma cadeira - pediu ele a um aluno no fundo da classe.
 O garoto de cabelos escuros se levantou e pegou uma cadeira, caminhando até o secretário.
 - Eu posso fumar? - perguntou Alex ao diretor.
 - A vontade - respondeu ele, sorrindo. - O senhor está em casa.
 Depois de um tempo, John voltou a frente da sala, suspirando.
 - Bem, já que estamos todos acomodados... - se virou para Demi. - Comece, Demi. Estamos escutando.
 Mas a garota estava congelando. Demi não sabia expressar o quanto estava nervosa naquele momento. Joe havia conseguido o que queria, e agora? Como ficaria seu trabalho, que foi considerado o melhor da sala? Ela não podia se deixar intimidar porque o grande senhor Walker estava a olhando, pronto a todos os ouvidos pra ouvir o que ela queria dizer.
 - "O p-político... Muito... "
 Suas mãos tremiam. Seus olhos mal olhavam o papel, vagavam pela sala. Principalmente olhavam para a expressão do senhor Walker, que na verdade a olhava sério, com seu cigarro na boca. Demi estava tão nervosa que dava pausas extremas entre 4 palavras. John estava percebendo seu nervosismo, e se aproximou da garota.
 - Tá se sentindo bem? - sussurrou ele.
 Demi olhou em seus olhos, aqueles castanhos chocolate. Se sentia bem por olhar aqueles olhos que eram agradáveis e que pareciam realmente se preocupar com ela. John sentia um afeto pela garota enorme, queria ajudá-la, e se esquecia de que era apenas seu professor. Mas a química entre os dois rolava de forma instantânea.
 Por fim, Demi bufou e ajeitou os ombros:
 - Não, eu to nervosa - respondeu.
 John deu um sorrisinho de canto.
 - Muita gente tem medo de falar em público - disse ele. - E eu espero que seja isso. E não que tenha medo do que escreveu!
 Sua expressão ficou séria, e ele e Demi se encararam por alguns segundos. Ele podia decifrar o que a garota estava sentindo, mas preferia confortá-la. Depois, se virou novamente para a turma.
 - Pessoal! - chamou. - É importante que todos entendam uma coisa: a ética começa por nós mesmos. Sendo fiéis ao que sentimos. - se virou para Ethan - Não é verdade, senhor diretor?
 Ethan largou os ombros, abrindo um sorriso.
 - Com certeza - respondeu. - A ética é um dos valores fundamentais do nosso colégio, alunos.
 - Está vendo? - falou John a Demi. - Vai por um bom caminho. Se sente em condições de continuar?
 Demi suspirou, e abriu um leve sorriso.
 - Sim - respondeu. - Obrigada.
 John trocou um sorriso caloroso com a garota e voltou a se sentar.
 - Continue - falou.
 Demi suspirou, abrindo um enorme sorriso. Parecia mil vezes mais confiante agora do que a 2 minutos.
 - "... O político tinha um filho que brincava o dia todo de ser um homem poderoso, com espada e tudo, como He-Man, o bonequinho de plástico. Mas como era muito preguiçoso trocou a espada pesada por um celular, que também tinha super poderes. Quando estava com problemas, apertava uma tecla e o político, mister Falcatrua, vinha a seu socorro. E foi assim que ele mandou prender um rapaz. Que provas estava pairando sobre sua responsabilidade? O bonequinho abusava de seus super poderes, ele fugiu do colégio, dirigindo sem abilitação. Se embebedou, mentiu e discriminou. Pois não se importava, afinal, a tecla o salvaria mil vezes, já que o mister Falcatrua era mestre na hipocrisia como ninguém. E enquanto que na Falcatrualândia com o celular se consegue impunidade, a ética será o disfarce de muitos de seus funcionários."
 Demi parou de ler, e ergueu os olhos para a sala de aula. Ainda haviam alunos que soltavam risadas, mas também pessoas que olhavam pra ela sem expressão. Demi abriu um sorriso de satisfação e, vagamente, olhou pra Joe na porta da sala, ao lado de seu pai, com a expressão mais séria do que nunca.
 Demi sabia que Joe iria matá-la depois. E sua barriga se revirava ao pensar nisso, mas só por alguns segundos. Ela não se importava mais com o que o garoto iria dizer.
 - Bom, depois continuamos com uma longa investigação, mas basicamente era isso que eu queria que lessem - disse John, abrindo um sorriso e se virando para Demi. - Excelente metáfora de algumas realidades, Demi. Meus parabéns - se virou para a turma. - Acho que merece aplausos, não é mesmo?
 Os alunos se alegraram, e bateram palmas animadamente. Mas o chamou a atenção foi ver Alexander Walker, que ficara sério a leitura inteira, se levantar de sua cadeira e dar um sorriso, batendo palmas. A boca de Joe se abriu, em sinal de extrema surpresa. Como seu pai havia gostado do texto, logo de Demi?
 Demi e Joe se encararam, e não se duvidava que dali com certeza iria sair uma bela guerra.

 O salão de Olívia ia bem, melhor do que antes. A saudades que sentia de Miley afetava seu trabalho, mal podia trabalhar direito. Queria ligar pra garota, saber como estava e tudo mais, pois o último encontro entre as duas na escola não recebeu notícias boas. Se contentava em fazer cabelos e esfriar mais a cabeça antes de fazer loucuras pela sobrinha. Estava alisando um cabelo naquele momento, com os pensamentos em Miley.
 - Agora está bem, Lily. Tá alinhado, muito bem, mas tem que cuidar desse cabelo porque, com tanto alisamento, tá maltratado - disse Olívia, largando a prancha ao lado da cadeira onde se sentava Lily Wrhite.
 - Você não entende - Lily balançou a cabeça. - Eu quero uam mudança. Eu já cansei de ser a mesma - passou as mãos nos cabelos, agora lisos.
 Olívia suspirou e revirou os olhos.
 - Olha aqui, Lily, eu recomendo pra você...
 - Olha só! - gritou uma voz de homem. - Muito boa!
 Olívia olhou pra trás, vendo um homem sorrindo.
 - Muito boa o que? - perguntou.
 - Muito boa tarde - ele respondeu, sorrindo.
 Olívia sorriu.
 - Ah sim.
 - Olha, deixei suas tintas ali - apontou pro balcão.
 - Ah, obrigada - sorriu.
 - Tchau. Se cuida - e se afastou.
 Lily seguiu o homem com os olhos até se afastar e sair do salão.
 - Ele é muito bonito, não é? - disse Olívia. - É muito lindo. Mas sabe de uma coisa? Ele é gay.
 Lily bufou, decepcionada. Olívia voltou a mexer nos cabelos da mulher.
 - Ah, que desperdício - bufou Lily.
 Olívia riu.
 - Olha, como eu estava falando, eu vou te dar um alô - disse ela, pegando um papel - Sua carinha é muito linda, muito bonita, você fica bem de cabelo liso, mas se botarmos um pouquinho de cor, um tonzinho assim, fica bem...
 - Você acha? Não é muito atrevimento? - perguntou ela;
 - Não...
 Olívia se interrompeu ao ouvir o telefone tocar do outro lado do salão, onde pediu licença a Lily e foi ver o telefone rapidamente.
 - Alô, salão da Olívia - atendeu ela, sorrindo.
 Ficou pálida de repente, seu sorriso desaparecendo de seu rosto instantaneamente.
 - O que foi, Miley? - perguntou, já com a voz pesarosa. - Não, não, filha calma... Não, não se preocupe... Ta, eu falo com o diretor, eu vou ligar e vou pedir pra dar permissão pra você sair... Ok Miley, está bem, tenha calma filha...
 Olívia desligou o telefone, agora sim preocupada. Rapidamente, pegou sua agenda e discou o número da escola.

Continua.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Depois da Chuva - 88

"Dessa sociedade suicida que cria rótulos pra tudo, eu tenho uma vontade louca de fazer o que dé na telha , e que se dane o mundo, que se dane tudo! Ás vezes eu tenho vontade de matar aula, sair pelo mundo sem dar satisfação a ninguém, falar a primeira coisa que me vier à cabeça sem me importar com o que vão dizer, encarar a realidade com naturalidade."

Salão de Olívia, Califórnia
12h00min
‘ Por Miley


Acho que, sinceramente, não agüentava mais chorar. Me levantei do chão onde estava e enxuguei meu rosto por completo. Ao mesmo tempo me sentia idiota por me comover com aquilo, mas parecia justo. Por algum momento parecia justo. Balancei um pouco meus cabelos e me deparei com uma vassoura em minha frente, encostada na parede. Peguei-a no mesmo instante e comecei a varrer o chão do salão, comecei a limpar tudo que via, porque assim por alguns segundos alivia meu tormento. Ainda soluçava enquanto varria, não conseguia parar de chorar. Isso me causava um certo tipo de fraqueza.
Minha tia entrou novamente no salão, dessa vez com os cabelos arrumados e com outra roupa. Estava arrumada demais, mas sabia que não iria sair, e era sinal de que havia retocado muito a maquiagem. Ela me olhou e me viu chorando. Droga, não gosto quando ela me vê desse jeito. Me sinto muito fraca. Só que ela me olhou e simplesmente me ignorou. Só apareceu no salão, pegou um de seus cremes de pele e voltou novamente ao gabinete. Voltou novamente pelo mesmo lugar de onde havia entrado. Como se eu simplesmente não estivesse, como se eu não existisse.
Não sei o que me deu naquela hora, mas me deu uma vasta vontade de gritar e de espernear. Que coisa estúpida. Comecei a me sentir como se não fosse dali mesmo. Quem diria! Minha tia, a minha segunda mãe, que tinha me ajudado em tudo, estava virando a cara pra mim, em vez de me ajudar e me apoiar. Não sei bem o que eu fiz, só sei que não me segurei. Larguei a vassoura no chão e corri para dentro do gabinete.
Quando entrei, ela estava se olhando no espelho. Simplesmente se olhando. Nada havia em sua expressão, nada. Corri para trás dela, e pude ver nossos reflexos.

Miley: Eu sei que você não quer olhar pra mim! – Eu ainda chorava. – Mas mesmo assim eu vou falar o que eu sinto! Eu sei que você quebrou a cara pra que eu entrasse pro internato! O tempo que você se dedicou, que pagou aos professores! Mas, tia, entenda, eu não posso! Eu não posso! Eu não pertenço a esse lugar!
Minha voz falhava. Eu mal conseguia falar. E o silêncio dela me incomodava. Havia tanta coisa entalada na minha garganta, tantas verdades. Aquilo nem era o começo. Ela tinha que me entender, entender o que eu sinto.
Olívia: Não é isso que me incomoda! – Ela gritou, se virando pra mim.
Miley: O que é?
Olívia: Se mostre ao mundo, menina! – Ela gritou, se afastando de mim, voltando ao salão. Fui atrás dela.
Miley: E quem te falou isso?
Olívia: Não é preciso ninguém me dizer, eu vejo! – Nós andamos até finalmente pararmos na porta do salão, na calçada. – Sua mãe a convenceu de que o mundo é o quarto de sua mãe. E não é!
Eu chorava, não sabia porque. E de alguma forma não conseguia concordar com minha tia, não conseguia! Algo me impedia de pensar diferente.
Miley: Não, não – Discordei. – Eu estou com ela porque a amo! – Falávamos de Abigail.
Olívia: Tem muitas formas de amar. Não é só essa! Não tem porque ficar trancada em casa e nem nesse salão desgraçado! – Aponta para dentro do salão. – Sai daqui! Sai dessa cidade! Vai por aí, grita, se diverte, VIVE!
Miley: Mas esse é o meu mundo!
Olívia: Esse é o seu esconderijo! – Gritou, já enfurecida. – Lá fora tem um universo para explorar e você tem tudo para conquista-lo! Não pode ficar assim, eu tenho raiva de ver você assim, eu não posso suportar!
Miley: Mas eu tentei... – Eu já começava a soluçar novamente.
Olívia: Isso não é verdade, não tentou nada! Insista, não desista!
Eu não conseguia descrever o que se passava na minha cabeça naquele momento. Eram tantas coisas que queriam gritar, e tantas outras pressões. Dos dois lados haviam idéias, opiniões e outras coisas. As vezes eu pensava que essa “implicância” da minha tia comigo era porque ela queria decidir a minha vida por mim. Eu sempre fui uma menina quieta, certinha, caseira, ingênua... Muitas vezes intitulada a “santa” por todos. Nunca consegui cometer erros por livre e espontânea vontade. Na verdade eu fugia dos erros. Minha tia se consagrou, fez do possível ao impossível para me colocar no UPE e, quando cheguei para sentir a experiência, não era o que eu esperava. Mas ela insistia que era aquilo que era pra mim! Que lá era o meu lugar! E eu não conseguia pensar desse jeito. Algo me bloqueava de pensar assim.
Olívia: Porque se dar por vencida tão facilmente? – Perguntou ela, quase gritando. Eu ainda chorava.
Miley: Porque eu não consigo! – Gritei em resposta. – Poxa, eu não consigo! Pra mim dá muito trabalho!
Olívia: Você está pensando que não aceitam você, está pensando naqueles imbecis?! – Gritou ela, dessa vez estava realmente furiosa. – Eu mudo você de colégio, mas que ELES não sejam essa desculpa! Porque você não pode ficar aqui, POR FAVOR! Você tem que entender isso.
Miley: O problema não são os outros alunos, o problema sou eu.
Olívia: Você?! – Ela perguntou, pasma, abaixando o tom de voz. – Mas porque você, filha? Você é uma santa!

Dessa vez, minhas lágrimas caíam em jorrões. Lembranças más sempre me fazem isso.

Miley: Porque... Porque eu não sou igual aos outros! Eu tenho alguma coisa errada!
Olívia: Não, está errado! – Ela me interrompeu. – Quem está errada é você.

O telefone logo então tocou. Minha tia olhou pra mim com olhos arregalados, ainda pasma, e caminhou para dentro do salão. Eu sequei minhas lágrimas e tentei abafar os soluços, pois também queria saber quem havia ligado. Ela chegou ao telefone, respirando fundo.

Olívia: Alô? – Atendeu. – Sim, quem quer falar? – 1 minuto depois, ela me olhou, franzindo as sobrancelhas. – Demi?
Miley: Não! – Eu sussurrei, balançando as mãos, implorando pra que ela não falasse que eu estava ali. Pra aliviar, corri para o gabinete.
Olívia: Não... Desculpe, é que eu acabei de chegar e... Se quiser ligue um pouco mais tarde – Ela deu a desculpa.
“Está bem. Então, peça a ela pra me ligar, está bem? Preciso falar com ela. E... Também diga que estou com saudade. Ok? Obrigada.”

Ouvi minha tia batendo o telefone o gancho e pude perceber que havia desligado. Não estava muito afim de falar com Demi e nem com ninguém da UPE, não queria dar explicações. Na verdade, sabia que Demi iria me procurar, mas queria fugir meus pensamentos da UPE e de tudo que a envolvia.

Olívia: Miley, filha! – Ela gritou. – Desliguei! Filha, venha cá, por favor!

Salão principal, Upper East Side
12h30min
‘ Por Demi


Desliguei o telefone. Havia acabado de falar com a tia de Miley, a qual não lembrava o nome agora. Mas não agüentava mais ficar sem notícias de Miley. Ela havia sumido, sem mais nem menos, e nem deixado notícias. Isso me angustiava. Enquanto guardava meu iPhone no bolso, fui surpreendida pelo professor John, o qual parou na minha frente, segurando uma folha de papel nas mãos.
John: Você e eu temos uma conversa pendente – Ele sorriu, encostando seus ombros na parede. E que sorriso! Eu apenas suspirei.
Demi: Não. Se é por causa do trabalho, não sei, se quiser eu faço outro – Revirei os olhos. – Me dê 5, tanto faz, dá na mesma – Dei de ombros.

Ele apenas balançou a cabeça, me olhando como se eu realmente não fosse normal. Mas que sorriso é esse, meu Deus? Porque esse professor gatão não pode parar com isso? É um assédio pscicológico, e eu não posso mais me envolver com isso, já beijei um professor, se lembram? Pois então.

John: No trabalho você tirou um 10! – Ele sorriu. Meus olhos se arregalaram.
Demi: É verdade?! – Perguntei, surpresa.
John: Claro. Um 10 pelo conteúdo e pela sua valentia! – Ele me estendeu o papel em suas mãos, que quando vi era meu próprio trabalho.

Eu ainda não conseguia acreditar. Achava sinceramente que ele me daria um 5... Ou quem sabe um 0 logo! Essa simpatia dele o tornava ainda mais gato, que droga! Logo em seguida, ele pegou no meu ombro e me encaminhou até um dos bancos do salão, que no momento se encontrava com poucas pessoas.

John: Agora o que eu quero, Demi, que com a mesma valentia e franqueza, me diga o que estava fazendo naquele terreno abandonado.

Minhas pernas tremeram. Como assim ele me viu? Isso não podia estar acontecendo! Minha mente girou e a primeira coisa que consegui pensar foi em Samuel, e se ele havia visto vestígios ou havia visto o próprio Samuel. Senti minha língua embolar e tremer.

Demi: É... Era que eu estava tentando lembrar, professor... E sabe o que é? É que eu já tinha esquecido desse incidente e não sei porque... Acho que eu estava andando – Nunca gaguejei tanto na minha vida. Ele me olhava com uma cara de desconfiado. Normal. – Fazendo cooper... Qualquer coisa.
John: E porque você não prova e diz a verdade? É melhor.
Demi: Professor, eu juro de verdade que não lembro! – Tentei convencê-lo da melhor forma possível. – Sério! Qualquer coisa que eu disser vai parecer mentira, porque agora eu não lembro.

Ele assentiu com a cabeça, e mexeu nos cabelos. Isso é golpe baixo!

John: Olha, Demi, eu não dou conselhos, não sou ninguém de verdade. Mas eu posso compartilhar experiências. E nesse lugar eu digo que... Tem coisas que não valem a pena! – Ele suspirou. Eu juntei as sobrancelhas, confusa. – Tem coisas que não tem sentido.
Demi: O que quer dizer? – Perguntei, confusa.
John: É muito bonito ser valente. Pra mim é perfeito, lutar contra a injustiça, muito bem. Mas num lugar proibido, onde é perigoso só pra poder descumprir uma norma, pra mim é idiotice! Principalmente pra alguém como você. Que eu considero muito inteligente.

Ele simplesmente deu um sorriso de canto e se levantou, se retirando. Eu ainda processava as palavras dele. Com certeza ele não sabia de nada, nadinha do Samuel. Nem sabia o que eu iria fazer lá no terreno. Mas o que ele quis dizer? Que quebrar regras era idiotice? Principalmente aqui? Eu não conseguia analisar, não conseguia achar lógica. Teria que conversar com ele mais vezes, é claro. E seria um prazer enorme!
Olhei-o subindo as escadas e me levantei do banco. Agora tudo parecia ganhar um pouco mais de lógica. Um pouquinho, apenas.

Demi: Valeu, professor – Falei a mim mesma. – Eu vou me lembrar disso.

E sorri comigo mesma.

Quarto de Selena, Upper East Side
13h30min
‘ Por Selena


Voltei ao quarto, já que não havia encontrado Miley lá fora. Aproveitei o caminho e joguei o panfleto do “Inferno” no lixo. É claro, rasgado em mil pedaços. Só loucos iriam nessa festa, ainda mais organizada pela Demi. Iria me desculpar com Chloe depois, mas não iria mesmo. Cheguei ao quarto, me jogando na cama. Isabella ainda estava lá, dessa vez sentada á escrivaninha, rodeada de livros, o que me deixou confusa.

Selena: O que é isso? – Perguntei, me sentando na cama.
Isabella: Ah, eu comprei algumas coisas para o Nick – Respondeu ela, sorridente. – Tadinho! Não deixaram nada.

Aquele nome me dava náuseas, literalmente. Não queria pensar naquele garoto, estava muito bem me distraindo e não pensar naquele rosto. Eu já havia ficado sabendo do que a Seita fez no quarto dele... O que me causava calafrios. Não sabia porque Isabella insistia naquele garoto.

Selena: Algumas coisinhas? – Disse irônicamente. Não eram poucas coisas, não mesmo. – Eu sempre achei que eram os meninos que compravam coisinhas para as meninas – Mandei indireta.
Isabella: Tavez no seu caso. Mas no meu não. Porque com você eles podem fazer filas e tudo, mas comigo... – Ela respirou fundo. – Além do mais, não se usa mais isso.
Selena: Não se usa mais isso? – Arqueei as sobrancelhas. – Só se for na sua terra que não se usa mais isso.
Isabella: Ah! – Ela bufou, se levantando da escrivaninha. – Nick tem razão, viu?
Selena: Tem razão em que? – Perguntei, bufando. Odiava quando ela dava razão áquele ser desprezível.
Isabella: Sobre a sua histeria! – Respondeu ela, colocando as “coisinhas” numa caixa. – Sua loucura.
Selena: O QUE?! – Gritei. – Espera, como ele tem razão sobre a minha histeria? Do que está falando? – Eu queria gritar mais. Não acreditava no que ouvia. Isabella suspirou.
Isabella: Você é uma histérica! É por isso que não tem namorado – Ela se sentou na outra cama, com a caixa no colo.
Selena: Como aquele idiota disse isso, Isabella? – Gritei, me levantando da cama, ainda irritada. – Você tem que dizer a ele que eu não sou uma histérica! Como ele se atreve?! COMO ASSIM HISTÉRICA? Por favor, me explica!

Não sei o que deu em mim. Sinceramente, foi automático. Bem lá no fundo, estava com um ódio de Nick Jonas. Ódio por ele ter tirado essas conclusões sobre mim, queria espancá-lo naquele momento por ter dito isso sobre mim. Mas por outro lado, não queria que ele realmente pensasse que eu era uma histérica. Que droga, o que esse garoto causava em mim?

Isabella: Ele disse que você é uma histérica! – Disse ela, abrindo um livro. – Que você é muito imatura pra ter um namorado. Primeiro você se insinua pra depois nada!

Arregalei meus olhos. Agora sim eu estava com ódio! Agora sim estava com realmente vontade de matá-lo! Como ele pode dizer isso?! Respirei fundo e, não sabendo o que tinha dado nas minhas pernas, corri para a porta.

Isabella: Mas ele disse isso pro seu bem! – Gritou ela antes que eu saísse ás pressas do quarto.

Sala de jogos, Upper East Side
14h05min
‘ Por Nick


Eu e Aiden ainda olhávamos para Demi de longe. Estávamos atrás da mesa de sinuca enquanto ela estava sentada em uma das mesas da lanchonete, com apenas um copo de suco ao seu lado e escrevendo algo. Estava tão perdida em seu pequeno pedaço de papel que achei meio falta de educação interromper, mas precisava ter o que queria com ela. Demi era minha amiga, não iria se estressar como outras comigo.

Aiden: É melhor a gente ir perguntar de uma vez – Apontou para Demi, enquanto me empurrava até ela.

Eu não disse nada, apenas fui com ele. Chegamos lá e Demi levantou os olhos para nos ver, e deu um sorrisinho. O máximo de sorriso que ela podia dar.

Nick: Então, Demi, vem cá, me explica uma coisa. Que história é essa de que tem que levar material escolar pra entrar na boate?
Demi: É isso aí – Ela sorriu. – Acabou de dizer. O que mais você queria saber? – Ela abaixou a cabeça e voltou a se concentrar em sua escrita. Pois é, Demi estava sem tempo.

De alguma forma, eu já sacava o que ela queria fazer. E não estava gostando.

Nick: Olha, se está fazendo isso por mim, eu juro que...
Demi: Ah querido, não venha fazer uma ceninha de macho orgulhoso, por favor! – Ela me interrompeu. – Somos amigos ou não?
Nick: Somos! – Eu abri um sorriso involuntariamente. Demi causava isso em mim. – Mas... Eu imagino, pra que o material e...
Demi: Eu estou fazendo isso por todos os bolsistas, então é melhor pedirem alguma pra lanchar e sentarem comigo! – Ela apontou para as duas cadeiras a sua frente.

Eu dei de ombros. Demi era maravilhosa. Não que ela fosse normal e jeitosa. Ela era diferente. Uma das melhores amigas que eu podia imaginar encontrar nesse antro de escola.

Nick: Pode ser – Dei de ombros e eu e Aiden nos sentamos. – Olha, se é pra todos os bolsistas ta legal, ok?
Demi: Além do mais, eu te devia uma. Pelo grupo de dança, lembra? – Eu ri.
Nick: Sabe... Gosto de você! Porque o que tem de boazinha tem de maluca! – Nós rimos e trocamos toques de mãos.

No mesmo instante que minhas mãos de Demi se separaram, Isabella apareceu em nosso meio. E parecia com a expressão cansada, ao mesmo tempo irritada.

Isabella: Nick, preciso falar com você – Ela falou diretamente comigo, como se Demi e Aiden não estivessem ali. – Urgente!
Nick: O que foi? – Eu ainda ria de Demi. – Ok, claro que sim. Com muito prazer – Me levantei. – Já volto, gente!
Demi: Tchau.
Sala de jogos, Upper East Side
14h20min
‘ Por Demi


Nick havia acabado de sair, e eu ainda permanecia na mesa com Aiden. Na verdade, não éramos muito de conversar. Na verdade, parece que nunca conversamos. Trocávamos algumas palavras por causa de Nick e essas coisas. Enquanto escrevia no meu caderno, que na verdade estava fazendo um dever de casa, Aiden olhava muito para baixo. Em alguns momentos pensei que ele estava cabisbaixo com algo. Foi quando percebi que ele estava mesmo olhando para as minhas pernas.

Demi: E você? – Perguntei, praticamente gritando, fazendo ele tirar sua atenção e olhar para mim. – Perdeu alguma coisa?
Aiden: É... Olha só, você pode me explicar a... – Ele apontava para o meu caderno.
Demi: A matéria? – Perguntei. – Quer que eu explique?
Aiden: Sim.

E lá se foi umas boas 2 horas.

Garagem, Upper East Side
15h45min


Saí da sala de jogos após explicar umas lorotas para Aiden. Eu sei que, na verdade, ele não queria saber de matéria nenhuma, foi só uma desculpa para não apanhar. E ele fez muito bem, só não sei se serei boazinha assim da próxima vez. Logo após, eu e Madison já estávamos na garagem da escola, esperando o Matthew chegar. Matthew iria me trazer algumas coisas que pedi á minha mãe, com certeza coisas para a festa, que eu não via a hora de chegar logo. Iria bombar completamente.
Eu e Madison conversávamos quando vimos a limusine de minha mãe chegar e Matthew saindo do carro as pressas.

Demi: Graças a Deus, até que enfim você chegou. Então, trouxe as coisas?
Matthew: Claro, senhorita! – Ele rapidamente foi abrir uma das últimas portas do carro enorme.
Madison: Que bom – Sussurrou.
Demi: Rápido, por favor!
Matthew: Olha, eu trouxe aqui essas bolsas que a sua mãe mandou! – Ele saiu do carro com milhares de bolsas nos braços.
Demi: Deixa eu ver – Peguei rapidamente as bolsas, com a ajuda de Madison.
Matthew: Desejam mais alguma coisa?
Demi: Espera! – Eu verifiquei as bolsas. – Perfeito! Muito obrigada. Pode ir, obrigada.

Ele me surpreendeu, dando uma risada.

Matthew: Meninas, quando eu era menino eu sabia de todas as coisas! – Ele dizia enquanto ia ao porta malas. – Mas agora que eu sou velho...
Madison: Tudo isso quem mandou foi a sua mãe?
Demi: Ela trouxe até mais – Eu sorri. – Agora o que você tem que fazer é achar o Samuel o mais rápido possível e eu tenho que sair daqui de qualquer maneira.
Madison: Ta bom, me dá – Ela pegou uma de minhas sacolas.

Nós estávamos entrando novamente no colégio quando de repente nos deparamos com o diretor Ethan. Na boa, não há nada pior para estragar meu dia.

Ethan: Parece que as mocinhas foram as compras! – Ele sorriu. Isso me dava nojo.
Demi: Não – Dei um sorriso. – Pior que não fomos. São umas besteiras que a minha mãe me mandou.
Ethan: Ah é? – Ele arqueou as sobrancelhas. – Posso ver? – Ele esticou os braços e pegou uma sacola. Tive uma vontade louca de arrancar aqueles dedos fora, mas não podia mais aprontar nenhuma. Pelo menos até o dia da festa.

Dei um sorriso forçado enquanto ele pegava uma bola de plástico amarela e uma camisa de marinheiro para meninas. Sim, fantasia. E o pior que Ethan era desconfiado com tudo.

Ethan: Pra quem é tudo isso, senhoritdas?

Continua.

Depois da Chuva - 87

"E mais uma vez eu poderia passar dias escrevendo sobre como eu me sinto tão protegido por ter você, por ter alguém pra chamar e ligar no final do dia, eu poderia escrever quantos sorrisos você já colocou no meu rosto, quantas inúmeras risadas nós fomos capaz de dar juntos, e sobre como eu gosto de te olhar sem dizer nada. Mas isso não faria a mínima diferença, sabendo que você entende tudo que eu quero dizer só de olhar pra mim."

Quarto de Demi – 17:40 P.M
Demi e Madison deitavam-se na cama, enquanto Demi discava o número de Emma, querendo dizer algo para seu plano. Depois de bons minutos de conversa, parecia que conseguira convencer a mãe a fazer mais uma de suas vontades.
- Mãezinha, é sério, obrigada pela boa ação e juro que Deus vai te pagar e os glúteos vão levantar. Vão ficar lindos! Agora é sério, obrigada mãe, juro que você me salvou! –disse Demi ao telefone.
Emma estava no meio de uma massagem, feita pelo seu Benjamin, e falava com Demi ao telefone. Adorava ouvir a voz da filha, em qualquer ocasião.
- Ah, filha, estou sim –disse ela- Filha, você sabe que eu faço isso porque eu gosto muito de você, não sabe?
- É, eu sei, claro.
- Ah filha, mas fala direito, vai. Diz que você me ama também. Vai, diz!
- Ai mãe, ta bom.. também te amo, ok? –suspira- Tchau!
- Até logo, meu amorzinho –faz biquinho- Mas antes.. me mande um beijinho de despedida, ok? Olha, eu vou te mandar um! –faz um sonzinho de beijo.
Demi já perdia a paciência.
- Ai mãe, na boa, como você é babona! Você faz uma coisa direito e eu ainda tenho que te aturar! –bufa- Lá vai o seu beijo! –faz um barulho de beijo.
Emma ficou sorridente.
- Tchau.
Demi desligou o telefone e se sentou na cama. Ela e Madison sorriam, agora mais do que nunca.
- E aí? –perguntou Madison.
- Demais! Ela me botou em contato com um amigo que faz festas muito boas numa boate chamada “O Inferno”. Muito garoto vai lá.
- E daí?
- É boa demais –disse como se fosse “óbvio”.
- Mas o que tem isso?
- Você não entende, se você não vai ao “Inferno”, você não é ninguém!
Madison suspira, ainda confusa.
- Legal, ta tudo muito bonito, mas.. o que isso tem a ver com ajudar o Nick?
- Bom, você não viu quantos garotos e garotas tem nesse colégio? Todo mundo vai querer ir no “Inferno.” É a boate da moda –ri.
- Ah, muito bem, muito bem, eu fui mordida pelo cachorro e você ta com raiva? –perguntou Madison, irônica.
Demi ficou confusa.
- Porque?
- Como porque? Porque você está maluca!
- Maluca? –disse Demi, sorrindo- Então eu vou te morder! –abre a boca e imita um rugido, e tenta morder Madison, a qual foge da cama, rindo.
Sala do diretor – Upper East Side – 17:45 P.M
- Cafezinho?- pergunta Ethan ao professor John, que acabava se de sentar.
- Sim, por favor- agradece John.
Ethan serve o café e se senta.
- Olha, eu mandei chama-lo porque preciso que tenha mão firme com a aluna Demi Lovato.
- Hmm, eu não entendi bem. O que quer dizer?- perguntou, confuso.
- Acho que fui suficientemente claro. Terá que cuidar da Demi Lovato. Açúcar?- ofereceu.
- Não, obrigado- suspirou o professor- Mas eu cuido de todos os meus alunos, senhor Johnson. Não faço distinções.
- Não, tudo bem, ninguém está falando de distinções, é outra coisa. Essa menina é nova, e estou sendo muito tolerante com ela.- tomou um pouco de seu café.
- É?
- Mas acho que tudo tem um limite.
John sorriu.
- Isso é verdade.
- Está vendo? Concordamos, professor- sorriu- Quero que você me ajude pra que ela entenda as normas desse colégio.
- Ér.. ela é muito inteligente, eu acho que entende perfeitamente.
- Perdão, professor. O problema com essa menina é que.. não vem de uma casa normal. –sussurra- Entendeu?
- Não –sorriu o professor- O que é uma casa normal?
Ethan fechou seu sorriso, vendo como John era debochado.
- É onde falta disciplina, ela tem o vírus da rebeldia e temos que vacina-la! –exclamou o diretor.
- Me desculpe, mas eu não vim aqui pra vacinar ninguém!
Ethan sorriu forçado.
- Você como professor dessa instituição sabe que nossa especialidade é mudar os instintos rebeldes, não é? Até corrigi-los.
- Sabe o que é? É que eu tenho que preparar uma aula. Com licença –se levanta.
- Vá, pode ir –se levanta também e aperta a mão de John- Mas por favor, lembre-se de tudo que conversamos, professor.
- Claro.
- Boa tarde.
- Boa tarde –retribui e sai da sala. 

Quarto de Selena – Upper East Side – 18:00 P.M 
Selena se deitou na cama, de bruços, enquanto Isabella a fazia uma massagem nos ombros.
- Quer saber? Ela nunca foi sincera –disse Isa.- Eu disse, é uma falsa! Eu não acredito que você considerava ela sua amiga.
- Eu não sei, acho que devia escutar você.
- Todo colégio fala mal dela. E tem mais, tem uma fama! Eu fiquei sabendo que os meninos chamavam ela de carroça, sabe porque? –ri.
- Não.
- Porque qualquer boi puxava! –Isabella riu.
- Ai Isabella, não fica me contando isso! Essas coisas são fofocas, não me interessam. 
- Mas deviam! Olha, você concorda que se ela ficar no grupo vai prejudicar a todas nós?
- Mas porque? Olha, a Emily pode sair com todo o colégio se ela tiver afim. O que me aborrece é que ela ficou falando mentira, isso é o que me irrita muito.
- E outra que tem cara de mosquinha morta é essa Miley. A qualquer momento, BUM! Não acha? Te dá uma apunhalada pelas costas.
- Isabella, é claro que não! A Miley não vai fazer mal a ninguém.
- Olha, no seu lugar, eu jamais daria as costas pra ela.
- Olha, o que eu vou fazer é transformar a Miley numa menina como nós. Uma senhorita, princesinha da sociedade! É o meu projeto esse ano e eu já repeti isso em todos os idiomas.
- Eu acho que isso vai ser muito difícil.
- Não. O que vai ser muito difícil é fazer com que deixe de ser amiga da idiota da Demi, mas eu vou conseguir!
Selena se levanta da cama.
- Aonde você vai? –perguntou Isa.
- Eu vou procura-la!
- Até isso?!
Pátio, Upper East Side
18h10min

- Chloe, o que é isso? –perguntou Selena ao seu aproximar de Chloe e Madison, que distribuíam papeis no meio do pátio. – Outra carta anônima?
- Não, são convites pra uma festa.
- Festa? Quem ta organizando? –pega um folheto.
- Demi!
- Ai, que nojo! O que aquela idiota quer agora? –começa a ler- “Bem vindos ao Inferno. Bebidas, músicas e algo mais. Na sexta feira.” Ai, como ela é burra! Como sexta feira? Isso é impossível.
- Porque?
- Chloezinha, estamos em um internato, querida.
- Eu sei, mas a Demi está organizando uma fuga coletiva.
- O que? –ri- A idiotice dela não tem limites, não é? Fala sério!
- Não, não fica azarando a idéia, é por uma boa causa.
- Que boa causa? –retorna a ler- “Requisitos para entrar: canetas, livros, qualquer material de escola.” Ah, ela quer fazer uma arrecadação pra fazer uma cirurgia plástica! Deve estar querendo colocar o que a gente tem de sobra. Mas por não ter dinheiro, ela tem que juntar!
- Quer saber? Eu acho uma idéia sensacional.
- Ah é? Eu acho o contrário, a idéia mais burra dessa Demizinha!
- Não, a gente devia ir, sei lá.
- Você é a primeira da lista, não é?
- Tudo bem, fica com isso! –dá um folheto pra Sel- Eu quero ver você lá!
- Ah, pode deixar, eu já to na porta! –fala irônicamente.

- E aí, gatinha, eu quero falar com você um minuto! –disse Logan, chegando em Selena.
- Pode falar.
- Acontece que eu estava vendo essa propaganda e na hora eu pensei: Selena tem que ir com Logan, e Logan obviamente tem que ir com Selena. Então eu pensei, o que a gente vai fazer?
- Querido, olha só: você sabe que eu faço muitas obras beneficentes, mas.. eu faço tipo, almoços internacionais da Cruz Vermelha, coisas assim. Não é nada pessoal, mas isso aqui –aponta pro folheto- problema é seu se for! Sério, quem organizou foi a Demi. Foi mal, Logan, mas fica pra próxima!

- Escuta, Madison. Sabe onde eu posso encontrar a Miley? – perguntou Selena.
- Sim. Na casa dela.
- E quanto tempo ela vai ficar na casa dela?
- Olha, não sei, mas acho que vai ficar pelos próximos 50 anos.
- Como?!
- É que ela não agüenta o ambiente desse colégio. Aqui tem muita garota fresca.

Continua.

Depois da Chuva - 86

“Acho que esqueceram de me dizer que faz parte do amor esses ataques emocionais no meio do dia. É uma dependência de você que chega a me assustar. E chega a ser estranho também, esse modo esquisito de te querer loucamente a cada segundo do meu dia.” — Giovanna, Bullyss. 

 Jacob, mais uma vez, esperava por Emily no porão, nos fundos da escola. Os dois ainda continuavam com esses encontros as escondidas, e Jacob pensava se algum dia eles iriam ser flagrados... mas quando estava com Emily nada mais importava. Não sabia se estava se apaixonando pela patricinha, mas seus problemas sumiam de sua mente quando se encontrava ao lado da mesma. Emily entrou no porão, e Jacob se levantou. Observou a garota enquanto se aproximava: seus cabelos loiros e curtos davam um certo charme, e seu sorriso era magnífico.
Jacob: Ah, Emily.. eu não sei qual é o meu problema.
E, em um instante, já agarrava a garota pela cintura e a beijava com precisão, com vontade. A mesma soltou um enorme sorriso enquanto beijava o amante, sempre com bastante mordidinhas e carinhos.
Jacob: Eu precisava te ver.. não consigo mais parar de pensar em você.
Emily: Comigo é a mesma coisa, eu fico o tempo todo pensando em você.
Jacob suspirou, beijando a garota mais uma vez.
Jacob: Eu falei com o Joe.. ele não pretende terminar com você.
Emily: Não se preocupe, vou dar um jeito dele me mandar pro inferno.
Jacob: Tá, mas.. não é fácil dizer a ele de uma vez.
Emily: É, eu sei, mas.. acho que vai dar confusão entre vocês e..
Não terminou a frase, pois Jacob não resistiu ao sorriso lindo e perfeito da garota, a agarrou mais uma vez, não conseguindo resistir a tentação. Emily se separou.
Emily: Ele vai descobrir que eu troquei ele por você e aí você vai se dar mal.
Jacob: (suspira) Você tem toda razão, então..
Emily: Vamos devagar! Eu vou ficar toda ignorante e fria com ele, não se preocupe, o Joe é tão orgulhoso que ele vai me mandar pro inferno - sorriu e beijou Jacob.
Jacob: Tá, e enquanto isso?
Emily: - beijando o garoto - A gente vai continuar se encontrando escondido.
Jacob sorriu em meio aos beijos. Não gostava de ter que ser obrigado a esconder Emily dos outros, mas era preciso. Em tempos, não acreditava que podia ser capaz de trair o melhor amigo, mas quando estava com Emily, esse sentimento de culpa desaparecia totalmente. A carne era mais forte do que a confiança e a lealdade. O coração também o comandava.. então ele não se importava com isso, pelo menos quando estava com Emily, sendo guiado pelo seu veneno.
Jacob: Eu quero ficar com você o tempo todo - disse, apaixonado - Eu não vou te deixar. Eu vou pegar leve.
Emily: - sorrindo em meio aos beijos - Quanto menos a gente se encontrar, mais o desejo vai aumentar.
Jacob sorriu, imaginando tantas e mais tantas fantasias com Emily. O garoto a beijou com mais vontade, passando os beijos para seu pescoço. Logo mais, os dois estavam deitados sobre a cama, com roupas íntimas e trocando carícias. Jacob remexeu no bolso da calça a procura de camisinha, enquanto Emily arrancava o resto de pano que ainda tinha. E ali, mais uma vez, eles tiveram um momento sexual selvagem, e Jacob já ficava louco de desejo ao imaginar a próxima. Pra Emily era só uma transa, é claro.

Refeitório - Upper East Side, 14:00 P.M
Joe: Não sei do que está falando. (disse ele á Demi)
Demi: Ah, não sabe? (levantou as sobrancelhas) O seu paizinho não te contou que mandou ameaçar a gente? E ainda que soltou um monte de cachorros? Olha pra ela! - apontou para Madison, que estava atrás dela.
Demi bufou, olhando com nojo para Joe. Ele olhava para as garotas com um olhar de desprezo. Demi balançou a cabeça e saiu, acompanhada por Madison. Joe bufou, quase prestes a pular no pescoço de Demi. "Fechou o tempo, hein" disse um garoto, batendo no ombro de Joe.
Selena: Ah, não liga pra ela - se aproximou de Joe.
Joe: Eu não sei do que ela tá falando! - gritou - Eu não mandei meu pai fazer nada!
Selena: Bom, eu sei mas... Vem cá, não tinha que estar com a Emily?
Joe: Não - juntou as sobrancelhas.
Selena: Você não mandou uma carta chamando ela? - perguntou, confusa.
Joe: Claro que não. 
Selena arregalou os olhos, e os piores pensamentos se passaram em sua cabeça.
Selena: Ah... Eu acho que me confundi - riu, nervosa.

Sala do diretor - Upper East Side - 15:25 P.M
Ethan: Obrigado, senhor secretário, e como eu já disse, esqueça a Demi. Cuidarei pra que ela não incomode mais. E só pro senhor saber...
Joe: - entrando na sala - Pai! - Alex se virou pra ele na porta - Preciso falar com você! A sós!
Ethan: - ri - A vontade. Pode usar a diretoria, por favor. Fiquem a vontade. - se encaminha até a porta - Com licença. - e sai.
Joe: Pai, porque se meteu com a Demi?! - gritou, se sentando na cadeira.
Alex: - frio - Temos que corrigi-la! E espero que você faça.
Joe: Eu ia fazer da minha maneira, pai.
Alex: Tudo bem, mas qual é a sua maneira? Batendo nela? - levanta as sobrancelhas - Joe, você não tem inteligência! O primeiro passo para ganhar uma batalha é conhecer o seu adversário, depois agir.
Joe: - bufou, estressado - Pai, conheço ela muito bem!
Alex: - ri irônicamente - O que você sabe? Você não sabe nada. Tem que estudar bem os passos, conhecer ela. Eu proíbo você de se aproximar dela. Está ouvindo? Estou falando com você!
Joe: Tá bom, tá bom, pai! - grita - Eu estou escutando! Mas não concordo com o que diz. Esse é o meu mundo! Por favor, não se meta, eu sei como resolver!
Alex: - balança a cabeça, debochando - Ah Joe... Joezinho... Olha o que acontece quando você resolve. Uma mulher está atormentando você! Então não me venha com reclamações. – suspira, dando uma tragada no cigarro – A propósito, estude! Você precisa muito. Estude.
O pai de Joe saiu da sala, enquanto o mesmo quase se difurcava de raiva. Como podia ter um pai tão desprezível? Um pai que nem ao menos confiava nele, sabia que ele capaz de fazer algo. Joe sofria com isso, mas não podia fazer nada. Tinha medo do pai apesar de tudo. E agora que estava proibido de chegar perto de Demi, tudo iria se tornar mais difícil.
Joe: Você vai ver que vou resolver isso sozinho! – grita para si mesmo. – Vou cuidar da Demi! Ela vai ver. 

Quarto de Demi – 16:00 P.M
Madison: AI! (gritou quando Demi mexia em seu curativo)
Demi: Calma...
Madison: Não... Espera... Não... (bufa) Eu prefiro agüentar um pouco a dor a deixar que apanhassem o Samuel.
Demi: Eu sei, mas é sério, muita coragem a sua, eu não ia querer ser mordida por cachorro nem em sonho!
Madison: Não, a dor física a gente agüenta. Mas... a outra não! – se senta na cama – Eu sei como são os centros pra menores, amiga. E... eu juro que eu faria qualquer coisa pro Samuel não parar lá!
Demi: (suspira) Você me surpreende de verdade. Não sabe como.. como eu te admiro.
Madison: Ta bom, mas agora é melhor a gente virar essa página porque eu não desejo a ninguém o que eu não quero pra mim! E isso é tudo, já passou. Melhor assim, não é?
Demi: É, você tem razão e.. tem ainda o Nick e tem ainda a Miley, que..
Madison: Não, não, a Miley nem é bom mencionar! Fugiu como uma covarde! É melhor se preocupar com o Nick, tem alguma idéia?
Demi: (sorri) É óbvio!

Quarto de Selena – 17:30 P.M 
Emily chega ao quarto, sorridente. Selena a observa, ainda desconfiada.
Selena: E aí, Emily. Como foi com o Joe?
Emily: Ah, como sempre maravilhoso! Toda vez que eu fico com ele, eu fico louca! (ri)
Selena: (irônica) Escuta, como se sente tendo um namorado virtual?
Emily: O que você quer dizer com isso?
Selena: É que o Joe estava comigo, Emily! E a não ser que tenha um clone, não sei como ele fez pra estar em dois lugares ao mesmo tempo. (Emily suspira) E ele também me disse que vocês não tem nenhum encontro! Emily, com quem você estava?!

Selena: Porque está mentindo pra mim?! Porque disse que ia se encontrar com o Joe?
Emily: Porque eu não posso te contar com quem eu estava até agora! (grita)
Selena: Tudo bem, eu pensei que éramos amigas!
Emily: Mas nós somos! O fato de eu não querer dizer com quem eu estava até agora não quer dizer que nós não somos amigas!
Selena: Não, Emily, me perdoa. Mas você e eu não vamos poder continuar sendo as mesmas. Porque duas amigas, como éramos você e eu, Emily.. não ficam mentindo! (sai do quarto)
Emily: Selena, espera, por favor!

 Continua.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Depois da Chuva - 85

“Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu, contemplar uma estrela e imaginar que muito distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: ‘Que Saudade’” — Bob Marley.

 Nick acaba de sair da casa de Gomez, mais decepcionado do que quando havia entrado. Estava impaciente naquele dia, não queria saber de conversas muito longas e principalmente frente a frente com Jayden. Para se azar, um carro se aproximava da entrada da casa enquanto saía e sua cabeça pesou quando viu jayden saindo do carro.

- Como está, Nick? - perguntou ele enquanto saía do carro. - Meu motorista me ligou e disse que você havia saído. Quero falar com você.

Nick suspirou, baixando os olhos.

- Olha, senhor... se é por causa daquele outro dia, eu já disse que sinto muito, mas...

- O que? - perguntou Jayden, erguendo as sobrancelhas.

- Já tive muitos problemas e...

- Pois então vou te dar um outro problema - falou Jayden, se encostando no carro. - Preciso de alguém que organize as coisas pra mim. A secretária não dá conta. Você quer trabalhar pra mim?

Nick piscou os olhos várias vezes, pasmo.

- É sério?! - perguntou, incrédulo.

- É claro! - respondeu Gomez. - Você quer?

Nick sorriu.

- Claro que sim! - respondeu. - Mas... acontece que... o problema...

- O que é? - perguntou Jayden.

- Como eu vou conseguir autorização da escola pra sair?

Jayden suspirou e se desencostou do carro.

- Eu tomei a liberdade de conversar com o diretor. Ele concordou em autorizar você a sair um dia por semana - respondeu ele enquando dava as chaves ao porteiro. - Além do fim de semana. É óbvio que o mérito é só seu. Prezaram suas boas notas e o seu bom comportamento.

Nick juntou as sobrancelhas, ao mesmo tempo maravilhado. Jayden fazia as coisas sem nem ao menos Nick descobrir, ele descobria coisas que Nick jamais pensava. Isso era bom, mas também muito ruim... ruim demais.

- Então... pode contar comigo, senhor Gomez - Nick abriu um grande sorriso.

- Tá bom - Jayden deu um sorrisinho. - Me chame de Jayden!

- Jayden... - Nick balbuciou. - Vai ser meio complicado no início.

Jayden deu de ombros.

- No início, depois acostuma - os dois riram.

- Bom... - começou Nick.

- Só tem um problema! - interrompeu Jayden.

Nick olhou pra ele, sério, esperando a resposta.

- Selena! - respondeu Jayden.

Ao ouvir o nome da garota, Nick sentiu embrulhos no estômago. Estava tão contente que seu plano havia progredido, agora estava cada vez mais perto de Jayden e de sua vingança, mas algo tinha que dar errado. Ou melhor, alguém. Se convivesse com Selena, iria ser uma guerra sem armas na certa. Os dois não se suportavam.

- Acho que ela não vai ficar feliz quando souber - falou Jayden.

Nick bufou, baixando os olhos. De maneira alguma poderia falar algo de mal de Selena na frente do pai. Teria que se mostrar um garoto bondoso na frente de Jayden, o mais bondoso e amável que poderia conseguir. Então, ele apenas concordava.

- É... - suspirou Nick, levantando a cabeça. - Senhor Gomez, não se preocupe... perdão, perdão! Jayden! - ele riu. - Com o trabalho, eu vou fazer com que ela mude de opinião.

Jayden bufou, tirando os óculos escuros.

- Por enquanto eu prefiro que ela não saiba da história - falou.

- Ok... - concordou Nick, em um sussurro.

- Eu acho muito inteligente o que acabou de dizer. Eu gosto de empregar pessoas que sabem resolver as situações que aparecem.

Nick abriu um enorme sorriso. Sentia-se orgulhoso dele mesmo naquele momento. Havia conseguido o que tinha batalhado a tempos. A vingança que pretendia jogar pra cima da família Gomez começava a avançar. Era tudo o que ele mais queria, e estava valendo a pena. Baixou os olhos e viu a mão de Jayden estendida a ele e, como um rompante, apertou aquelas mãos, em um ato de pura parceria.

- Muito obrigado - agradeceu Nick.

Jayden abriu um sorriso. Tinha se orgulhado daquele garoto em tão pouco tempo de convivência, havia se enturmado em seus pensamentos. Admirava a força de vontade do garoto, a força que ele tinha de ser alguém na vida. Mas Jayden jamais imaginava o propósito real de Nick. Ele não imaginava que Nick queria mesmo era destrui-lo, ele e toda a família pela morte do pai. Ele não imaginava a vingança. E Nick, todavia, mostrava um sorriso de puro veneno, olhando firmemente para os olhos de Jayden. O plano avançava, e o desejo de vingança de Nick se tornava mais e mais forte.


Demi e Madison caminhavam entre os arredores mais ostis do colégio, indo novamente áquele caminhão velho que se encontrava Samuel. Demi se lembrava muito bem da última vez que havia estado lá, e precisava tomar sérias decisões sobre isso. Dessa vez levava Madison pra ver se melhorava algo com aquela situação. As duas andavam pelas estradas de terra, sujando suas botas de uniforme e suavam com o sol quente.

- Não pode ser! - falava Demi enquanto as duas caminhavam. - Ainda mais com o trabalho que teve pra entrar no colégio. Na boa, o que deu na Miley? Quem botou essa ideia na cabeça dela?

- Ué, como eu vou saber? - disse Madison. - Eu não acho que o que eu disse tenha a ver com isso. E também não foi tão grave assim.

Madison suspirou ao lembrar das brigas contínuas que teve com Miley. Mas seus pensamentos foram barrados pelo grito que Demi dera, ao quase socar a barriga da amiga ao fazê-la parar no meio da estrada estreita. A frente, se encontrava um enorme cachorro, rosnando e rangendo os dentes.

Madison podia sentir a tremedeira de Demi ao seu lado.

- Calma aí, cachorrinho - falou Madison, calma. - O que está fazendo aqui?

O cachorro avançou ainda mais pra elas, rangendo os dentes e latindo.

- Calminha, calminha garoto, eu não to com medo! - gritou Madison.

- Espera, você ficou maluca? - gritou Demi, arregalando os olhos.

Em seguida, as garotas ouviram passos. Vários passos. E de imediato avistaram a sua frente homens de preto, homens enormes e sérios, correndo até o cachorro. Agarraram o cachorro com as próprias mãos e o colocaram em uma coleira enorme. Madison e Demi observaram muito bem quando Alexander Walker surgiu entre os homens, como se fosse um imperador.

Os olhos de Demi e Alex se encontraram, com bastante desgosto.

- Posso saber o que as duas fazem nesse terreno? - perguntou ele, fumando seu inseparável cigarro.

O sangue de Demi subiu só de ouvir a voz anasalada de Alex. A última conversa que tiveram não foi tão prazerosa assim.

- Imagino que o mesmo que o senhor, só que sem os cachorros - respondeu Demi, resgatando o tom de deboche. - Passeamos.

Alex de um sorriso cínico.

- Que resposta interessante... muito simpática - falou ele. - Nesse terreno não se pode passar. Isso é proibido.

- Hmm... - Demi deu um mega sorriso falso e cruzou os braços. - Nós duas não sabíamos, porque somos novas aqui. Não é verdade? - se virou pra Madison.

Alex se aproximou das garotas antes mesmo de Madison ter a chance de falar.

- Sabe porque trouxe esses cachorros? - perguntou Alex, dando uma tragada no cigarro. - Para provar que o meu filho não mentiu! Se ele disse que tem um menino por aqui, tem que estar escondido. Esses cachorros vão conseguir encontrá-lo!

Demi e Madison tremeram dos pés a cabeça. Agora não tinham resposta alguma a dar. Samuel estava escondido naquela região, e se o pegassem, seria o fim. Tudo acabaria. Demi se sentia um lixo por ter de ficar quieta a frente de Alex. Odiava aquele olhar astuto e cínico do político, odiava seu jeito de ordenar e de exigir. Até de pessoas que ele não tinha direito. E é claro, era frio. Sem coração.

- Soltem os cachorros! - ordenou ele.

Em meio segundo já podia se ver os cachorros correndo em alta velocidade pela estrada a frente e pelo matagal ao lado, latindo como famintos. Os seguranças corriam atrás, pra não se perderem ou perderem qualquer outro vestígio. Alex deu um sorriso diabólico a Demi e deu as costas, caminhando pela estrada, tragando seu cigarro sendo seguido pelos seus seguranças enormes.

Quando desapareceu de seu caminho, Demi podia jurar que quase chorava. Ela e Madison se olhavam aflitas, sem saber o que fazer.

- Ah não - sussurrou Madison.

Demi tapou a caneça com as mãos, desesperada.

- Se aquelas feras encontrarem o Samuel, não sei o que vão fazer! - gemeu.

- Não, não, não! - gritou Madison. - Nós temos que fazer alguma coisa, e rápido!

- Eu não consigo pensar em nada! - gritou Demi, seus olhos já começando a ficar lacrimejados.

- Pensar que nada, nós temos que agir e logo! Anda, Demi, vem! - gritou Madison, puxando pelo pulso de Demi e puxando a garota pela estrada.

- Mas espera, onde você vai?! - perguntou Demi, se soltando.

- Anda, corre! - gritou Madison, correndo a frente na estrada.

- Onde você vai? Menina, tá maluca? ONDE VOCÊ VAI? ME ESPERA! - berrou Demi, correndo atrás de Madison.


Chegando ao caminhão de Samuel, Demi e Madison olharam para os lados, percebendo que nenhum segurança do Walker ainda se encontrava naquele lugar. As duas saíram de trás dos arbustos ao ver que a área estava segura. Suas roupas estavam sujas e seus joelhos estavam completamente ralados. Demi havia prendido o cabelo e estava com um leve corte na mão enquanro Madison estava com leves cortes pelo rosto e um pior na testa. Estavam sujas e cansadas, mas não iriam desistir.

Após sair do esconderijo, as duas se aproximaram o mais rápido possível do caminhão, mas param de repente ao ver que um dos cachorros de Walker estava na porta do caminhão, vasculhando alguma coisa. A tremedeira de Demi havia voltado.

Madison bufou.

- EI! EI! FORA! - gritou Madison, avançando para o cachorro.

O cachorro se virou para Madison, e começou a latir. Ela pegou um pedaço de galho que havia encontrado no chão e começou a avançar para o cachorro novamente.

- FORA DAQUI!

Demi observava de longe quando tudo aconteceu. Madison tiçava o cachorro, ameçava com um pedaço de madeira. De repente, em um impacto, o cachorro saltou pra cima de Madison, a jogando no chão, subindo em cima da própria. Demi soltou um grito de horror e um grito de pavor. As lágrimas em seus olhos começavam a correr. O cachorro - que mais parecia um lobo enorme - arranhava Madison no rosto e nos braços. Sua camisa de uniforme já estava rasgada e o cão a arranhava e deu uma mordida em sua perna, enquanto Madison gemia de dor e gritava apavorada. "NAAAAAAAAAAAAAAAAO", Demi gritava, chorando. Se sentia incapacitada de fazer alguma coisa, se sentia incapacitada de ajudar. Parecia que não podia ajudar a amiga de modo algum.

E por fim, Madison estava deitada no chão, seu corpo sangrando.


No quarto de Selena, ela e as amigas se encontravam conversando sobre o mesmo assunto do almoço, das preocupações em sinal. Selena estava em seu notbook na escrivaninha, enquanto Emily se sentava na escada e Isabella na cama.

- Essa nova aparição da Seita me deixa grilada, eu tenho medo de que façam alguma coisa contra mim - comentou Emily, ainda intrigada com aquela história.

Isabella bufou.

- Tomara que façam alguma coisa. Mas contra a idiota da Demi!

- Ah meu Deus! - bufou Selena, se levantando da escrivaninha e se virando para Isabella, impaciente. - Como pode dizer isso depois do que fizeram com o seu namorado?

Isabella juntou as sobrancelhas, confusa.

- Você é a favor da Seita? - perguntou Selly.

- Não! - gritou Isabella, arregalando os olhos. - Mas essa menina merece isso. O Nick não!

Selena bufou, balançando a cabeça.

- Olha, esse grupo não seleciona as vítimas! Isso é pior do que cabelos brancos aos 30 anos, não deviam nem existir! - concluiu Selly.

- Mas não é só preto ou branco - falou Isa. - Também tem grisalho.

Selena olhou pra Isa, incrédula.

- Não acredito que você apoia essa monstruosidade, francamente!

Isabella suspirou, pegando um chocolate que estava em seu colo e o comendo.

- Tudo bem, desculpa - falou ela enquanto comia. - Mas é que eu não suporto essa imbecil da Demi, eu, eu... aff! Eu não suporto ela!

Selena suspirou, baixando os olhos e ajeitando os belos cabelos encaracolados. De repente as garotas ouvem batidas na porta.

- Vê quem é - falou Selena para Emily.

Emily correu até a porta, abrindo-a. Mas não encontrou ninguém.

- Não tem ninguém - disse ela, fechando a porta.

As garotas apertaram os olhos pra um bilhete no chão, logo na soleira da porta.

- Pega isso! - falou Selena, apontando para o papel.

Emily se abaixou e pegou, e logo abriu um grande sorriso.

- Diz que é pra Emily! - bradou ela. - Que sou eu.

- Ah, que bom - sorriu Selena. - Quem deve ser?

Emily abriu o envelope.

- Ain, é do Joe - respondeu Emily, fazendo biquinho.

- Ah, que romântico! - gritou Selena, sarcarsticamente.

Emily riu e caminhou até a escada.

- Meninas, eu tenho que tomar um banho!

- Ui, parece que vai ser um contato imediato - comentou Isabella, sorrindo.

- E bota imediato nisso! - gritou Emily e entrou no banheiro;




Madison já estava na enfermaria, acompanhada do senhor Walker e do diretor Ethan, que já havia sido avisado. Sua perna estava horrível: a doutora fazia um grande curativo na parte inicial de sua coxa. Demi também havia estado ali antes, mas apenas para fazer um curativo na testa, perto da sobrancelha.

- Tem que trocar o curativo todos os dias, e lavar a ferida - falava a doutora enquanto dava o toque final no curativo de Madison. - Se sentir incômodo no ferimento, por favor, tome um desses comprimidos a cada 6 horas - esticou uns remédios nas mãos de Madison.

- Claro - agradeceu Madison, pegando os remédios.

- Obrigado, doutora - agradeceu Alex, sorrindo.

- De nada.

- Meus cachorros estão vacinados - afirmou Walker, e se virou para Madison. - Por isso a senhorita não corre nenhum risco.

Madison o encarou, tremendo de fúria. Agora sim entendia o que Demi sentia ao ver o rosto do político.

- Ah sim, o único risco que eu corro é que da próxima vez me arranquem um pedaço da perna, não é? - falou a garota, debochada. - Não é possível que ajam cachorros assassinos na escola! Ou então, sei lá... - virou-se para Ethan. - Eu posso ligar pra algum amigo jornalista, como me aconselhou minha amiga Demi!

Ethan e Alex se encararam, muito ferozmente. Os dois agora ficavam tensos. Apesar de tentar acabar com tudo, sabiam muito bem do que Demi era capaz. E se não era capaz de fazer, sabiam do que ela podia fazer pra mandar alguém (ou simplesmente insinuar).

Teriam que trabalhar bastante pra pelo menos dar um jeito em Madison, ou quem sabe em Demi mesmo.

- Olha - disse Ethan, rindo forçado. - Mantenha a calma, filha. Como responsável do colégio, eu vou cuidar diretamente desse assunto. Além disso, o senhor Walker já retirou os cachorros.

- Mas é claro - confirmou Alex. - É claro que sim. Eu não vou expor mais nenhum aluno a uma situação de risco.

Madison olhava de Alex para Ethan. Dois cúmplices, duas pessoas de puro veneno. Quem não conseguia ver ou enxergar isso? Os dois sorriam forçado um para o outro, mas Madison entendia o que eles queriam dizer. Se ela mexesse um dedo na situação, os dois caíam.

- Hmm, posso acompanhar o senhor? - perguntou Ethan á Alex, um sinal de que precisavam sair daquela sala imediatamente.

Alex olhou para Madison, e afagou o seu cabelo por alguns instantes.

- Com licença - pediu ele, e se afastou com Ethan para fora da sala.




- O senhor sabe, não é? - sussurrou Ethan ao senhor Walker, quando já estavam fora da sala. - É um assunto delicado, e se isso tivesse acontecido com outro tipo de aluna, o colégio poderia ter enfrentado um processo. Por isso, bom... é... eu gostaria que... se fosse possível...

- Sim, sim - interrompeu Alex, acendendo um cigarro. - Eu entendo perfeitamente. E esse menino?

O diretor juntou as sobrancelhas, quase gelando. Tinha medo das palavras de Alex, do que poderia mandar ou exigir. Ethan sabia muito bem que Alex se referia ao desconhecido Samuel.

- Se o meu filho disse que tem um menino, é porque está em algum lugar - afirmou Alex, dando uma tragada em seu cigarro. Ethan começava a hesitar. - Alguém está escondendo ele, não acha?

Ethan bufou, tentando encontrar as palavras.

- Hmm, eu vou cuidar pessoal para que ele apareça - falou ele, dando um sorriso amarelo. - E quanto á Demi, não se preocupe, eu vou falar com ela. Fique tranquilo. Ficará tudo sobre a minha responsabilidade.

O senhor Alex deu um grande sorriso, o máximo que podia dar que era sem mostrar os dentes. Depois, deu mais uma tragada em seu cigarro, o final, e o jogou no lixo ao lado, se retirando de perto de Ethan, saindo da enfermaria. Ethan bufou, quase suando frio. Estava metido nisso, estava macumulado com Walker, agora já não tinha mais pra onde correr.




No salão de Olívia, sua sobrinha Miley já havia chegado. Olívia fazia as unhas de uma mulher, enquanto Miley voltava de sua casa, se sentando ao lado dela.

- Pronto, a Abigail já está dormindo que nem um anjinho - falou Miley, sorrindo. - Como é bom sentir o cheiro do salão de novo!

Olívia riu.

- Depois de passar 20 anos, de pé 12 horas por dia, você vai ter enjoô - disse ela.

- Ah, mas eu gosto muito desse trabalho - sorriu Miley. - A gente deixa as pessoas bonitas, elas ficam contentes.

- Prontinho! - disse Olívia á mulher que acabara de fazer as unhas.

A mulher sorriu, se levantando.

- Você deve ter troco - falou ela.

- Eu recebo pra senhora, venha por aqui - disse Miley, indo até o caixa, sendo seguida pela mulher.

Miley foi pra trás do caixa.

- Ah, Miley... você tem um coração de ouro - disse a mulher, abrindo a bolsa, pegando uma nota altíssima de dinheiro e estendendo á Miley. - Cuide dele. Não deixe ninguém roubá-lo!

Miley olhou confusa para a mulher, e a olhou se despedir de todas no salão e saindo pela porta da frente. Miley olhou para a nota em suas mãos e ficou confusa. Depois, guardou o dinheiro em seu bolso e foi até sua Olívia, dando um beijo em seu rosto.

- Como é bom estar em casa outra vez - disse ela, sorrindo.

Olívia permaneceu séria.

- Essa não é a sua casa! - falou ela, desviando os olhos de Miley. - Sua casa é aqui ao lado! Onde sua mãe não sabe diferenciar a filha doente da saudável, onde você vai passar os melhores anos entre médicos e remédios... onde provavelmente vão acabar atrofiando parte da sua capacidade, como sua vida.

Miley ficou estática, apenas olhando Olívia se levantar e andar pelo salão. Agora o estabelecimento se encontrava vazio. Olívia mantinha os olhos marejados, e Miley balançava a cabeça. Sabia que a tia não concordava de Miley querer cuidar para sempre de sua irmã, e esquecer de seu futuro, de ter um bom estudo.

- Você nunca tinha falado assim - disse Miley.

- Não - concordou Olívia. - Nunca tinha sentido tanta dor nos pés e nos ossos.

Foi aí que Miley percebeu. Olhou de sua tia de cima a baixo e percebeu que ela já não era a mesma que a tinha visitado no Upper East. Seus cabelos, que antes eram sedosos e cuidados, estavam desgastados, maltratados. Ela mancava, aparentemente com muita dor, e agora se encaminhava á porta. Miley ficou sem reação. Não sabia daquilo. A tia estava doente, era fato. E agora mais um peso pesava em suas costas. Passou a vida inteira ouvindo da tia que não devia gastar sua vida cuidando de sua irmãzinha doente, e agora quem se encontrava nessa situação era ela mesma. E Miley, como sempre, estava saudável!

Seus olhos começaram a lacrimejarem, em um ato de peso. Correu até a mesinha de cabeceira mais próxima, ao retrato de Abigail.

- Qual é o meu lugar, Abigail? - disse ela ao retrato, as lágrimas começando a surgir. - Qual? Se não é aqui e nem no colégio, não tem lugar pra mim!

Olívia ouvia Miley, as lágrimas correndo desesperadamente, e um misto de sentimentos horríveis se passavam dentro de si.




Continua.

domingo, 14 de outubro de 2012

Depois da Chuva - 84

 “Se te criticam é porque você é alguém.” — Emma Watson.


  Em seguida, os garotos seguiram rapidamente para o quarto de Nick, alguns até fazendo brincadeiras, mas nem imaginando o grau da situação. Abrindo a porta, se depararam com uma bagunça tremenda entre os livros de Nick, todos jogados pelo chão, rasgados e espalhados. Um silêncio mortal reinou ali naquele momento.
 Nick caminhou até a cama em silêncio, sério, enquanto os outros garotos ficaram parados no mesmo lugar, grudados na soleira da porta, apavorados. Nick olhou atentamente para a pedra de seu pai e a corrente de prata no chão, que não havia usado ela naquele dia. Ele suspirava enquanto observava a cena, achando realmente que aquela Seita não estava de brincadeira.
 Em seguida, ele se virou para os garotos na porta:
 - Alguém pode me explicar isso? - perguntou ele.
 Os garotos permaneceram em silêncio constante, enquanto Aiden dava passos lentos para Nick, observando a cena.
 - Eu tô falando, alguém pode me explicar isso?! - berrou Nick, apontando para a bagunça.
 Novamente os garotos reinaram no silêncio, deixando Nick ainda mais furioso. O mesmo virou-se para a cama, bufando de raiva.
 - Não é possível isso... - murmurava ele. - Não é possível!
 - Fica frio, Nick, de repente foi alguém que não gosta de você - falou Aiden, se aproximando do amigo. - Fica calmo, não fica assim.
 Um dos garotos se aproximou da cama de Nick, tentando avaliar a situação de perto. Se aproximando da cama, ele observou um pedaço de cartolina dobrada preta, o que era muito estranho, para todos. O garoto de cabelo espetado e magrelo pegou o papel nas mãos, e todos voltaram a sua atenção a ele.
 - O que é isso aí? - perguntou Nick.
 O garoto levantou os olhos para olhar Nick e seus olhos estavam arregalados, apavorados, estáticos. Nick juntou as sobrancelhas... estava completamente confuso. O garoto não disse nada: suas mãos tremiam. Ele apenas virou o pedaço de cartolina nas mãos para Nick para mostrar o desenho que ali continha: o mesmo desenho do papel que Josh o havia entregado, a mesma marca da mão, a mão negra. Quando olhos bateram naquele desenho, todo ser que ali estava ficaram com o coração a mil, apavorados, com medo, muito medo.
 - Você é o escolhido - disse o garoto, tremendo.
 Nick rapidamente juntou as sobrancelhas, pegando o papel das mãos do garoto e olhando o desenho.
 - Escolhido de quê? - perguntou, furioso.
 Um garoto baixinho e gordo, que estava quase chorando de medo, respondeu:
 - Da Seita!
 Nick acolheu aquelas palavras, quase explodindo de fúria. De novo aquele assunto da Seita, de novo esse povo tentando botar medo nele por causa de um "boato" na opinião dele. Nick sentia raiva daquele povo por estarem com medo de uma coisa tão fútil, como ele pensava.
 - Daqui ninguém vai me expulsar! - disse Nick, cerrando os dentes. - NINGUÉM!
 Logo, Nick já corria pra fora do quarto, com o desenho na mão. Esava apressado e furioso. "NÃO, NICK!", gritou Aiden, apavorado, correndo atrás do amigo pelos corredores. "ESPERA, NICK!"

 - Não insista, Nick. Essa história de Seita não existe, isso é invenção - dizia o diretor Ethan enquanto ia pra sua sala, seguido pelo aluno.
 -  Quer que eu mostre como deixaram o meu quarto? - falou Nick, parecendo desesperado.
 Os dois chegaram a sala do diretor, e Ethan não estava mais aguentando as ladainhas que Nick contava, a história que havia acabado de narrar. Ethan bufou, se virando para o garoto ainda na porta.
 - Eu não disse que não tinha acontecido o que você me contou, eu me refiro aos responsáveis - o diretor deu de ombros. - Pra mim foi só uma brincadeira, ou uma vingança. Você fez algum bom amigo?
 Ethan não esperou o garoto responder e se preparou para fechar a porta na cara de Nick, mas o garoto colocou o pé na soleira prontamente, olhando para o diretor com perplexidade, como se fosse um monstro - o qual já julgava ser.
 - Fiz, fiz muitos amigos - respondeu Nick. - Mas olha só - ele remexeu em seu bolso, estendendo o desenho da mão negra para o diretor. - Os que fazem brincadeiras não deixam isso!
 O diretor bufou, olhando entediado para o papel.
 - Calma, Nick. Tudo isso faz parte do folclore, esquece o assunto! - falou o diretor, impaciente.
 Mais uma vez, Ethan tentou fechar a porta na cara de Nick, mas o mesmo novamente a empurrou.
 - Espera aí! - disse ele. - Quer dizer que não vai fazer nada?
 - Essas brincadeiras de mau gosto são muito comuns em colégios internos - respondeu o diretor, bufando.
 - Tudo bem, então digamos que não foi a Seita, pode ser outra pessoa, então o senhor poderia procurar o responsável.
 Ethan riu.
 - Nesse tipo de atitude, é muito difícil identificar os responsáveis.
 Nick passou as mãos nos cabelos, impaciente.
 - Tudo bem, então o senhor poderia tentar! - insistiu Nick.
 O diretor rolou os olhos. Queria Nick longe dali.
 - Está bem - deu um sorriso forçado. - Vou fazer o possível. Mudando de assunto, você tem uma autorização para se retirar, e pode sair a hora que quiser. Agora, se me permite... dá pra tirar o pé? - apontou para o pé de Nick na soleira da porta, ainda a segurando. - Tira o pé!
 Nick se afastou lentamente da porta, logo em seguida dando de cara com ela, pelo fato de Ethan ter fechado em sua cara. Nick bufou.

 No almoço, os alunos conversavam animadamente no gigantesco refeitório, principalmente na mesa de Selena, onde o assunto do momento era o trabalho de Demi. Mas não durou por muito tempo...
 - Selena! - gritou um garoto, se aproximando da mesa de Selena (onde se encontrava Isabella, Emily e Natalie).
 - Oi, Selena! - gritou o garoto gordinho que estava com Nick a poucos minutos atrás.
 - Toma! - disse o primeiro garoto, postando um grande prato de macarronada em frente a Selena.
 - Oi... é pra mim? - perguntou ela.
 - É - respondeu ele, sem graça.
 - Ah, obrigada!
 E em um rompante o garoto gordinho roubou um beijinho no rosto de Selena, fazendo o outro o olhar com certa raiva. Se despediram e saíram de perto de Selena, aos sussurros.
 As garotas na mesa riram com a cena.
 - Ah, eu to super preocupada - falou Isa, largando o livro que lia.
 - Ai, eu também - respondeu Emily. - É que com essa Seita... a gente nunca sabe o que fazer!
 - Fica fria! - disse Selly, pegando uma batata frita.
 E passando atrás da mesa de Selena:
 - Ah, esse povinho é muito hipócrita! - comentava Demi enquanto caminhava com Madison para uma mesa, a qual se encontrava ao lado da mesa de Selena. Guerra? - Não é possível, eles admitem bolsistas, mas calculam o material conforme a variação da bolsa, sei lá - disse enquanto se sentava.
 Isabella olhou de relance para Demi enquanto ela e Madison se sentavam, logo ao lado. Demi falava alto, que por um momento, todas na mesa de Selena pararam para ouvir.
 - Porque essa caminhoneira não cala a boca? - reclamou Selena, olhando para Natalie e Emily.
 Depois de 5 minutos, na mesa de Demi já se encontravam sentados Josh e Aiden, com o assunto polêmico sobre Nick.
 - Nick não vai poder comprar todas as coisas que destruiram - comentou Josh, se levantando, ficando ao lado de Demi.
 Demi bufou.
 - Por isso temos que pensar em alguma coisa pra ajudá-lo!
 - O Nick? - perguntou Aiden.
 Os ouvidos de Isabella se aguçaram ao ouvir o nome do garoto. Em um momento de espanto, se virou para a mesa de Demi.
 - Pois é - concordou Madison á pergunta de Aiden.
 - Nem á força ele aceitaria algum tipo de ajuda - disse Aiden.
 Demi riu irônicamente.
 - Mas que garoto bobo...
 - Não, na verdade é orgulhoso. O que temos que fazer é encontrar alguma maneira de solucionar alguma coisa...
 Aiden foi subitamente interrompido por Isabella, que havia se levantado.
 - A primeira coisa que deviam ter feito era perguntar se a namorada dele pode ajudar em alguma coisa! - gritou Isabella, cruzando os braços, encarando todos os rostos ali.
 Todos da mesa a olharam, surpresos e assustados.
 - Ih, quem abriu a porteira?! - gritou Demi, arregalando os olhos. - As vacas estão fugindo!
 Como era esperado, o restante da mesa riu, ao ver a piadinha de Demi contra Isabella.
 - Tem muita graça, idiota! - falou Isabella, encarando Demi, se aproximando mais da garota, que estava sentada.
 Demi riu.
 - Espera, quem convidou você pra essa reunião? - perguntou Demi, debochando.
 - O Nick pode até ser seu colega de dança, mas é meu namorado. Ouviu? Meu namorado! - destacou Isabella.
 Demi revirou os olhos, entediada.
 - Então não se preocupem, ok? Porque vou ajudar ele no que ele quiser! - completou.
 Demi gargalhou, e se levantou da mesa, encarando Isabella.
 - Jura? - levantou as sobrancelhas. - Olha, já terminou? Porque nós temos que continuar a nossa conversa.
 - Em vez de se preocupar com o namorado das outras, devia se preocupar com os seus piolhos! - gritou Isabella, dando um risinho.
 Demi gargalhou, dando um enorme sorriso.
 - Nunca tivemos uma piolhenta como você no colégio! - continuou Isa.
 - É sério? - falou Demi, sorrindo. - Ah, que triste! Olha, como eu tenho de sobra... - ela remexeu nos enormes cabelos negros - eu te dou um! Mas não come, ok? - ela fez gestos, como se estivesse jogando um piolho nos seios de Isabella.
 Isa a olhou séria. Sentia um ódio tremendo pela garota.
 - Já chega, gente. Chega! - disse Madison, com a cabeça entre as mãos. - É melhor a gente pensar em como ajudar o Nick, na boa.
 Demi suspirou.
 - Tive uma ideia - falou. - Mas primeiro vamos embora, porque aqui tá meio cheio - encarou Isa pelo canto do olho e deu as costas, saindo do refeitório.
 - É, vamos embora - concordou Madison, se levantando, junto com Aiden.
 - Acho que as baleias estão fugindo do mar - comentou Demi enquanto se retirava.

 Miley havia conseguido uma autorização pra sair e se encontrava no quarto, fazendo suas malas, quando ouviu um barulho vindo da janela. Olhou e viu que era Samuel, pequenino entrando no quarto e correndo até a cama.
 - O que está fazendo aqui?! - Miley arregalou os enormes olhos azuis, enquanto corria até a porta, trancando-a.
 Em seguida, voltou-se para a cama.
 - Samuel, se virem você vão expulsar a Demi, se esconde!
 Samuel olhou para a mala de Miley.
 - Você vai embora? - perguntou, ignorando a pergunta da garota.
 Miley hesitou.
 - Não - respondeu, pegando a mala e a colocando no chão. - Mas isso não é problema seu. Tá se comportando muito mal.
 Samuel se levantou, e correu até a cama mais próxima, se deitando nela.
 - Você avisou a suas amigas? - perguntou ele.
 Miley bufou.
 - Olha, Samuel, eu tenho permissão pra sair. Mas amanhã eu tenho que estar aqui de volta - respondeu ela.
 - Então porque está levando todas essas coisas?
 - Ah, isso não interessa! - irritou-se Miley. - Anda logo, se esconde naquele lugar onde você estava, anda!
 Rapidamente, Miley pegou nas mãozinhas de Samuel, o puxando de volta a janela. Mas, como era teimoso, soltou suas mãos da de Miley e se sentou na cama de volta.
 - Vai logo, se não vão expulsar a Demi! - falou ela. - Por favor!
 Samuel revirou os olhos, suspirando.
 - Está bem, eu já volto - ele ficou de pé na cama, estendendo os braços para Miley.
 - Vem cá - Miley suspirou, pegando o garotinho no colo. - Eu gosto muito de você - tascou um beijinho no rosto do garoto.
 - Eu também gosto muito de você - completou Samuel.
 - Mesmo que você tenha me passado piolhos - riu Miley.
 - Eu também gosto muito de você, você é gente boa... posso te dar um beijo? - perguntou ele, ainda no colo da garota.
 - É claro - sussurrou Miley, recebendo vários beijos no rosto.
 - Me leva de cavalinho até a janela? - pediu ele.
 Miley riu e se virou de costas, colocando o garoto de volta na cama. Ele subiu em suas costas e os dois seguiram até a janela, com Miley fazendo várias brincadeiras e os dois rindo.
 - Tchau! - despediu-se Samuel, dando um beijo no rosto de Miley.
 - Comporte-se!
 Samuel desceu a grande sacada e correu pelos campos verdes, se escondendo ao máximo. E já era de se esperar que o rosto de Miley se enchesse de ternura e carinho e as lágrimas começassem a correr. Lembrava-se muito de Abigail, a irmãzinha que havia deixado, e morria de saudades. Olhar para Samuel voltava as lembranças, o garoto tinha a mesma idade que Abigail. Tão esperto e tão aventureiro, era um garoto de ouro, assim como sua irmã. Sentia um afeto inexplicável pelo garoto, e sofria de preocupação com ele. Mas sabia que tudo iria ficar bem. Ou era assim que suas esperanças gritavam por dentro.

 Nick havia decidido sair do colégio naquele mesmo momento, não aguentava mais tantos problemas o rondando. Vestiu-se e caminhou até a casa de Jayden Gomez, o qual já o esperava. Depois de um tempo, já estava sentado em seu escritório.
 - Muito obrigado, não devia ter se incomodado - agradeceu Nick á William, que havia aparecido com uma boa bandeja de chá.
 - O senhor Gomez não deve demorar - falou William. - Ele teve que ir a uma reunião com os fornecedores, muito urgente - ele se sentou em frente a Nick, na cadeira de Jayden.
 Nick suspirou, impaciente.
 - Escuta senhor, pode dizer ao senhor Gomez que eu ligo depois? É que agora eu estou com a cabeça em outro lugar e... é melhor eu voltar outro dia!
 Nick pegou sua mochila e se levantou.
 - Por favor! - repreendeu William, fazendo Nick se virar. - Por favor, sente-se! Sente-se!
 Nick se sentou de volta, largando a mochila no chão.
 - Você está bem? - perguntou Will.
 Nick piscou os olhos várias vezes.
 - Porque a pergunta? - perguntou.
 - Porque... parece tenso - respondeu Will.
 - É... - começou Nick. - Eu to com um mal estar no estômago, mas não é nada grave.
 Will apertou os olhos.
 - Hmm... - disse ele, desconfiado.
 - Pois é... - revirou os olhos. - Por favor, peça ao senhor Gomez que me desculpe.
 William suspirou, desistindo de insistir.
 - Tudo bem, pois não - concordou.
 - Obrigado pelo suco - agradeceu Nick, se levantando, pegando sua mochila novamente.
 - De nada.
 - Vou deixar lá na cozinha - sorriu Nick.
 William observava Nick enquanto o mesmo saía do escritório. Quem era aquele garoto? Cabelos cacheados, alto, malhado, brinco nas orelhas, transversal, piercing e tatuagem. Um anel de prata na mão direita e uma pulseira desgastada. Usava uma blusa branca apertada em seus grandes braços e um jeans preto, que caía a ponto de ver um pedaço da cueca preta e um tênis da Nike. Um garoto bonito, de fato. Muito bonito. Mas intrigava aos olhos de William. E se fazia a mesma pergunta: quem era aquele garoto?

Continua.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Depois da Chuva - 83

 “Feche os olhos e pense em um lugar. Agora pense em uma pessoa. Se você demorar pra pensar em alguém, você se sente só. Se você sentir uma dorzinha no coração, você sente saudades. E se você pensar, quase que instantaneamente, em alguém, você sente amor.” — Querido John.


  Na sala do diretor após a aula, Ethan conversava com o senhor Walker.
 - O professor John estudou no exterior e é um dos melhores na matéria - explicou o diretor, se sentando em sua cadeira.
 Alexander ergueu os olhos para Ethan por cima da xícara de café, com o olhar sério e piedoso. Baixou a xícara sobre a mesa e encarou o diretor.
 - É um incompetente - disse Alex. - É isso que ele é. Como permitiu que ela lesse aquela porcaria na aula? - se referiu á Demi.
 Ethan balançou a cabeça, dando um sorriso forçado.
 - Senhor, é um professor novo, e eu tenho certeza que ele não sabia do conteúdo daquele trabalho e nem quem é o senhor - concluiu.
 Alex juntou as sobrancelhas, olhando pra Ethan como se fosse louco. Depois, se ajeitou na cadeira, suspirando.
 - O que ele fez é imperdoável - falou. - Assim como aquela menina sem respeito. Quem é essa menina? Eu quero saber o nome dela.
 Ethan ficou sério, abaixando por alguns segundos a cabeça. Demi não tinha lá uma boa fama naquela escola, e aparentemente o senhor walker não se lembrava de que já a conhecia. Na verdade, se conheceram durante uma briga muito oculta que ela estava tendo com Joe, mas não se lembrava disso.
 Por fim, o diretor bufou e disse:
 - Ela é filha da...
 - Pai!
 Joe entrou na sala, ultrapassando os seguranças da porta. Alexander apenas se virou para o filho, ainda sentado na cadeira, com o rosto de extremo desprezo.
 - Você é o culpado de tudo - apontou para Joe. - Porque você pediu pra ler aquilo na minha frente? Parece que você é o meu pior inimigo e não o meu filho.
 Ethan observou enquanto Joe se abaixou até ficar no tamanho do pai, que estava sentado na cadeira.
 - Pai, é sério, me perdoa - pediu Joe, os olhos piedosos. - Juro que não sabia o que dizia naquele trabalho. Além disso pensei que ela não teria coragem de ler na sua frente, eu juro.
 Alex balançou a cabeça, olhando pra Joe com nojo. Ele não via como Joe se humilhava a seus pés, e queria mais. Balançava a cabeça com forte negação.
 - Era só o que me faltava - disse ele, e bufou. - Ainda por cima isso acontecer por uma bobagem sua. Isso é o que me revolta mais. Levante-se!
 Joe se levantou, ainda de cabeça baixa. Nada poderia descrever a tristeza e a humilhação que ele sentia naquele momento.
 - O filho do secretário é um perfeito... - continuou Walker, olhando pra Joe com desprezo. - como eu vou dizer... IDIOTA!
 Joe engoliu em seco, com a cabeça baixa. Ethan suspirou, pronto pra falar.
 - Ah, deixa isso pra lá, senhor - disse o diretor, tentando abafar a situação. - Vai ver como logo todo mundo vai esquecer essa história ridícula e que...
 - Você não entende de política, diretor - interrompeu Alex, mais sério. - Se essas coisas forem ignoradas, depois se forma uma bola de neve impossível de parar.
 Ethan abriu e fechou os olhos várias vezes, juntando as sobrancelhas, mais confuso do que nunca.
 - O que? - perguntou, encostando os cotovelos na mesa. - O que quer dizer com isso, senhor?
 Alex bufou, baixando os olhos.
 - Temos que enfrentar isso - respondeu. - Quando ainda está em tempo. Me diga agora o nome dessa aluna!
 Uma onda de medo de preocupação subiu sobre o corpo de Ethan. Ele sentiu suas mãos tremerem e sua língua começar a travar. Ele balançou sua cabeça, tentando pensar em algo para livrar Demi. Tudo bem que ele não gostava da garota e muito menos queria defendê-la, mas ele sabia e muito bem do que Alex era capaz. Ele sabia muito bem o que ele poderia fazer quando ficava com raiva de uma pessoa, e como sabia.
 - Por favor, senhor, deixe esse assunto comigo - pediu Ethan, baixando os olhos. - Eu garanto que não vai ter nenhum...
 - Não! - interrompeu Alex. - De maneira alguma. É a mim que estão devendo uma explicação.
 Ethan chegava a quase suar frio. Ele não podia combater com Alex, de jeito nenhum. E ele não fazia ideia do que ele pretendia fazer com Demi.

 "DEMI, DEMI, DEMI!", era o que os alunos gritavam em uma parte do refeitório naquele momento, principalmente Madison, que estava mais feliz do que nunca. Demi estava em cima da mesa, como se estivesse recebendo algum "prêmio" e sorria para as mais ou menos 7 pessoas que a aplaudiam, entre elas Nick. Os alunos sorriam.
 - Você abusou, Demi, você deu o maior banho, que beleza! - gritou Aiden, animado.
 Demi sorriu.
 - Pior que se não fosse pelo professor, eu não teria tido coragem - falou ela.
 - Independente disso você estava genial, parabéns! - falou Nick, sorrindo.
 - Obrigada, meu povo! - gritou ela.
 Eles conversaram animadamente, enquanto Demi ainda se mantinha firme no "topo", que era em cima da mesa. Madison comemorava e conversava animadamente com Aiden e as outras pessoas que ali se mantinham, parabenizando Demi pelo ótimo trabalho.
 De repente, uns homens de preto, que eram bem lembrados por Demi pelos "gorilas do Walker", apareceram no refeitório, indo direto a Demi, que sorria com os amigos.
 - Senhorita Demi? - apontou um deles para Demi ao se aproximarem.
 Demi juntou as sobrancelhas.
 - Sou eu - respondeu ela.
 Sem mais palavras, o seguranças puxaram seu braço e a puxaram para fora da mesa com brutalidade.
 - Que isso! - gritou a garota, agora presa nos braços do seguranças, que a arrastavam.
 - Demi! - gritou Madison.
 - Me larga, o que é isso?! - gritou Demi.
 A garota parou de gritar quando os mesmos seguranças pararam, ainda no meio do refeitório, na frente de Alexander Walker, que olhava pra Demi sem nenhuma expressão. A garota fechou a boca, enquanto sentia um frio se passar por sua espinha.
 - Senhorita Lovato - disse Alex -, quero falar com a senhorita. Venha comigo a sala do diretor.
 Alexander deu as costas para caminhar, e Demi não sabia o que dizer. Nada poderia descrever o medo que estava sentindo naquele momento. Tinha uma expectativa muito ruim do que poderia acontecer, e não imaginava coisas boas.
 - Agora não dá! - falou ela, e Alex se virou novamente. - Agora eu... tenho outra aula!
 Alex olhou a garota, com um olhar que nem comentamos. Demi nunca deixara abaixar a cabeça pra nenhuma pessoa, mas o senhor Walker dava arrepios em Demi. Só de olhá-lo já causava muito medo nela.
 - Venha comigo a sala do diretor - repetiu Alex. - Anda logo!
 O coração de Demi se acelerou. Por um instante, havia se arrependido por ter dado uma de esperta e ter lido aquele trabalho na frente do político. Demi bufou e se soltou dos seguranças, "me larga!" e saiu andando na frente deles, com o coração a mil.
 Madison e os outros observavam, com muita atenção e muita preocupação. Madison estava a ponto de sair correndo e puxar Demi deles, mas o mesmo medo que Alex causava em Demi, Madison sentia a mesma coisa, o mesmo receio, o mesmo medo. Nick balançava a cabeça, completamente estupefato.
 - Caramba, Aiden, não vacila, esse cara vai pegar ela! - gritou Nick, apontando para Alex.
 Aiden não sabia o que dizer, seu queixo tremia.
 - Ta, mas o que podemos fazer? Não inventa - sussurrou Aiden, assustado.
 - Eu não sei - respondeu Nick. - No mínimo temos que ficar junto com ela, por via das dúvidas.
 - Calma, não vai dar em nada...

 Demi havia se sentado em uma das poltronas brancas da sala do diretor. Suas pernas tremiam tanto que mal aguentava ficar de pé. Os seguranças a encaravam, e o pior de tudo era que Alex a encarava ferozmente, enquanto se sentava em uma cadeira em sua frente. Demi estava indefesa e ela odiava se sentir assim.
 - Sabe de uma coisa? - começou Alex. - Eu jamais gostei das historinhas. Eu não entendo - ele ergueu as sobrancelhas e se encostou na cadeira. - Já que você entende disso, gostaria que me explicasse o que você quis dizer.
 Demi olhou em volta, tentando pensar em algo. Sua cabeça girava tanto que ela se sentia incapaz de falar alguma coisa, parecia que as palavras não iam sair. Ela abaixava a cabeça constantemente.
 - Não me sinto em condições de explicar nada - respondeu ela, com os olhos baixos.
 Alex se levantou, jogando o cigarro que fumava na lixeira. Em seguida, olhou para os seguranças.
 - Saiam - ordenou a eles.
 Os seguranças saíram da sala, fechando a porta. A onda de medo em Demi agora se tornava um furacão. Era só ela e ele agora na sala, enquanto ele se sentava em seu lado na poltrona branca.
 - Vamos ver - começou ele. - Porque você não tenta?
 Demi baixou os olhos, mordendo os lábios, tentando pensar em algo.
 - Olha, eu agradeço por me chamar de expert - começou ela -, mas eu sou apenas uma principiante.
 Alex riu irônicamente, enquanto encarava a garota, que não virava o rosto.
 - Por favor - disse ele. - Não seja modesta. Não se faça de boba. Parecia tão segura lá.
 Demi olhou para o homem a seu lado, agora soltando uma risada baixa.
 - Vem cá, qual foi a parte que não entendeu? - perguntou.
 - Aquele tom debochado... que falava do meu filho e de mim - respondeu ele. - Estava soando como uma acusação. - ele suspirou, se aproximando mais do rosto de Demi, que não se mexia. - Se você é tão corajosa, explique. Fale diretamente.
 Demi estava com a respiração cortada, não sabendo as palavras que saíriam de sua boca se aquele homem se aproximasse mais uma vez dela. Ela suspirou, tentando se acalmar. Parecia que não ia conseguir. Baixou seus olhos mais uma vez, estava quase suando frio. Bufou fortemente e disse:
 - Olha só, eu escrevi sobre o que eu vi. E goste ou não o seu filho faz coisas graves - Demi encarou o político. - E sempre sai são e salvo - dá de ombros.
 - Coisas? - perguntou ele, juntando as sobrancelhas. - Que coisas? Me diga que coisas. Seja mais precisa.
 Demi levantou as sobrancelhas, revirando os olhos. Agora que começou terminaria. Era o jeito. Já não estava mais tão nervosa.
 - Então, ele bateu dirigindo na contra-mão e depois fugiu do clube, e se meteu numa briga em que quem acabou preso foi outro - ela ergueu as sobrancelhas, como se fosse óbvio.
 - O outro era um criminoso, pelo que eu entendi - afirmou Alex.
 Demi olhou com desdém para o pai de Joe, agora com um leve embrulho no estômago. Tinha nojo daquela gente.
 - Ah é? - disse ela, irônica. - O senhor se deu ao trabalho de investigar? Sabe se ele se comportou assim por necessidade ou por vontade?
 Alex deu de ombros.
 - Isso não muda nada - respondeu ele. - Não deixa de ser um criminoso.
 Demi balançou a cabeça, agora realmente indignada enquanto se levantava do sofá branco.
 - Isso é a sua opinião - disse ela, de pé, se segurando para sua raiva não aumentar. - O senhor se deu ao trabalho de investigar se esse criminoso era responsável por alguém?
 Alex juntou as sobrancelhas, confuso, enquanto estendia seus braços no sofá, acendendo mais um cigarro, o que causou náuseas em Demi.
 - Mas o que é isso? - perguntou ele. - É um interrogatório?
 Demi riu falsamente.
 - O senhor gosta de perguntar, mas não gosta de responder, não é?
 - Olha só - Alex se levantou, aproximando-se novamente da garota. - Eu escutei alguma coisa sobre um irmão menor que parece que desapareceu.
 O rosto de Demi ficou pálido e a mesma abaixou o rosto imediatamente. Seu coração se acelerou como nunca; será que ele desconfiava de Samuel?
 - Que coincidência, não é verdade? - continuou Alex, pressionando. - O meu filho foi atacado por um menino de rua no colégio, e você está envolvida.
 Demi bufou, revirando os olhos. Fazia de tudo pra não mostrar seu rosto apavorado e agoniado ao político naquele momento, pois sabia muito bem que todos percebiam o que sentia. Deu uma risada abafada.
 - Sabe o que é? Seu filho ás vezes faz acusações que não pode provar, inclusive inventou que eu roubei uma carteira - ela sorriu cinicamente.
 Alex balançou a cabeça.
 - Deve ter sido um mal entendido - disse ele.
 - É, talvez - concordou ela. - Mas ele não queria me pedir desculpas e ninguém do colégio fez nada. Claro, deve ser porque o diretor estava ocupado experimentando o carrinho novo, não é?
 Demi bufou, arregalando os olhos, agora perto do homem. Sua mente processava o que havia acabado de falar e percebera que foi uma coisa grave. Se afastou rapidamente dele, olhando sua expressão: olhava pra garota sério, sem expressão, com o cigarro soltando fumaça entre os dedos.
 - Eu prefiro pensar que você fala com ingenuidade, na sua idade - disse ele. - Eu vou dizer uma coisa: vão encontrar esse menino, e você vai ser expulsa! - afirmou, apontando o dedo para Demi.
 O coração de Demi se apertou novamente, olhando do dedo apontado ao rosto do secretário. Sua fúria subia naquele momento e tudo o que ela queria ali era esmagar aquele dedo, ou até mesmo cortá-lo.
 - Até lá - continuou Alex -, não se meta com o meu filho!
 Era isso mesmo que ela escutava? Ele a estava ameaçando? Demi suspirou, vendo que ele tinha tirado seu dedo com o cigarro da cara dela. Agora sentia mais ódio de Joe do que o do pai.
 - Você entendeu? - perguntou ele.
 Demi deu de ombros. Apesar da raiva, não iria baixar a bola.
 - Então vamos ver se me expulsam. Porque talvez a minha mãe compre um iatezinho pro diretor... - disse ela, dando um sorriso cínico.
 - Garota, não brinque com fogo! - interrompeu Alex. - Você pode se queimar, menina.
 Os olhos de Demi ganhavam uma fúria enorme. Se segurava o bastante pra não enfiar aquele cigarro na garganta do homem e seguir para matar Joe. Como odiava os Walker. Todos a perseguiam. Demi sentia ódio a cada palavra dita pelo secretário.
 - E diga pro seu filho não tentar me bater de novo! - disse Demi, rangendo os dentes, se segurando pra não soltar um grito. - Porque senão vamos ver quem vão expulsar primeiro!
 Alex piscou os olhos várias vezes após ouvir as palavras de Demi, meio perplexo.
 - Olha, meu filho é incapaz de agredir uma mulher - falou.
 Demi riu, cinicamente. Se aproximou dele, falando firmemente:
 - O senhor não conhece seu filho.
 Houve um momento de silêncio, apenas os dois se encarando. Agora estavam mais calmos, mas a conversa havia estressado bastante. Várias coisas pairavam nas duas mentes, estavam cheias de coisas.
 Por fim, Alex deu mais uma tragada em seu cigarro, jogando-o na lixeira próxima.
 - Não estou disposto a escutar mais tolices - falou. - Não estou acostumado com esse tipo de discussões típicas desses programas que você assiste.
 Demi riu, ainda o encarando.
 - É, tem razão - concordou. - Isso é bem diferente da TV. Isso aqui parece mais com um filme da máfia!
 As palavras de Demi causaram um impacto doloroso, o que causou de Alex a encarar por longos minutos, com uma expressão de fúria. Demi deu um passo pra trás, parecia que Alex saltaria em seu pescoço a qualquer momento. Por fim, o político suspirou e deu as costas, pisando fundo no piso e saindo logo em seguida, passando pelos seguranças.
 Demi suspirou, e percebeu que os três seguranças na porta a encaravam de forma furiosa. Demi rapidamente correu e bateu a porta, não se importando se era alguma coisa de falta de educação. Encostou-se na porta, encarando o chão. Estava ferrada! Totalmente ferrada. Suas palavras haviam realmente atingido o senhor Walker e sua cabeça não parava de martelar as circunstâncias e consequências que pudessem vir. Sua mente parecia girar naquele momento, e o alívia aos poucos tomava seu corpo.

 No refeitório, os alunos que haviam presenciado Demi ser carregada pelos monstros do Walker ainda estavam preocupados, principalmente Madison e Nick, que queriam a todo custo saber o que estava se passando. Os alunos conversavam aleatoriamente sobre esse assunto, quando foram surpreendidos por Josh atropelando as pessoas a sua frente, correndo em direção ao grupo formado no meio.
 Josh chegou ao meio das pessoas, que olharam assustados para o garoto magro respirando abafado, e trazia consigo um papel em suas mãos.
 - Pessoal - disse Josh, ainda respirando com dificuldade pela corrida. - Aconteceu uma coisa terrível... no quarto do Nick! - apontou para Nick.
 Todos os olhos ali se viraram para o garoto no centro da roda, que olhava pra Josh nesse momento com uma extrema confusão nos olhares.
 - No meu quarto? - perguntou Nick, confuso.
 - Josh, o que você tem? - perguntou Aiden, se aproximando do garoto, que tremia.
 - O que houve? - perguntou Nick.
 - Fala! - gritou Madison.
 Josh fechou os olhos, ainda suando e tremendo. O garoto realmente parecia apavorado com o que tinha visto. Ele apenas pegou o papel em suas mãos, abrindo-o, entregando nas mãos de Nick, mostrando o que havia lá dentro.
 - É A MARCA DA SEITA! - gritou um garoto do grupo.
 Era impossível descrever a palidez e a choque que todos tiveram naquele momento. Josh fechava os olhos, tremendo e com medo do que iria ouvir. Madison botou as mãos na boca, completamente chocada. Aiden havia dado um passo pra trás, assustado. As pessoas estavam tremendo, assim como Josh.
 Já Nick mantinha a mesma expressão. Olhava o desenho na folha: a marca de uma mão, em tinta preta. Apenas isso. Já ouvira falar da Seita antes, Isabella o alertara sobre essa gente, mas isso não o estava preocupando.
 - O que eles fizeram, Josh? - perguntou Nick, acalmando o pessoal que ainda falando em múrmurios.
 Josh ficou calado, ainda tremia de nervoso.
 - Responde, o que eles fizeram? - repetiu Nick, se aproximando do garoto. Josh continuou calado. - FALA LOGO!

Continua.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Depois da Chuva - 82

“Vai embora, mas leva contigo, todos os sentimentos que eu sinto por você. Não deixe saudade, não quero viver uma vida de lembranças, convivendo dia a dia com a solidão. Quer ir, mais não volta mais, por que o que é verdade não se destrói tão fácil assim, não se vai por motivos tão simples. Quem ama cuida, não deixa partir, quem ama protege, não deixa ir.” — Robson Lopes.

  A aula de ética continuava a essa altura, onde o novo professor conhecia os alunos.
 - Eu estive lendo os trabalhos de vocês - disse John -, e li com muita atenção.
 John mordeu os lábios e deu um sorriso sincero, fazendo algumas garotas perderem a fala por alguns segundos. Um garoto do fundo da sala levantou as mãos, com a expressão entediada.
 - E você já deu nota, professor? - perguntou ele.
 - Hmm, não - respondeu John. - Acho que ninguém pode dar nota a um pensamento ou a alguma opinião pessoal - ele bufou. - Teve um em particular... deixa eu ver se encontro - ele remexeu nas folhas em suas mãos - ... que eu gostei muito.
 O sorriso de Selena já era visível.
 - Dá pra notar que foi feito com o coração, com pura paixão... fogo - continuou o professor. - É "A Síndrome do Boneco de Plástico" de Demi Lovato.
 Selena ficou séria no mesmo momento. Mal podia acreditar no que estava ouvindo. Como assim o trabalho de Lovato?! Ela que havia se esforçado tanto. Os cochichos na sala já podiam ser ouvidos.
 John levantou os olhos para olhar Demi no fundo da sala, que agora segurava um sorrisinho sorrateiro nos lábios.
 - Demi... eu notei que você tem uma maneira muito especial de enfrentar as coisas - ele sorriu. - Vem. Chega mais - chamou ela.
 Demi sorriu e se levantou, caminhando até onde o professor se encontrava. Miley balançou a cabeça, agora ficando nervosa. Ela sabia que Demi teria de ler o trabalho na frente da sala, e não iria ser nada bom. A garota estava maluca de fazer aquilo, quem em sã consciência falava mal dos Walker na cara dura? Miley suspirou, e se levantou também, mas saiu da sala, pronta para não enfrentar aquela situação.
 Outro que não estava gostando era Joe Walker, é claro.
 - Eu não venho ao colégio pra escutar trabalhos dos meus colegas! - gritou ele, se levantando, com uma fúria nos olhos tremenda. - Meu pai paga uma fortuna para que vocês, professores, ensinem!
 John ergueu as sobrancelhas para o garoto em pé e Demi o olhava com desprezo.
 - Qual é o seu nome? - perguntou John.
 - Joe! - respondeu.
 - Joe... ás vezes os alunos podem explicar melhor do que os professores - explicou King. - Porque tem a paixão por dentro. Tem a liberdade pra poder se expressar sem pressões - ele sorriu e se voltou para Demi. - Poder ler, Demi. Nós estamos escutando.
 Demi abriu um largo sorriso e abriu seu envelope, revelando seu trabalho. Olhou pra Joe com um olhar de desprezo, que o mesmo se sentou, ainda bufando de raiva. O ódio que estava sentindo podia ser sentido de longe.
 - "Era uma vez um... - começou Demi, em voz alta.
 - Um minuto! - interrompeu o professor, e se virou pra sala. - Eu quero esclarecer que a Demi fez esse trabalho em forma de historinha - deu um sorrisinho de canto.
 - Então não vale! - gritou Joe, mais uma vez, se levantando da carteira. - Você não pediu historinha!
 John o olhou com temerosidade, talvez tentando compreender a expressão e o comportamento do garoto. Em seguida, encheu o rosto com um sorriso.
 - Vale tudo - respondeu ele. - Vale tudo, Joe - ele sorriu. - Ela escolheu o humor, nesse caso. E vai ser uma coisa muito important...
 - Não acho certo! - interrompeu Joe. - Não acho certo!
 John mordeu os lábios, balançando a cabeça.
 - Porque ficou assim? - perguntou. - Por acaso você tem algum problema em particular com o trabalho da Demi?
 Joe hesitou, e encarou por segundos o rosto de Demi, que se segurava em pé pra não rir. Joe engoliu em seco, e revirou os olhos. Todos da sala o encaravam. Por fim, bufou e se sentou:
 - Não - respondeu.
 John revirou os olhos.
 - Então sente-se e escute - ordenou, e encarou Joe. Em seguida, voltou sua atenção para Demi. - Agora sim vamos escutar.
 Demi abriu um grande sorriso, e voltou sua atenção para o trabalho.
 - "Era uma vez uma cidade chamada Falcatruolândia. Quem mandava lá era um político chamado Mister Falcatrua..." - começou Demi, e a turma riu. - "... Ele tinha..."
 - Com licença, professor - Demi foi interrompida pelo diretor Ethan entrando na sala, acompanhado do senhor Walker e seus seguranças.
 John rapidamente se levantou.
 - Apresento seu senhor secretário, Alexander Walker - apresentou Ethan, e John e Alex trocaram apertos de mãos. - É o pai de um dos nossos alunos.
 - Prazer em conhecer - sorriu John.
 - Muito prazer - disse Alex, sério.
 - E com a sua licença, vamos levar o filho dele - disse Ethan, apontando para Joe.
 - Pois não, claro.
 - Vamos lá, Joe - chamou Ethan.
 Joe se levantou, ainda emburrado, e caminhou até o pai na frente da sala, encarando Demi com horrores na mente sobre a garota. A mente dele parecia se desvairar, ele queria muito se vingar, queria muito que Demi se ferrasse naquela hora.
 - Pai - disse Joe, se aproximando do mesmo. - Porque não fica pra escutar? Nossa colega vai ler uma historinha sobre um político, aposto que vai se interessar - apontou pra Demi.
 Demi congelou no mesmo instante. Joe cruzou os braços e se virou para encarar Demi, que havia retirado seu sorriso. Como Joe era capaz de cada coisa.. Alexander juntou as sobrancelhas, confuso, enquanto o diretor Ethan voltava sua atenção ao professor John:
 - Pode me explicar que trabalho é esse que não fiquei sabendo? - sussurrou o diretor.
 John deu um sorrisinho de canto.
 - São os trabalhos de ética, senhor Jones - respondeu.
 Ethan deu um sorrisinho amarelo.
 - Ah sim - disse ele. - Os benditos trabalhos de ética - se voltou para Joe. - Bom Joe, venha conosco, não vamos mais atrapalhar a aula.
 O diretor se retirava da sala, mas Walker o parou.
 - Perdão - disse Alexander, com a voz abafada e a expressão séria. - Mas se o meu filho disse que o tema pode me interessar, eu peço permissão para ficar e escutar.
 Ethan balançou a cabeça, sem nexo.
 - Depois eu consigo uma cópia, senhor secretário, e envio para o senhor com muito prazer...
 - Não - interrompeu Alex. - Eu gostaria de ficar e escutar - olhou para Demi. - Tem algum problema?
 - Não, não - responderam John e Ethan, com sorrisos.
 O diretor não estava entendendo pra lá de nada, mas seguia ordens do secretário. Deus o livre se fosse confrontá-lo.
 - Por favor, traga uma cadeira - pediu ele a um aluno no fundo da classe.
 O garoto de cabelos escuros se levantou e pegou uma cadeira, caminhando até o secretário.
 - Eu posso fumar? - perguntou Alex ao diretor.
 - A vontade - respondeu ele, sorrindo. - O senhor está em casa.
 Depois de um tempo, John voltou a frente da sala, suspirando.
 - Bem, já que estamos todos acomodados... - se virou para Demi. - Comece, Demi. Estamos escutando.
 Mas a garota estava congelando. Demi não sabia expressar o quanto estava nervosa naquele momento. Joe havia conseguido o que queria, e agora? Como ficaria seu trabalho, que foi considerado o melhor da sala? Ela não podia se deixar intimidar porque o grande senhor Walker estava a olhando, pronto a todos os ouvidos pra ouvir o que ela queria dizer.
 - "O p-político... Muito... "
 Suas mãos tremiam. Seus olhos mal olhavam o papel, vagavam pela sala. Principalmente olhavam para a expressão do senhor Walker, que na verdade a olhava sério, com seu cigarro na boca. Demi estava tão nervosa que dava pausas extremas entre 4 palavras. John estava percebendo seu nervosismo, e se aproximou da garota.
 - Tá se sentindo bem? - sussurrou ele.
 Demi olhou em seus olhos, aqueles castanhos chocolate. Se sentia bem por olhar aqueles olhos que eram agradáveis e que pareciam realmente se preocupar com ela. John sentia um afeto pela garota enorme, queria ajudá-la, e se esquecia de que era apenas seu professor. Mas a química entre os dois rolava de forma instantânea.
 Por fim, Demi bufou e ajeitou os ombros:
 - Não, eu to nervosa - respondeu.
 John deu um sorrisinho de canto.
 - Muita gente tem medo de falar em público - disse ele. - E eu espero que seja isso. E não que tenha medo do que escreveu!
 Sua expressão ficou séria, e ele e Demi se encararam por alguns segundos. Ele podia decifrar o que a garota estava sentindo, mas preferia confortá-la. Depois, se virou novamente para a turma.
 - Pessoal! - chamou. - É importante que todos entendam uma coisa: a ética começa por nós mesmos. Sendo fiéis ao que sentimos. - se virou para Ethan - Não é verdade, senhor diretor?
 Ethan largou os ombros, abrindo um sorriso.
 - Com certeza - respondeu. - A ética é um dos valores fundamentais do nosso colégio, alunos.
 - Está vendo? - falou John a Demi. - Vai por um bom caminho. Se sente em condições de continuar?
 Demi suspirou, e abriu um leve sorriso.
 - Sim - respondeu. - Obrigada.
 John trocou um sorriso caloroso com a garota e voltou a se sentar.
 - Continue - falou.
 Demi suspirou, abrindo um enorme sorriso. Parecia mil vezes mais confiante agora do que a 2 minutos.
 - "... O político tinha um filho que brincava o dia todo de ser um homem poderoso, com espada e tudo, como He-Man, o bonequinho de plástico. Mas como era muito preguiçoso trocou a espada pesada por um celular, que também tinha super poderes. Quando estava com problemas, apertava uma tecla e o político, mister Falcatrua, vinha a seu socorro. E foi assim que ele mandou prender um rapaz. Que provas estava pairando sobre sua responsabilidade? O bonequinho abusava de seus super poderes, ele fugiu do colégio, dirigindo sem abilitação. Se embebedou, mentiu e discriminou. Pois não se importava, afinal, a tecla o salvaria mil vezes, já que o mister Falcatrua era mestre na hipocrisia como ninguém. E enquanto que na Falcatrualândia com o celular se consegue impunidade, a ética será o disfarce de muitos de seus funcionários."
 Demi parou de ler, e ergueu os olhos para a sala de aula. Ainda haviam alunos que soltavam risadas, mas também pessoas que olhavam pra ela sem expressão. Demi abriu um sorriso de satisfação e, vagamente, olhou pra Joe na porta da sala, ao lado de seu pai, com a expressão mais séria do que nunca.
 Demi sabia que Joe iria matá-la depois. E sua barriga se revirava ao pensar nisso, mas só por alguns segundos. Ela não se importava mais com o que o garoto iria dizer.
 - Bom, depois continuamos com uma longa investigação, mas basicamente era isso que eu queria que lessem - disse John, abrindo um sorriso e se virando para Demi. - Excelente metáfora de algumas realidades, Demi. Meus parabéns - se virou para a turma. - Acho que merece aplausos, não é mesmo?
 Os alunos se alegraram, e bateram palmas animadamente. Mas o chamou a atenção foi ver Alexander Walker, que ficara sério a leitura inteira, se levantar de sua cadeira e dar um sorriso, batendo palmas. A boca de Joe se abriu, em sinal de extrema surpresa. Como seu pai havia gostado do texto, logo de Demi?
 Demi e Joe se encararam, e não se duvidava que dali com certeza iria sair uma bela guerra.

 O salão de Olívia ia bem, melhor do que antes. A saudades que sentia de Miley afetava seu trabalho, mal podia trabalhar direito. Queria ligar pra garota, saber como estava e tudo mais, pois o último encontro entre as duas na escola não recebeu notícias boas. Se contentava em fazer cabelos e esfriar mais a cabeça antes de fazer loucuras pela sobrinha. Estava alisando um cabelo naquele momento, com os pensamentos em Miley.
 - Agora está bem, Lily. Tá alinhado, muito bem, mas tem que cuidar desse cabelo porque, com tanto alisamento, tá maltratado - disse Olívia, largando a prancha ao lado da cadeira onde se sentava Lily Wrhite.
 - Você não entende - Lily balançou a cabeça. - Eu quero uam mudança. Eu já cansei de ser a mesma - passou as mãos nos cabelos, agora lisos.
 Olívia suspirou e revirou os olhos.
 - Olha aqui, Lily, eu recomendo pra você...
 - Olha só! - gritou uma voz de homem. - Muito boa!
 Olívia olhou pra trás, vendo um homem sorrindo.
 - Muito boa o que? - perguntou.
 - Muito boa tarde - ele respondeu, sorrindo.
 Olívia sorriu.
 - Ah sim.
 - Olha, deixei suas tintas ali - apontou pro balcão.
 - Ah, obrigada - sorriu.
 - Tchau. Se cuida - e se afastou.
 Lily seguiu o homem com os olhos até se afastar e sair do salão.
 - Ele é muito bonito, não é? - disse Olívia. - É muito lindo. Mas sabe de uma coisa? Ele é gay.
 Lily bufou, decepcionada. Olívia voltou a mexer nos cabelos da mulher.
 - Ah, que desperdício - bufou Lily.
 Olívia riu.
 - Olha, como eu estava falando, eu vou te dar um alô - disse ela, pegando um papel - Sua carinha é muito linda, muito bonita, você fica bem de cabelo liso, mas se botarmos um pouquinho de cor, um tonzinho assim, fica bem...
 - Você acha? Não é muito atrevimento? - perguntou ela;
 - Não...
 Olívia se interrompeu ao ouvir o telefone tocar do outro lado do salão, onde pediu licença a Lily e foi ver o telefone rapidamente.
 - Alô, salão da Olívia - atendeu ela, sorrindo.
 Ficou pálida de repente, seu sorriso desaparecendo de seu rosto instantaneamente.
 - O que foi, Miley? - perguntou, já com a voz pesarosa. - Não, não, filha calma... Não, não se preocupe... Ta, eu falo com o diretor, eu vou ligar e vou pedir pra dar permissão pra você sair... Ok Miley, está bem, tenha calma filha...
 Olívia desligou o telefone, agora sim preocupada. Rapidamente, pegou sua agenda e discou o número da escola.

Continua.